Mostrando postagens com marcador Nike. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nike. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

POST DE HONRA DUPLO - França e Croácia, rumo ao Brasil! (PARTE 1)

Olá rapaziada...

O Blog tá bem parado. A vida nova no exterior também tem ajudado para que meu foco tenha se desviado em coisas mais importantes. Mesmo assim, não pretendo deixar a Mantoteca parada até porque ela só tá aumentando de tamanho, mais camisas guardadas, mais camisas vendidas, mais camisas compradas.

E se lá no começo de Setembro (data do último post) ainda não se conhecia muitas das Seleções que irão ao Brasil em 2014 para a próxima Copa do Mundo, hoje já temos o nome de todos os países que estarão no Mundial do ano que vem.

Nessa semana foram disputados os últimos jogos das repescagens. Destaque para as repescagens europeias, onde tivemos triunfos de seleções como Portugal e Grécia em cima de Suécia e Romênia, consecutivamente.

Mas por ora não tenho a indumentária da Seleção Lusa e nem dos gregos. Por isso, os homenageados serão os outros classificados da repescagem, a França e a Croácia! Admito que, pelo bem da alternatividade futebolística, torci pra Islândia aprontar pra cima dos croatas, mas não deu... enfim, se não teremos tantos times alternativos, 2014 promete um alto nível de torneio, mas isso é outra história.

Começaremos então a falar da França. E o uniforme escolhido é exatamente o que esteve nesta vitória importante contra a Ucrânia que carimbou o passaporte dos franceses para o Brasil. O uniforme titular de 2012/2013, um dos favoritos da minha coleção:






A Adidas forneceu por décadas o uniforme da Seleção Francesa. Aquela camisa de 1998, com uma listra horizontal vermelha no peito e 3 listras brancas finas horizontais abaixo, sempre nos remeterá Zinedine Zidane e o inesquecível 3x0 que os franceses aplicaram na nossa Seleção Brasileira. Mas, em 2010, a americana Nike fez uma proposta de contrato melhor que a dos alemães e acertou um contrato de fornecimento para os "Bleus" (azuis).



Acima, a França usando seu último uniforme da Adidas na Copa de 2010, onde fez uma participação medíocre e caiu ainda na 1a fase. O contrato com a Nike começaria a valer a partir de 2011. E o mundo inteiro estava curioso para saber como seria ver, depois de tanto tempo, uma camisa francesa sem as 3 listras nos ombros.


Então, em Fevereiro de 2011, o mistério acabou. A Nike lançou uma camisa simples, porém muito bela para os franceses, indo na contramão da Adidas, que nos anos anteriores lançou algumas camisas até extravagantes. A estreia foi contra o Brasil, que também estreava um uniforme novo (o da "barra de download" no peito), a França ganhou por 1x0 em Paris da polêmica Seleção de Mano Menezes.

Se a camisa titular foi uma surpresa, a reserva, na minha opinião, foi mais surpreendente ainda. Com um desenho fora do usual para uniformes de futebol, lembrando muito uma camisa casual, o uniforme 2 da França foi revelado. Baseado nas camisas antigas que os marinheiros franceses usavam, essa nova camisa alternativa francesa também foi um sucesso. Essa camisa da França é uma que está bem guardada na Mantoteca, e abaixo podem ver uma foto dela:


Há alguns anos atrás, era comum ver as seleções usando o mesmo uniforme por dois ou três anos. Mas desde o começo da década, muitos times nacionais começaram a trocar de camisa anualmente. A própria Seleção Brasileira é um exemplo, desde 2010 vem usando um uniforme diferente a cada ano que passa. Os dois primeiros uniformes da Nike para a França também só duraram um ano. Com a classificação da França para a Euro 2012, que foi disputada conjuntamente na Polônia e na Ucrânia, a Nike aproveitou e lançou novos uniformes.


O uniforme azul dessa vez já era mais detalhado que o anterior. Com as listras horizontais que remetiam à camisa reserva passada, ele ganhou dois tons de azul e detalhes em dourado no escudo. A gola também sofreu pequenas modificações. Mas o que desagradou mesmo foi o fato de que a camisa só seria usada com calção e meião azuis. A França sempre foi conhecida por usar a camisa azul, com os shorts brancos e as meias vermelhas, formando um kit tricolor com as cores do país. Mas, seguindo uma tendência monocromática que infelizmente vem ficando mais forte, os "Bleus" jogariam todos de azul na Euro.


A nova camisa branca ficou mais simples que a anterior, porém, não deixou a elegância de lado.


E vestindo estes dois uniformes mostrados acima, começava uma caminhada que atravessaria uma Eurocopa e chegaria até a classificação para a Copa de 2014. A camisa branca estreou antes, numa boa vitória sobre a Alemanha no território adversário por 2x1. E a nova camisa azul estrearia no amistoso seguinte, já em casa, contra a Islândia.



Antes da Euro começar, ainda restavam dois amistosos, contra a Sérvia e a Estônia, todos em território francês. Mais duas vitórias, completando uma boa série de 4 triunfos seguidos. Abaixo, vídeo do jogo contra os sérvios.


No dia 11 de Junho, a França estrearia na Euro enfrentando logo de cara um rival histórico: a Inglaterra. Porém, ao contrário da expectativa de muitos, o jogo foi um morno 1x1, embora os franceses tenham criado mais oportunidades


O próximo adversário da França, embora não tivesse a tradição dos ingleses, não poderia ser considerado fácil. Afinal, a Ucrânia estava jogando em casa, e Shevchenko mesmo no fim de carreira ainda representava perigo, tendo inclusive marcado 2 gols no 1o jogo da competição, contra a Suécia. Mesmo contra os donos do pedaço, os franceses não se intimidaram, e ganharam de 2x0, gols de Ménez e Cabaye.


No outro jogo, a Inglaterra ganhou da Suécia por 3x2, empatando com a França no número de pontos (4), e eliminando o time escandinavo da competição. A Ucrânia estava atrás, com 3 pontos. O jogo contra a Suécia prometia ser fácil pela situação que se esboçava. Mas não foi bem assim, Ibrahimovic resolveu desencantar e marcou dois gols, e a França perdeu por 2x0. Por sorte, a classificação já estava garantida. Enquanto isso, a Inglaterra tirava a Ucrânia da competição: 1x0.


A França estava nas quartas-de-final da Euro, perseguindo o Tricampeonato na competição (foi campeã em 1984 e em 2000) e tentando de vez se livrar da fase ruim que veio depois do Vice Mundial de 2006 (e da aposentadoria do ídolo Zidane). A missão não seria fácil, visto que do outro lado do campo estava a atual campeã europeia e campeã mundial: a Espanha.

Numa partida extremamente dominada pelo tiki-taka espanhol, impedindo a França de uma maior posse de bola, os espanhóis vingavam-se da eliminação para os franceses nas oitavas da Copa de 2006 ganhando por 2x0, dois gols de Xabi Alonso, sendo que o segundo gol já foi depois dos 45 minutos do 2o tempo. A França até teve chances de empatar, mas acabou sendo cansada pela tática adversária da posse de bola.



França eliminada da Euro. E o tricampeonato europeu foi para a Espanha, que derrubaria Portugal e Itália para ganhar a Europa pela 3a vez, sendo o 2o título europeu consecutivo, feito inédito na história da Eurocopa. Agora, restava entrar de cabeça nas Eliminatórias para a Copa de 2014, onde um de seus adversários seria nada mais, nada menos, do que a mesma Espanha que os tirou da Euro.

Antes de começar o caminho para o Brasil, a França duelou contra o Uruguai, que acabara de vencer a Copa América, depois de um jejum de 16 anos. O jogo em Le Havre terminou 0x0.

Chegou Setembro, e a França pegou o avião para Helsinque. O primeiro jogo do seu grupo das Eliminatórias foi contra a Finlândia. 1x0 para os franceses, gol de Diaby. Num grupo junto com a Espanha que papava todos os títulos que disputava, só mesmo vencendo o máximo possível para evitar o risco de repescagem.



 Ainda em Setembro, mais um triunfo francês, sobre a seleção da Bielorrússia. 3x1, gols de Capoue, Jallet e de Franck Ribéry.


Em Outubro, o duelo tão esperado: França X Espanha, apenas 4 meses depois do jogo da Euro. Mas antes disso, um amistoso nada agradável: derrota para o Japão em pleno Stade de France.




Depois da ducha de água fria, era hora de preparar-se para enfrentar a Espanha novamente. Jogando em território espanhol, os donos da casa abriram o placar com Sérgio Ramos, aos 25 do 1o tempo. Porém, aos 49 do 2o tempo, Giroud arranca um importante empate para os franceses. A briga para a vaga direta na Copa estava acirrada.


Os jogos das Eliminatórias agora só voltariam a ser disputados em 2013. Enquanto isso, ainda havia tempo para jogar o último amistoso do ano, contra a vice-campeã europeia Itália. Jogando em Parma, o confronto que reeditava a final da Copa de 2006 terminou desta vez à favor da França. 2x1 para os franceses.


Entrava o presente ano de 2013. Um novo amistoso contra a Alemanha seria realizado em Fevereiro. Só que dessa vez a vitória foi alemã, 2x1. Vingança da derrota no amistoso do ano anterior.


Mas o que realmente interessava eram as Eliminatórias, em Março. A França lançava um terceiro uniforme, azul-claro, diferente do azul mais escuro do uniforme tradicional. Outro belo uniforme da Nike. A estreia da nova camisa deu sorte: vitória de 3x1 sobre a Geórgia em casa com gols de Valbuena, Giroud e Ribéry. A França terminava o 1o turno de seu grupo na liderança, graças a um empate da Espanha com a Finlândia.



Três dias depois, começava o returno. E logo contra a Espanha, em casa. Uma vitória praticamente definiria a classificação direta para a Copa de 2014. Uma excelente oportunidade. Porém, mesmo tendo criado boas chances, a França não conseguiu superar mais uma vez o estilo tiki-taka espanhol e perdeu por 1x0, gol de Pedro. A situação começava a ficar difícil.



As Eliminatórias só voltariam em Setembro. Então era hora de amistosos para deixar o time mais preparado. E a França viajou até a América do Sul. Enfrentou o Uruguai, que estava numa situação complicada nas Eliminatórias Sul-Americanas. Vitória da Celeste Olímpica por 1x0 em Montevidéu


As duas derrotas traziam questionamentos sobre a qualidade da Seleção Francesa. Mesmo com bons jogadores como Franck Ribéry, que estava em ótima fase no seu clube, o Bayern de Munique, além de nomes como Valbuena, Benzema, Giroud e tantos outros, o medo de um vexame maior que o da eliminação na fase de grupos da Copa de 2010 começava a pairar em cima da cabeça dos franceses. Aliás, a França só entrou na Copa da África do Sul por causa de um erro de arbitragem que validou um gol irregular onde a bola tocou na mão de Thierry Henry, hoje em fim de carreira nos Estados Unidos. Não seria surpresa se esse time francês ficasse de fora de sua primeira Copa depois de 20 anos.

O próximo adversário dava uma leve ponta de esperança para os franceses. Afinal, o Brasil não vencia a França desde 1992. E desde então vieram empates e vitórias históricas francesas, como a final de 1998 e as quartas de 2006. E a Seleção Brasileira estava desacreditada, mesmo na véspera da Copa das Confederações. Mas como futebol se decide em campo, naquele dia em Porto Alegre, vitória brasileira por 3x0 (e ainda cabia mais gols). O Brasil ainda ganharia a Copa das Confederações, resgatando a confiança de seu torcedor. Enquanto a França só atraía mais desconfiança, e com razão.


Em Agosto, a França enfrentava uma das grandes sensações europeias do momento, a Bélgica. Conseguiu segurar um empate em 0x0 jogando em Bruxelas. Mas o que importava viria no mês seguinte, um jogo teoricamente fácil, contra a Geórgia fora. Para se manter viva na luta por uma vaga direta na Copa, era necessário vencer esse jogo. E, para a tristeza dos franceses, um empate broxante por 0x0 foi o placar final naquele dia em Tblisi.


A Espanha ganhou da Finlândia e com isso isolava-se na liderança do grupo, praticamente tirando todas as chances da França conseguir a vaga direta. A vitória contra Belarus, por 4x2, em Minsk, foi essencial para que os franceses garantissem pelo menos a vaga na repescagem.


Antes do último jogo da fase de grupos das Eliminatórias, a França jogou um amistoso contra a Austrália, que já estava confirmada na Copa através das Eliminatórias Asiáticas. Um passeio: 6x0.


Enfim, chegava o último jogo. A Espanha já estava classificada para a Copa, mas mesmo assim ganhou o seu compromisso contra a Geórgia. Já com a cabeça na repescagem, a França venceu facilmente a Finlândia, que já não brigava por mais nada. 3x0


Dependendo do sorteio das partidas da repescagem, a França poderia ter trabalho, já que poderia enfrentar times como Portugal. A Ucrânia foi recebida com um pouco de alívio, afinal o time ucraniano já não era tão forte como em 2012. Mas no primeiro jogo a Seleção Francesa voltou a assustar seu torcedor, e a Ucrânia ganhou de 2x0 em Kiev com facilidade espantosa. Seria a vingança pela Euro 2012?


Visto a facilidade com que a Ucrânia venceu a França, muitos já começaram a descartar a vinda dos "Bleus" para o Brasil. Reverter 2x0 não seria fácil, e mesmo jogando em casa esse time da França não era confiável. Talvez por uma questão de peso de camisa, talvez por vergonha na cara dos jogadores, a França foi muito superior à Ucrânia no jogo de volta, em Paris. Conseguiu reverter o resultado, fazendo 3x0. E se levasse um gol, estaria fora, já que há o critério do gol marcado fora de casa. Muitos fatores construiram essa vitória importante: a atitude dos jogadores franceses, que pressionaram o jogo todo; a apatia do time ucraniano, que visivelmente entrou de salto alto; e, como em 2010, a arbitragem, que validou o 2o gol francês que foi em posição de impedimento e expulsou (justamente) um jogador da Ucrânia. A França, enfim, estava na Copa de novo!


Esse jogo foi a última vez que a França usou o uniforme azul lançado no princípio de 2012. No mesmo dia da partida, já foi revelado qual vai ser a nova camisa que os franceses utilizarão em solo brasileiro, pelo visto, mais um ótimo trabalho da Nike (provavelmente mais um uniforme da França para a Mantoteca).





E por ora é só. O post homenageando a Croácia virá na parte 2 e contará um pouco mais sobre campanha croata na Euro 2008 e a tentativa frustrada de se classificar para a Copa de 2010.
Até lá!



sábado, 20 de julho de 2013

Inaugurando o blog - Flamengo 2000/01

Cada camisa de futebol conta uma história.

Impossível ver uma camisa amarela com gola careca verde e punhos da mesma cor e não vir à mente a letra de "Pra Frente Brasil" na mente, junto com todas as outras recordações da Seleção Brasileira de 1970, de Carlos Alberto Torres erguendo a Jules Rimet no Estádio Asteca abarrotado de gente, do Rei do Futebol, Pelé, quando falava com suas jogadas espetaculares (pq ele falando com a boca é um poeta, como diz Romário), de Jairzinho, Gérson... Salve aquela Seleção!

E aquela camisa de tecido sintético de 1994, com marcas d'água do escudo da CBF de gosto duvidoso? Para muitos, tal pedaço de pano sempre trará a lembrança vívida dos gritos de "É TETRA" do Galvão Bueno, depois que Roberto Baggio cobrou o pênalti mais lembrado de todos os tempos. Também evoca Romário e Bebeto aterrorizando as zagas adversárias e um tempo em que o futebol brasileiro, condenado ao ostracismo, deu a volta por cima e mostrou quem manda no planeta bola.

Pois é esse o principal objetivo deste blog. Como uma biblioteca e seus livros, aqui nesta verdadeira "Mantoteca", você poderá ver as melhores histórias sobre futebol, contada pelos uniformes que marcaram época. Dá para contar a história de um jogo épico, de um campeonato inesquecível, dá até para contar a história de um PAÍS falando de uma camisa de futebol!

E hoje, vou começar pelo meu time do coração e o principal motivo de ter uma coleção de camisas: o Clube de Regatas do Flamengo.

Talvez a camisa do clube fundado em 1895 fundado por 6 jovens remadores, e que chegou ao futebol no ano de 1912, seja a camisa reserva branca de 1981. Foi com ela que o time mais forte do clube rubro-negro conquistou seu título mais importante: o Mundial de Clubes após aplicar um acachapante 3x0 no Liverpool de Bob Paisley (também era o time mais forte da história dos Reds, mas aí é outra história), com o time comandado por Zico. Tal camisa fez tanto sucesso que foi reeditada várias vezes na história do Flamengo, sendo a última no ano de 2011, quando o título completou 30 anos.



Porém, não será dessa camisa que falaremos hoje. Vou falar de uma camisa muito especial do Flamengo, que todos os torcedores rubro-negros lembram-se com carinho: a camisa rubro-negra de 2000/2001.


Comprei esta camisa numa feira de antiguidades que tem todo sábado na Praça XV, por míseros 20 reais. A mulher que me vendeu com certeza não tem noção do valor real dessa camisa. Se hoje os rubro-negros vivem a euforia da volta da Adidas ao clube, lá no meio do ano 2000 os flamenguistas se orgulhavam de ser o primeiro clube brasileiro a vestir Nike, que aqui no Brasil só fornecia uniformes para a Seleção Brasileira. A americana Nike estava substituindo a Umbro, tradicional marca inglesa que fez os uniformes do Fla de 1992 até então, e ficaria na Gávea até o meio de 2009.

O Flamengo estreou a indumentária nova na Copa João Havelange, o confuso Campeonato Brasileiro de 2000, em que o arquirrival Vasco da Gama sagrou-se campeão. O primeiro jogo do Fla com este uniforme foi no Maracanã contra o Grêmio, que na época tinha um jovem chamado Ronaldo de Assis Moreira em seu elenco, também conhecido com Ronaldinho Gaúcho. Vitória de 3x0 do time rubro-negro, que em 2000 investiu pesado e contratou nomes como Petkovic, Gamarra, Alex, Denílson, Edílson Capetinha... além de pratas-da-casa como Adriano Imperador, Juan (o zagueiro, hoje no Inter) e o goleirão Júlio Cesar, que ganhavam lugar naquela equipe. Era a época do presidente Edmundo Santos Silva, da parceria com a suíça ISL, que faliria no ano seguinte e levaria o time do Flamengo a uma de suas várias crises.


Mas, mesmo com um esquadrão no papel, o Flamengo fracassou feio na João Havelange. Não conseguiu classificar-se para a fase de mata-mata, numa época em que 12 times passavam para a fase posterior, muito pouco para a equipe que foi montada. Mesmo assim, houveram jogos inesquecíveis naquele campeonato, como a "carimbada de faixa" no Vasco, uma goleada de 4x0 com 2 gols de Edílson, um de Petkovic de falta (familiar, não?) e outro do jovem Adriano de 18 anos. E contra um Corinthians que teve nove derrotas seguidas no campeonato, após começar o ano ganhando um Mundial de Clubes, o primeiro organizado pela FIFA, o Flamengo passeou em pleno Pacaembu, goleando o Timão por 4x1, 3 gols do Alex. Os vídeos dos dois jogos estão abaixo:


Mas o Flamengo não disputou só o Brasileirão no fim de 2000. Estava defendendo o título de Campeão da Copa Mercosul, título que havia conquistado no ano anterior. Passou em 2o lugar num grupo com o River Plate de Saviola e Aimar, o Vélez Sarsfield e um carrasco dos anos recentes, a Universidad de Chile. Destaca-se a goleada de 4x0 que o Flamengo aplicou na "La U" em pleno Estádio Nacional de Santiago, uma partidaça do goleiro Julio Cesar, que ajudou a manter o placar favorável apenas ao Mengo. Outros tempos.


Classificado para as quartas de final, o Flamengo enfrentou o River Plate novamente. Perdeu no Maracanã por 2x1 e quase reverteu o placar em Buenos Aires, num jogo repleto de viradas. Estava ganhando de 3x2 até os minutos finais, quando "Los Millonários" acharam 2 gols e evitaram a disputa de pênaltis. Terminou 4x3 e o Flamengo se despediu daquela Copa Mercosul, que seria ganha pelo Vasco, numa partida memorável para todos os amantes de futebol, a famosa virada de 3x0 para 4x3 sobre o forte Palmeiras no Palestra Itália (Allianz Parque é o cacete).


Chegou 2001, Alex e Denílson se despediram do Flamengo, salários começavam a atrasar, e o Cariocão começou. Junto com ele, a Copa do Brasil, já que o Fla não tinha conseguido vaga para a Libertadores. Era chegada a hora de disputar o quarto Tricampeonato Estadual, após vencer em 1999 e 2000 duas finais sobre o Vasco. Mas antes disso houve o Torneio Rio-São Paulo, e o Flamengo, usando um uniforme III vermelho, fracassou lamentavelmente, com 4 derrotas em 4 jogos.





Na Taça Guanabara, 1o turno do Carioca, o Flamengo venceu 5 jogos e perdeu apenas 1, classificando-se para a semifinal contra o Vasco, que vinha de vários títulos importantes do ano anterior. Vitória rubro-negra por 2x1 e então final contra o rival Fluminense, que se recuperava do trauma do tri-rebaixamento do final dos anos 90, tendo feito uma ótima campanha na Copa João Havelange. O jogo terminou 1x1 e foi para os pênaltis, onde ocorreu uma das coisas que só existem no futebol: na hora da cobrança do jogador Cássio do Flamengo, o goleiro tricolor Murilo conseguiu espalmar a bola para a frente, porém, a bola foi levemente indo para trás até entrar de mansinho no gol, que foi validado. Final: 5x3 nas penalidades pro Flamengo, título da Taça Guanabara e classificação para a final


Na Taça Rio, disputada nos pontos corridos, o Flamengo, já classificado, fez uma campanha razoável, mas ficou atrás do Vasco, campeão do 2o turno. Aliás, um dos destaques vascaínos daquela campanha foi a sonora goleada de 7x0 em cima do Botafogo. E, além disso, o time cruzmaltino seguia bem na Taça Libertadores.

Enquanto a finalíssima do Cariocão não chegava, o Flamengo ia eliminando seus concorrentes na Copa do Brasil. River do Piauí, ABC de Natal, Juventude-RS, até chegar no Coritiba. Os dois jogos contra o Coxa seriam intercalados com os dois jogos da final do Carioca, onde o Vasco da Gama possuía a vantagem do empate na soma dos resultados por ter feito melhor campanha geral

Em Curitiba então, vitória do time do Alto da Glória por 3x2, na quarta. No domingo era hora de encarar o Vasco no 1o jogo, num Maracanã lotado. Pela primeira vez naquelas 3 finais, o Flamengo tinha um time que podia entrar como favorito contra o Vasco, mas a vantagem do empate vascaíno deixava as apostas em aberto.

No 1o jogo, o Flamengo saiu na frente no placar, mas o Vasco, o "Time da Virada", conseguiu reverter, sendo que o segundo gol foi do Viola, mais um atacante consagrado daquele time que também tinha o eterno Romário (Edmundo havia ido para o Cruzeiro), que não jogou a final pois estava lesionado. Agora, o favoritismo era todo do Vasco, que podia até perder por 1 gol de diferença e sair campeão, evitando o Tri do rival.

No meio de semana, outro péssimo resultado. O empate no Maracanã contra o Coritiba eliminava o time da Copa do Brasil. Não tinha jeito, para salvar o primeiro semestre de 2001, um milagre havia de ocorrer no domingo, 27 de Maio de 2001. O Flamengo teria que arranjar 2 gols de diferença contra o Vasco.

Ao contrário do esperado, o Maracanã estava predominantemente rubro-negro. A torcida do Vasco também veio em peso, porém os flamenguistas estavam em maior número. Parecia até que era o Flamengo que estava com a vantagem.

E o tal milagre parecia real. O Flamengo começou o jogo apertando o forte time do Vasco e chegou ao gol aos 21 do 1o tempo, num pênalti cobrado por Edílson. A torcida rubro-negra cresceu, era só fazer mais um, mas Juninho Paulista, ainda não afetado pelas lesões que abreviariam sua carreira, empatou o jogo aos 40 do 1o tempo, numa jogada rápida de contra-ataque. Vasco com uma mão e meia na taça e fim de 1o tempo.

O milagre teria que ser maior. E logo aos 8 do 2o tempo, ele se anunciava novamente. Petkovic entra pela esquerda, finta a zaga do Vasco e cruza na cabeça de Edílson. Gol do Capetinha, 2x1 Flamengo. E então, milhares de gols perdidos se seguiriam, tanto pela parte do Flamengo, tanto pela parte do Vasco, que era puxado pelo "filho do vento" Euller. O goleiro Julio César, mesmo com seus 21 anos, já mostrava porquê se tornaria titular da Seleção Brasileira no futuro: fez defesas milagrosas e foi extremamente seguro.

O jogo chegava aos 40 minutos. A torcida do Vasco já cantava "Vice é o c...", em resposta às provocações de vice-campeão vindas do lado rubro-negro das bancadas. Joel Santana, técnico do Vasco na época, era expert em finais de Carioca, e sabia muito bem recuar o time nestes momentos. Zagallo, técnico do Flamengo, segurava seu Santo Antônio na mão e esperava por um milagre. E aos 43 minutos do 1o tempo, Edílson é derrubado numa falta infantil, um pouco afastado da entrada da área.

Dejan Petkovic estreou no início de 2000 pelo Flamengo, já havia enfrentado o Vasco vestido com a camisa do Flamengo, já havia feito um gol de falta nos rivais no ano anterior e até mesmo um gol olímpico. Se Petkovic fizer aquele gol, todos os outros serão praticamente esquecidos. Ainda haveria tempo para o Vasco reagir, mas certamente o time deles ficaria abatido. Mas a falta era um pouco longe, mais longe que aquela do 4x0 de 2000. E Pet cobrou, a bola fez uma curva, Helton (hoje no Porto) se esticou todo... mas não evitou.


Gol do Flamengo. O milagre aconteceu. Petkovic correu para a torcida e, emocionado, jogou-se no chão, onde foi abraçado por todos os seus companheiros de equipe, incluindo o banco de reservas. Ainda havia jogo, mas o Vasco não conseguia criar mais nada. O Flamengo ainda teve a chance de um 4o gol, mas Roma, um promissor jogador da base do Flamengo que entrara no jogo (e que sumiu), desperdiçou a chance. Não importava. O Flamengo conquistava o Tricampeonato Carioca. E o Vasco, mesmo com um time que ganhou quase tudo, era vice pela terceira vez seguida. E ainda seria eliminado da Libertadores pelo Boca Juniors de Carlos Bianchi na semana seguinte.









Naquela época, havia um torneio em Julho chamado Copa dos Campeões. O Flamengo ganharia do São Paulo (que entrou como campeão do Torneio RJ-SP) e se sagraria campeão novamente, mas aí já usava uma camisa nova, com algumas diferenças em relação a primeira feita pela Nike, com duas estrelas a mais (a estrela do tetra-tri + a estrela dourada do Mundial de 81), e que seria utilizada até 2004.

Essa foi a primeira história contada pelo Blog. Como vocês viram, cada camisa tem sua história. Histórias bonitas ou feias, não importa. Sejam bem-vindos à Mantoteca.

Curiosidade: foto do Jornal do Brasil da apresentação dos uniformes de 2000 da Nike:
Jogo completo da final do Carioca 2001: