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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Post de Honra - ATLÉTICO MINEIRO - Centenário 2008


Na nossa 1a semana de Mantoteca, já faremos uma homenagem.

O assunto da semana. O Campeão da Libertadores.

Clube Atlético Mineiro



O parabéns fica ao critério de vocês. Pq muitos aqui estavam torcendo contra (futebol sem rivalidade não existe). Então quem quiser ler a história especial de hoje, prossigam. Os que estão p... da vida e não aguentam mais ver coisa sobre o alvinegro das Alterosas, podem fechar a janela e xingar com todo o seu ódio. Eu sei o que é secar. E sei como é horrível quando a secação falha. Entendo vocês

No caso, pego uma camisa que esteve por apenas 1 semana na minha Mantoteca, no início desse ano, antes da Libertadores começar. E, por ironia do destino, foi negociada com um são-paulino. Por isso que não costumo incluir na minha coleção definitiva camisas de times rivais do meu... essa aqui só esteve para negócio, como a do Vasco (cuja história já contei no 2o post desse Blog)

E é uma camisa muito valiosa do Galo. Por coincidência, nas costas dela estava o número 13. O número do ano em que o tão sonhado título da Libertadores veio. Talvez um presságio?


Mas não falarei mais de Libertadores. Vou falar de 2008. Ano dessa camisa. Ano especial para o Atlético. Ano do Centenário do Clube.


Em 2008, os heróis da Libertadores que viria 5 anos depois estavam em lugares distintos. Victor era goleiro do Grêmio, time no qual também jogava o zagueiro Réver. Ronaldinho Gaúcho já estava sendo obscurecido no Barcelona por um tal de Lionel Messi. Jô ainda era lembrado como a "promessa do Corinthians" e estava na fria Rússia, defendendo o CSKA de Moscou. Guilherme também era uma promessa em Minas Gerais, mas estava jogando pelo lado azul da cidade. Pierre era destaque de um Palmeiras que ameaçava voltar a se destacar no cenário nacional. Em outro time verde, encontramos Josué, na Alemanha, defendendo o Wolfsburg. No Rio, Diego Tardelli ajudava o Flamengo a ganhar o Campeonato Carioca em cima do Botafogo treinado nada mais, nada menos do que por Alexi Stival, o Cuca.

 A situação no Atlético Mineiro no ano do seu Centenário também não era muito animadora. Dois anos antes, o time enfrentara o purgatório da Série B, onde sagrou-se campeão. Em 2007, mesmo tendo atropelado o rival Cruzeiro na final do Campeonato Mineiro, numa vitória de 4x0 com direito ao goleiro Fábio levando um gol virado de costas para o mesmo, e tendo feito uma campanha razoável no Brasileirão, não haviam muitas coisas animadoras para se esperar em 2008.

O ídolo Marques, já com seus 35 anos, era anunciado como reforço para a temporada, após passar um tempo no Japão. Outro reforço duvidoso era o meia sérvio Dejan Petkovic, que não exibia mais um bom futebol desde sua passagem pelo Fluminense, entre 2005 e 2006. Além disso, o Presidente do clube Ziza Valadares não agradava os torcedores.





Novidade mesmo, só o novo fornecedor esportivo. A italiana Diadora saía do time e dava lugar para a conterrânea Lotto. Além dessa camisa preta da Mantoteca, a Lotto também fez outras camisas celebrando o centenário do Galo. Como, por exemplo, um modelo excêntrico listrado em preto e dourado, lembrando muito o uniforme do Peñarol do Uruguai. Abaixo, as fotos das camisas lançadas naquele ano:









O bolso do atleticano colecionador ficou mais vazio. E a paciência também. Qualificou-se em 3o lugar no Campeonato Mineiro, atrás do Cruzeiro e do Tupi de Juiz de Fora. Mesmo assim, o time avançava na Copa do Brasil. Deixou times como o Palmas-TO e o Nacional-AM para trás. Voltando ao Campeonato Mineiro, o Atlético deixava o também alvinegro Tupi para trás, após vencer os dois jogos, 3x2 no primeiro em BH e 1x0 em Juiz de Fora.



A partir do dia 23 de Abril, as coisas começavam a complicar-se. Jogando nos Aflitos, em Recife, o Atlético perdia seu primeiro jogo na Copa do Brasil em 2008. Mesmo com o sérvio Petkovic abrindo o placar aos 3 do primeiro tempo, o Galo levaria 3 gols, a virada do time pernambucano. Danilinho, ao apagar das luzes do jogo, ainda deixou o placar mais aceitável. 3x2 e no Mineirão era só buscar a virada.

Mas o desastre maior seria no dia 27 de Abril, um domingo. 1o jogo da final do Mineirão. O sonho de ganhar do rival Cruzeiro no ano do Centenário. O Bicampeonato sobre o rival. Um sonho que começava a desabar logo aos 12 do primeiro tempo, quando o boliviano Marcelo Moreno marcava seu gol. Para piorar, o veterano zagueiro Marcos marcaria contra o patrimônio, 7 minutos depois. O atual volante do Chelsea, Ramires, ainda fecharia a conta do 1o tempo: 3x0 para a Raposa.

Vira 3, termina 6? Quase. Guilherme (o próprio, que fez um gol salvador na semifinal da Libertadores deste ano) marcou o 4o gol aos 21 minutos do 2o tempo. A vingança de 2007 já estava concretizada. Mas, 11 minutos depois, veio Wagner (atual reserva do Fluminense) e completou a soma. 5x0. No ano do Centenário. Numa final. Contra o maior rival de todos. 


A crise veio. Mesmo assim, não foi o suficiente para eliminar o Atlético da Copa do Brasil. Com um gol de Danilinho, o Galo conseguiu manter-se vivo na competição graças ao discutido critério de gol fora de casa. Mas, seria possível reverter o resultado desastroso?



A resposta veio com um time apático em campo no 2o jogo da final. Marcelo Moreno apenas confirmou a superioridade do rival e fez o único gol daquele jogo. Cruzeiro Campeão Mineiro. Vingando 2007 com juros e correção monetária (isso porque também haveria outro 5x0 em 2009).



Desastres em Centenários não são raros. O Flamengo de 1995 também perdeu título estadual para o rival, levando um gol de barriga histórico. O Botafogo de 2004, que havia acabado de voltar para a 1a divisão do Brasileiro e quase foi rebaixado novamente. Posteriormente, teríamos os exemplos do Coritiba de 2009, rebaixado no Nacional na última rodada do campeonato, de forma dramática, o Internacional do mesmo ano, que foi vice na Copa do Brasil e no Brasileirão, e o Corinthians de 2010, que fez um plano ambicioso para ganhar tudo e não ganhou nada. Com o Atlético, o caminho parecia seguir o roteiro comum dos centenários frustrados.

Ainda havia o Brasileirão e as rodadas seguintes da Copa do Brasil. Era hora de enfrentar o Botafogo, treinado pelo agora herói atleticano Cuca. Mas em 2008 Cuca era uma pedra no sapato do Galo. Em 2007, pela mesma Copa do Brasil, o Glorioso, já treinado pelo paranaense, havia eliminado o alvinegro mineiro. E, como em 2007, o 1o jogo terminou 0x0.

Enquanto o jogo de volta não chegava, o Brasileirão começava. E logo de cara, um resultado decepcionante: um empate em casa contra o time reserva do Fluminense, já que o time titular focava-se na Libertadores (aquela mesma, da LDU). E então, no meio da semana, o jogo no Engenhão. O Atlético não aguentou e levou 2 gols do Botafogo do 2o tempo. Era eliminado da Copa do Brasil mais uma vez pelo rival alvinegro do Rio.


Agora, restava esperar pelo início da Sul-Americana (onde enfrentaria o Botafogo novamente na fase nacional da competição). E, claro, prosseguir o Brasileiro. O sonho de um título para coroar o Centenário começava a esvair-se. E depois de mais 2 empates, o time ganhava seu primeiro jogo contra a Portuguesa, em Minas.


Mas era bom demais para aquele time. Na rodada seguinte, veio o atual bicampeão nacional, o São Paulo de Muricy Ramalho, um time que não era muito chegado a golear. Porém, assim como no 1o jogo da final do Mineiro, nova goleada: 5x1 para os paulistas. Na rodada seguinte, veio o rival regional Ipatinga, o típico jogo de 3 pontos, já que o time do Vale do Aço estava muito enfraquecido em relação aos anos anteriores. 4x2 para o Galo no Mineirão


Nas quatro rodadas seguintes, 3 empates e 1 derrota. O time estava cada vez mais longe de qualquer chance de título nacional, e a zona de rebaixamento já começava a ficar muito mais próxima. 2008 se desenhava para ser um ano desastroso como 2005. A derrota para o Cruzeiro que se seguiu apenas confirmava essa hipótese.

Contra o Internacional de Nilmar, o Galo nada pode fazer: mais uma derrota. Mas, contra o Coritiba, que acabava de voltar da Série B, um suspiro de alívio. 3x2 contra o time da "eterna promessa" Keirrison, que deixou a sua marca no jogo.

Eis que aparece o outro alvinegro. O Botafogo, jogando no RJ, surrou impiedosamente o time do Atlético. 4x0, com gol de pênalti saindo no 1o minuto de jogo. Cuca já havia sido demitido, mas tornou o Glorioso um verdadeiro obstáculo na vida do Galo Doido. No Mineirão, a tentativa de reabilitação vencendo o Vitória por 2x1


O Vasco da Gama, rival da próxima rodada, havia sido massacrado pelo Santos na Vila Belmiro. E também era um candidato real à vaga na Série B 2009. O jogo era em São Januário, e o Atlético podia sonhar em vencer para respirar mais. Um já desgastado Edmundo abriu o placar para o Vasco aos 13 do 1o tempo, mas Jael empatou para o Atlético 2 minutos depois. Reação? Não. Mais um vexame. Mais uma goleada. Vieram mais 5 gols, todos a favor do time cruzmaltino. Placar final: 6x1 para o Vasco. E detalhe: repararam no uniforme preto do Atlético? É o uniforme da Mantoteca.


Placares magros garantiam a vida do Atlético no Mineirão. Dessa vez, contra o Sport. 2x1. E, finalmente, a primeira vitória fora de casa. Um importante 3x2 em cima do Santos de Kleber Pereira dentro da Vila Belmiro. Tudo isso colocava o fantasma do rebaixamento longe do bairro de Lourdes novamente.


Próximo combate: o Grêmio no Mineirão. O time gaúcho era líder do campeonato e buscava um título que não vinha desde 1996. Era o último jogo do turno, e o Atlético continuava invicto contra times de fora do estado no Mineirão. Pois então, o tricolor gaúcho aplicou mais uma goleada no Galo: 4x0. À essa altura do campeonato, os torcedores atleticanos já nem queriam mais título no Centenário, queriam mesmo é parar de ver o time passar vergonha.

E por falar em vergonha, lá vinha o Botafogo de novo. Dessa vez pela Sul-Americana. Acreditar em títulos, pouquíssimos. Mas, talvez uma vingança contra as eliminações consecutivas impostas pelo time de General Severiano. Em vão, o 1o jogo foi 3x1 para o alvinegro carioca. E tudo teria que ser resolvido no Mineirão.



Início do 2o turno. Era hora de reagir contra o Fluminense, dessa vez jogando no Rio e com o time titular. O tricolor carioca ainda amargava a ressaca da final inacreditável perdida para a LDU e cumpria exatamente o que o seu técnico Renato Gaúcho dissera: estavam "brincando" no Brasileiro. Mesmo assim, o Galo não conseguiu vencer. 1x0 para o Flu, gol de Dodô.

Um empate com o Goiás em casa se seguiu. E depois, um ótimo resultado. Finalmente o Atlético goleava alguém naquele Brasileiro. E a vítima foi o seu xará do Paraná, que também vivia uma má fase. 4x0 no Atlético Paranaense.


Chegou a hora de encarar o Botafogo novamente, no jogo de volta da Sul-Americana, no Mineirão. Se era para ser eliminado, que fosse de maneira decente. Talvez aquele Atlético de 2008 não soubesse o significado da palavra "decente". Protagonizou mais um vexame em sua casa, a 4a vitória seguida do Botafogo em cima do Galo no ano. E de goleada: 5x2 para o Fogão e outra eliminação.



Depois disso, vieram dois empates pelo Brasileiro, um deles contra o São Paulo que havia goleado o time impiedosamente no 1o turno. E a péssima derrota para o Ipatinga, jogando no Ipatingão. 3x2 para o time que posteriormente cairia como lanterna daquele torneio.

Mesmo assim, o Atlético continuava a oscilar. Ainda estava correndo riscos de cair, perdia e ganhava jogos improváveis. Ganhou o jogo contra o Náutico em casa por 2x1. Empatou também em casa contra o Figueirense. E perdeu para o Palmeiras por 3x1 em São Paulo.

Talvez um dos momentos mais enigmáticos do Atlético Mineiro em 2008 foi no dia 11 de Outubro. Jogo contra o Flamengo, que estava no G4 e embalava para brigar pelo título brasileiro. Em pleno Maracanã. Nem os próprios atleticanos acreditavam que seria possível voltar de lá com um empate. Mais de 70000 espectadores, a maioria deles rubro-negros, foram assistir ao que seria um gigantesco banho de água fria da parte do Galo. 3x0 para o time mineiro. O garoto Renan Oliveira jogou de uma forma espetacular. E o placar ficou barato, pois o Galo perdeu muitos gols.


A vitória sensacional contra o rival Flamengo não ajudou contra o arquirrival Cruzeiro na rodada seguinte. Uma nova derrota. 2x0 para o time azul, que cada vez mais se aproximava de sua vaga na Libertadores. Seria um pesadelo ter que ver o rival disputando a América enquanto novamente o Galo era condenado à Série B. O empate com o Inter por 2x2 também no Mineirão também não ajudava na fuga do fantasma do rebaixamento.

Parece que o estoque de sorte daquele time acabou. Nova derrota, agora em Curitiba para o Coritiba. O próximo jogo era contra o algoz Botafogo, que poderia vencer pela 6a vez consecutiva o Galo. Mesmo que o jogo fosse no Mineirão, o alvinegro do Rio assustava. Havia goleado no 1o turno e eliminado o time de dois mata-matas, tudo no mesmo ano. Então o Galo resolveu apelar novamente para o improvável. Venceu por 2x1, não o suficiente para vingar-se de todas aquelas derrotas, mas foram 3 pontos para fugir de uma humilhante queda centenária.


E parece que a vitória sobre o algoz adiantou. Mais uma vez, o Galo vencia um rubro-negro dentro de sua própria casa. Dessa vez era o Vitória, que caiu por 1x0 dentro do Barradão. Voltando para Minas, o Vasco que havia aplicado um humilhante 6x1 aguardava para tentar reabilitar-se também no campeonato. Vingança! O Atlético quase devolve a goleada no cambaleante time da Colina, 4x1. E empurra o Vasco para os braços do rebaixamento, enquanto era impulsionado para um lugar fixo no meio da tabela.


Mas as 3 vitórias seguidas acabariam na Ilha do Retiro, quando novamente o Galo levou mais um golpe forte. 3x0 para o Sport. Já faltavam duas rodadas para o fim, e o pesadelo de um rebaixamento histórico já havia quase terminado. E mesmo empatando com o Santos e perdendo o jogo que poderia dar o título de Campeão Brasileiro ao Grêmio (o SPFC precisava perder do Goiás, mas venceu), o Galo estava livre. Aquele terrível ano do centenário estava acabado. Sem título. Mas sem mais humilhações.

Em Outubro de 2008, Ziza Valadares havia deixado a presidência e Alexandre Kalil, filho de um dirigente do Atlético que presidiu o clube durante a Era de Ouro nos anos 80 (embora esta só tenha vindo em forma de títulos estaduais consecutivos e boas campanhas no Brasileiro), assumia o cargo, que ocupa até hoje. O resto entraria para a história. O título mais importante depois do Brasileirão de 71. A Libertadores de 2013. O Kalil que entrou naquele Centenário destruído conseguiu levar o Atlético aonde ele nunca esteve. Mesmo depois de 2009, onde o time perdeu a vaga na Libertadores no fim do campeonato. Mesmo depois de 2010 e 2011, anos onde o time quase caiu novamente. Mesmo depois de um vice-campeonato nacional em 2012 que fez todo torcedor atleticano imaginar que o sofrimento dura para sempre. Mas, já dizia Renato Russo, reforçado posteriormente por Cássia Eller, "o pra sempre, sempre acaba".

E é com essa música que deixo vocês hoje, refletindo sobre o belo título do Atlético, sofrido e merecido. E lembrando de tudo que esse time passou até chegar neste momento de glória.

Parabéns Galo, Campeão da Libertadores da América.


sábado, 20 de julho de 2013

Inaugurando o blog - Flamengo 2000/01

Cada camisa de futebol conta uma história.

Impossível ver uma camisa amarela com gola careca verde e punhos da mesma cor e não vir à mente a letra de "Pra Frente Brasil" na mente, junto com todas as outras recordações da Seleção Brasileira de 1970, de Carlos Alberto Torres erguendo a Jules Rimet no Estádio Asteca abarrotado de gente, do Rei do Futebol, Pelé, quando falava com suas jogadas espetaculares (pq ele falando com a boca é um poeta, como diz Romário), de Jairzinho, Gérson... Salve aquela Seleção!

E aquela camisa de tecido sintético de 1994, com marcas d'água do escudo da CBF de gosto duvidoso? Para muitos, tal pedaço de pano sempre trará a lembrança vívida dos gritos de "É TETRA" do Galvão Bueno, depois que Roberto Baggio cobrou o pênalti mais lembrado de todos os tempos. Também evoca Romário e Bebeto aterrorizando as zagas adversárias e um tempo em que o futebol brasileiro, condenado ao ostracismo, deu a volta por cima e mostrou quem manda no planeta bola.

Pois é esse o principal objetivo deste blog. Como uma biblioteca e seus livros, aqui nesta verdadeira "Mantoteca", você poderá ver as melhores histórias sobre futebol, contada pelos uniformes que marcaram época. Dá para contar a história de um jogo épico, de um campeonato inesquecível, dá até para contar a história de um PAÍS falando de uma camisa de futebol!

E hoje, vou começar pelo meu time do coração e o principal motivo de ter uma coleção de camisas: o Clube de Regatas do Flamengo.

Talvez a camisa do clube fundado em 1895 fundado por 6 jovens remadores, e que chegou ao futebol no ano de 1912, seja a camisa reserva branca de 1981. Foi com ela que o time mais forte do clube rubro-negro conquistou seu título mais importante: o Mundial de Clubes após aplicar um acachapante 3x0 no Liverpool de Bob Paisley (também era o time mais forte da história dos Reds, mas aí é outra história), com o time comandado por Zico. Tal camisa fez tanto sucesso que foi reeditada várias vezes na história do Flamengo, sendo a última no ano de 2011, quando o título completou 30 anos.



Porém, não será dessa camisa que falaremos hoje. Vou falar de uma camisa muito especial do Flamengo, que todos os torcedores rubro-negros lembram-se com carinho: a camisa rubro-negra de 2000/2001.


Comprei esta camisa numa feira de antiguidades que tem todo sábado na Praça XV, por míseros 20 reais. A mulher que me vendeu com certeza não tem noção do valor real dessa camisa. Se hoje os rubro-negros vivem a euforia da volta da Adidas ao clube, lá no meio do ano 2000 os flamenguistas se orgulhavam de ser o primeiro clube brasileiro a vestir Nike, que aqui no Brasil só fornecia uniformes para a Seleção Brasileira. A americana Nike estava substituindo a Umbro, tradicional marca inglesa que fez os uniformes do Fla de 1992 até então, e ficaria na Gávea até o meio de 2009.

O Flamengo estreou a indumentária nova na Copa João Havelange, o confuso Campeonato Brasileiro de 2000, em que o arquirrival Vasco da Gama sagrou-se campeão. O primeiro jogo do Fla com este uniforme foi no Maracanã contra o Grêmio, que na época tinha um jovem chamado Ronaldo de Assis Moreira em seu elenco, também conhecido com Ronaldinho Gaúcho. Vitória de 3x0 do time rubro-negro, que em 2000 investiu pesado e contratou nomes como Petkovic, Gamarra, Alex, Denílson, Edílson Capetinha... além de pratas-da-casa como Adriano Imperador, Juan (o zagueiro, hoje no Inter) e o goleirão Júlio Cesar, que ganhavam lugar naquela equipe. Era a época do presidente Edmundo Santos Silva, da parceria com a suíça ISL, que faliria no ano seguinte e levaria o time do Flamengo a uma de suas várias crises.


Mas, mesmo com um esquadrão no papel, o Flamengo fracassou feio na João Havelange. Não conseguiu classificar-se para a fase de mata-mata, numa época em que 12 times passavam para a fase posterior, muito pouco para a equipe que foi montada. Mesmo assim, houveram jogos inesquecíveis naquele campeonato, como a "carimbada de faixa" no Vasco, uma goleada de 4x0 com 2 gols de Edílson, um de Petkovic de falta (familiar, não?) e outro do jovem Adriano de 18 anos. E contra um Corinthians que teve nove derrotas seguidas no campeonato, após começar o ano ganhando um Mundial de Clubes, o primeiro organizado pela FIFA, o Flamengo passeou em pleno Pacaembu, goleando o Timão por 4x1, 3 gols do Alex. Os vídeos dos dois jogos estão abaixo:


Mas o Flamengo não disputou só o Brasileirão no fim de 2000. Estava defendendo o título de Campeão da Copa Mercosul, título que havia conquistado no ano anterior. Passou em 2o lugar num grupo com o River Plate de Saviola e Aimar, o Vélez Sarsfield e um carrasco dos anos recentes, a Universidad de Chile. Destaca-se a goleada de 4x0 que o Flamengo aplicou na "La U" em pleno Estádio Nacional de Santiago, uma partidaça do goleiro Julio Cesar, que ajudou a manter o placar favorável apenas ao Mengo. Outros tempos.


Classificado para as quartas de final, o Flamengo enfrentou o River Plate novamente. Perdeu no Maracanã por 2x1 e quase reverteu o placar em Buenos Aires, num jogo repleto de viradas. Estava ganhando de 3x2 até os minutos finais, quando "Los Millonários" acharam 2 gols e evitaram a disputa de pênaltis. Terminou 4x3 e o Flamengo se despediu daquela Copa Mercosul, que seria ganha pelo Vasco, numa partida memorável para todos os amantes de futebol, a famosa virada de 3x0 para 4x3 sobre o forte Palmeiras no Palestra Itália (Allianz Parque é o cacete).


Chegou 2001, Alex e Denílson se despediram do Flamengo, salários começavam a atrasar, e o Cariocão começou. Junto com ele, a Copa do Brasil, já que o Fla não tinha conseguido vaga para a Libertadores. Era chegada a hora de disputar o quarto Tricampeonato Estadual, após vencer em 1999 e 2000 duas finais sobre o Vasco. Mas antes disso houve o Torneio Rio-São Paulo, e o Flamengo, usando um uniforme III vermelho, fracassou lamentavelmente, com 4 derrotas em 4 jogos.





Na Taça Guanabara, 1o turno do Carioca, o Flamengo venceu 5 jogos e perdeu apenas 1, classificando-se para a semifinal contra o Vasco, que vinha de vários títulos importantes do ano anterior. Vitória rubro-negra por 2x1 e então final contra o rival Fluminense, que se recuperava do trauma do tri-rebaixamento do final dos anos 90, tendo feito uma ótima campanha na Copa João Havelange. O jogo terminou 1x1 e foi para os pênaltis, onde ocorreu uma das coisas que só existem no futebol: na hora da cobrança do jogador Cássio do Flamengo, o goleiro tricolor Murilo conseguiu espalmar a bola para a frente, porém, a bola foi levemente indo para trás até entrar de mansinho no gol, que foi validado. Final: 5x3 nas penalidades pro Flamengo, título da Taça Guanabara e classificação para a final


Na Taça Rio, disputada nos pontos corridos, o Flamengo, já classificado, fez uma campanha razoável, mas ficou atrás do Vasco, campeão do 2o turno. Aliás, um dos destaques vascaínos daquela campanha foi a sonora goleada de 7x0 em cima do Botafogo. E, além disso, o time cruzmaltino seguia bem na Taça Libertadores.

Enquanto a finalíssima do Cariocão não chegava, o Flamengo ia eliminando seus concorrentes na Copa do Brasil. River do Piauí, ABC de Natal, Juventude-RS, até chegar no Coritiba. Os dois jogos contra o Coxa seriam intercalados com os dois jogos da final do Carioca, onde o Vasco da Gama possuía a vantagem do empate na soma dos resultados por ter feito melhor campanha geral

Em Curitiba então, vitória do time do Alto da Glória por 3x2, na quarta. No domingo era hora de encarar o Vasco no 1o jogo, num Maracanã lotado. Pela primeira vez naquelas 3 finais, o Flamengo tinha um time que podia entrar como favorito contra o Vasco, mas a vantagem do empate vascaíno deixava as apostas em aberto.

No 1o jogo, o Flamengo saiu na frente no placar, mas o Vasco, o "Time da Virada", conseguiu reverter, sendo que o segundo gol foi do Viola, mais um atacante consagrado daquele time que também tinha o eterno Romário (Edmundo havia ido para o Cruzeiro), que não jogou a final pois estava lesionado. Agora, o favoritismo era todo do Vasco, que podia até perder por 1 gol de diferença e sair campeão, evitando o Tri do rival.

No meio de semana, outro péssimo resultado. O empate no Maracanã contra o Coritiba eliminava o time da Copa do Brasil. Não tinha jeito, para salvar o primeiro semestre de 2001, um milagre havia de ocorrer no domingo, 27 de Maio de 2001. O Flamengo teria que arranjar 2 gols de diferença contra o Vasco.

Ao contrário do esperado, o Maracanã estava predominantemente rubro-negro. A torcida do Vasco também veio em peso, porém os flamenguistas estavam em maior número. Parecia até que era o Flamengo que estava com a vantagem.

E o tal milagre parecia real. O Flamengo começou o jogo apertando o forte time do Vasco e chegou ao gol aos 21 do 1o tempo, num pênalti cobrado por Edílson. A torcida rubro-negra cresceu, era só fazer mais um, mas Juninho Paulista, ainda não afetado pelas lesões que abreviariam sua carreira, empatou o jogo aos 40 do 1o tempo, numa jogada rápida de contra-ataque. Vasco com uma mão e meia na taça e fim de 1o tempo.

O milagre teria que ser maior. E logo aos 8 do 2o tempo, ele se anunciava novamente. Petkovic entra pela esquerda, finta a zaga do Vasco e cruza na cabeça de Edílson. Gol do Capetinha, 2x1 Flamengo. E então, milhares de gols perdidos se seguiriam, tanto pela parte do Flamengo, tanto pela parte do Vasco, que era puxado pelo "filho do vento" Euller. O goleiro Julio César, mesmo com seus 21 anos, já mostrava porquê se tornaria titular da Seleção Brasileira no futuro: fez defesas milagrosas e foi extremamente seguro.

O jogo chegava aos 40 minutos. A torcida do Vasco já cantava "Vice é o c...", em resposta às provocações de vice-campeão vindas do lado rubro-negro das bancadas. Joel Santana, técnico do Vasco na época, era expert em finais de Carioca, e sabia muito bem recuar o time nestes momentos. Zagallo, técnico do Flamengo, segurava seu Santo Antônio na mão e esperava por um milagre. E aos 43 minutos do 1o tempo, Edílson é derrubado numa falta infantil, um pouco afastado da entrada da área.

Dejan Petkovic estreou no início de 2000 pelo Flamengo, já havia enfrentado o Vasco vestido com a camisa do Flamengo, já havia feito um gol de falta nos rivais no ano anterior e até mesmo um gol olímpico. Se Petkovic fizer aquele gol, todos os outros serão praticamente esquecidos. Ainda haveria tempo para o Vasco reagir, mas certamente o time deles ficaria abatido. Mas a falta era um pouco longe, mais longe que aquela do 4x0 de 2000. E Pet cobrou, a bola fez uma curva, Helton (hoje no Porto) se esticou todo... mas não evitou.


Gol do Flamengo. O milagre aconteceu. Petkovic correu para a torcida e, emocionado, jogou-se no chão, onde foi abraçado por todos os seus companheiros de equipe, incluindo o banco de reservas. Ainda havia jogo, mas o Vasco não conseguia criar mais nada. O Flamengo ainda teve a chance de um 4o gol, mas Roma, um promissor jogador da base do Flamengo que entrara no jogo (e que sumiu), desperdiçou a chance. Não importava. O Flamengo conquistava o Tricampeonato Carioca. E o Vasco, mesmo com um time que ganhou quase tudo, era vice pela terceira vez seguida. E ainda seria eliminado da Libertadores pelo Boca Juniors de Carlos Bianchi na semana seguinte.









Naquela época, havia um torneio em Julho chamado Copa dos Campeões. O Flamengo ganharia do São Paulo (que entrou como campeão do Torneio RJ-SP) e se sagraria campeão novamente, mas aí já usava uma camisa nova, com algumas diferenças em relação a primeira feita pela Nike, com duas estrelas a mais (a estrela do tetra-tri + a estrela dourada do Mundial de 81), e que seria utilizada até 2004.

Essa foi a primeira história contada pelo Blog. Como vocês viram, cada camisa tem sua história. Histórias bonitas ou feias, não importa. Sejam bem-vindos à Mantoteca.

Curiosidade: foto do Jornal do Brasil da apresentação dos uniformes de 2000 da Nike:
Jogo completo da final do Carioca 2001: