quarta-feira, 5 de março de 2014

[Série Copa do Mundo 2014] Chile 2010 - A velha sina de figurante

Como prometido, trago aqui hoje a continuação da Série Copa do Mundo 2014, onde falarei da 3a seleção do Grupo B, o Chile. Eterno figurante em Copas, o time do país com maior IDH da América do Sul conseguiu o seu melhor desempenho em 1962, quando terminou em 3o lugar na Copa que foi sediada justamente em território chileno. Fora isso, não guarda muitos momentos memoráveis no certame mundial. Até hoje a "Roja" não tem sequer uma Copa América na sua sala de troféus.

Na Mantoteca, guardo uma camisa do Chile bem interessante. Consegui-a após trocar uma camisa do Atlético Paranaense com um chileno em Santiago, no final de 2012. A camisa era da temporada anterior, mas mesmo assim estava intacta. Se hoje é a alemã Puma que fornece o time chileno, de 2003 até 2010 uma fornecedora local chamada Brooks foi a responsável por confeccionar a camisa da seleção nacional. E mesmo sendo pouco conhecida fora de suas fronteiras, a marca confeccionou um uniforme bonito e de boa qualidade para a disputa do Mundial de 2010 na África do Sul. É o exemplar que tenho aqui.


A camisa tem uns detalhes bem interessantes, como os detalhes em cor de cobre, mineral abundante no país (e que é a razão do nome de times chilenos conhecidos como Cobreloa e Cobresal). Na parte interna da gola dá para ler a frase "Con el fútbol todos ganamos".



O Chile caiu num grupo complicado na Copa de 2010. Afinal, a Espanha era Campeã da Euro de 2 anos antes e tinha um certo favoritismo (e lá estão eles no mesmo grupo de novo em 2014). A Suíça com seu ferrolho prometia ser dureza. Só Honduras não assustava. Era um desafio para o time treinado pelo ofensivo técnico argentino Marcelo "El Loco" Bielsa, que contava com jogadores como o lateral-esquerdo Arturo Vidal, os meias Matías Fernandez e Jorge Valdívia, além do centroavante Alexis Sanchez.

O primeiro jogo, dia 16 de Junho, foi contra o azarão Honduras. E mesmo com uma seleção mais fraca, os hondurenhos fizeram um jogo duro contra os chilenos. O único gol de Jean Beausejour, aos 34 do primeiro tempo, foi o suficiente pra garantir os 3 pontos para o time. Enquanto isso, a Suíça surpreendia a Espanha e venceu os campeões europeus também por 1x0.


O jogo contra a Suíça, dia 21 de Junho, seria essencial para manter o sonho da classificação para o mata-mata vivo. Depois de ter vencido os espanhóis, os suíços entraram com certo favoritismo contra os chilenos. Num jogo de ataque contra defesa, o Chile saiu por cima com sua ofensividade, com gol do meia Mark González, que quebrava uma invencibilidade suíça de não levar gols na Copa desde 2006. A vitória de 1x0 deixava os chilenos mais perto das Oitavas. E a Espanha venceu Honduras por 2x0, conseguindo os primeiros pontos no grupo e eliminando os centro-americanos.


Um empate contra a Espanha bastaria para a classificação. Mas os espanhóis precisavam da vitória, já que um triunfo suíço sobre Honduras poderia tirar os espanhóis na primeira fase, caso não vencessem. E num jogo bem disputado, embora a Espanha jogasse melhor, os chilenos conseguiram se impôr com bastante raça.  Não evitaram o gol de David Villa, aos 24 do 1o tempo e de Andrés Iniesta, 13 minutos depois. Mas logo no início do 2o tempo, Rodrigo Millar diminuiu, e o Chile teve ótimas chances de empatar. Fim de jogo: a Espanha atingia seu objetivo com a vitória de 2x1. E para a sorte dos chilenos, a Suíça ficou no 0x0 com Honduras, classificando-se em 2o lugar. A "Roja" voltava a disputar um mata-mata na Copa do Mundo depois de 12 anos. Aquela também foi também a última vez em que o Chile havia se classificado para o Mundial, ainda com Salas e Zamorano no time. Abaixo, os atuais companheiros de Barcelona, Sánchez e Piqué, disputando uma bola.


Se foi em 1998 a última vez que o Chile foi às oitavas-de-final da Copa, o adversário seria justamente o mesmo daquela ocasião. E as memórias não eram nada agradáveis. Afinal, tanto os chilenos quanto nós, brasileiros, lembramos muito bem daquele massacre de 4x1 que o Brasil comandado por Zagallo aplicou na seleção vermelha. Mas a história era um pouco diferente em 2010, a Seleção Brasileira ainda era vista com certa desconfiança pelo torcedor, ao contrário de 98, enquanto os chilenos estavam prontos e ansiosos para interromper uma série de vitórias, todas elas de goleada, impostas pelo Brasil durante a primeira década do Século XXI.

O jogo contra o Brasil começou equilibrado. Em alguns momentos parecia até que o Chile enfim conseguiria interromper a série de vitórias brasileiras. Até um escanteio aos 35 do 1o tempo, onde o zagueiro Juan subiu mais alto que toda a zaga chilena e cabeceou sem chances para o goleiro. Ainda atordoado pelo primeiro gol, três minutos depois Luis Fabiano ampliou o marcador. Então o domínio passou todo pelo time comandado por Dunga, que ainda faria o 3o gol aos 14 minutos do 2o tempo com Robinho. Ficaria por isso aí, 3x0 para o Brasil. Chile eliminado da Copa do Mundo e de novo surrado pelos canarinhos.


A camisa usada na Copa do Mundo teve uma vida muito breve. Ainda no fim de 2010 a Puma entrava como fornecedora do Chile e lançava seus primeiros uniformes para "La Roja". Hoje, os chilenos estrearam seu novo uniforme da Puma para a Copa de 2014 contra a Alemanha (vestida com o uniforme reserva supostamente inspirado no Flamengo). Perderam de 1x0 em Stuttgart, mas mostraram que estão mais fortes que há 4 anos atrás e que poderão até surpreender os favoritos de seu grupo, Espanha e Holanda.

E aí, será que o Chile, depois de ter esperado 52 anos para voltar a disputar uma Copa na América do Sul (falharam ao se classificar para a Argentina em 78), vai conseguir sair da figuração e chegar, quem sabe, até as semifinais, como naquela vez? Aguardemos.

Enquanto isso a Série Copa do Mundo segue em frente. A Austrália infelizmente será pulada, pois no momento ainda não tenho uma camisa dos "Socceroos" (quero uma reserva azul de 2010, se alguém tem pra vender...), além do Grupo C inteiro (Colômbia, Costa do Marfim, Grécia e Japão) e de mais da metade do grupo D. O próximo post será sobre a Itália, único integrante do Grupo D que possuo camisas de seleção. E a camisa da Azzurra que tenho aqui é muito especial e tem uma história muito boa! Continuem ligados!



terça-feira, 4 de março de 2014

[Série Copa do Mundo 2014] Holanda 2008/09 - Acelerando sem cruzar a linha de chegada

Olá pessoal!
Finalmente voltei ao Brasil depois de 7 ótimos meses na Alemanha, onde tive a oportunidade de aprender várias coisas e adquirir mais peças para a coleção. Já quase no final do Carnaval, aproveito o tempo livre do feriado para fazer a postagem sobre a camisa da segunda Seleção do Grupo B da Copa do Mundo: a Holanda.


A camisa acima foi o uniforme reserva utilizado pelos holandeses entre 2008 e 2009. A Nike fornece a Seleção dos Países Baixos desde 1997, quando também começou o contrato que dura até hoje com a Seleção Brasileira. Tradicionalmente, a Holanda usa a cor da Família Real do país, o laranja, como uniforme principal. E costuma revezar as cores na camisa alternativa, com cores como branco, preto e, como visto acima, o azul.


Acima, na parte interna da gola, pode-se ver os dois primeiros versos do Hino Nacional Holandês ("Het Wilhelmus"). E o formato pentagonal do escudo do uniforme é assumidamente inspirado nas "Cube Houses" de Rotterdam, um ícone da arquitetura moderna holandesa. Além da listra com as cores da bandeira cruzando a parte da frente da camisa. A camisa titular daquela época também tem detalhes em comum, como o escudo pentagonal, os versos do hino e a bandeira da Holanda, só que essa também era na gola.


A camisa reserva estreou no final de 2007, enquanto a titular foi lançada no início de 2008. Ambos foram lançados para substituir os uniformes de 2006, que foram usados na Copa daquele ano (onde a Holanda foi parada por Portugal nas oitavas de final, num dos jogos mais violentos da história do torneio mundial). Uma nova geração de jogadores holandeses tentavam se afirmar naquela época, ainda com alguns veteranos como o goleiro Van der Sar, o meia Giovanni von Bronckhorst e o atacante Ruud van Nilsterooy. Nomes fortes como Arjen Robben, Robin van Persie, Wesley Sneijder e Rafael van der Vaart ganhavam cada vez mais espaço no time que, assim como em 2006, era treinado pelo ex-centroavante Marco van Basten, que fechou a porta para outros veteranos que ainda tinham vaga naquele time, como, por exemplo, Clarence Seedorf.

A Euro 2008 significava algo muito importante para a Holanda: o segundo título oficial do país num torneio internacional. Vinte anos antes a mesma Holanda havia vencido a Euro 1988, disputada na Alemanha Ocidental, e vencendo uma forte União Soviética na final, com um gol histórico do homem que naquela época estava no banco como treinador, van Basten. Além disso, serviria para formar a base do time que tentaria a classificação para a Copa do Mundo de 2010, e quem sabe tentar conquistar o título que lhe escapou pelos dedos duas vezes seguidas, em 1974 e 78.

"Os Laranjas" classificaram-se para a Euro de forma apertada, terminando a fase eliminatória atrás da Romênia e apenas um ponto à frente da Bulgária. E ainda por cima caiu no "Grupo da Morte", que tinha França, Itália e os mesmos romenos que haviam ficado à frente na fase anterior. Italianos e franceses eram "apenas" campeões e vices da Copa de 2 anos antes, respectivamente. Boa parte do time da Itália de 2006 ainda estava na equipe da Euro, enquanto a França já estava sem a sua maior referência, Zinedine Zidane.

A Holanda, naquele Junho de 2008, estreou na capital da Suíça, Berna, contra a Itália campeã do Mundo. E o que se viu foi um passeio holandês. 3x0 Holanda, com gols de van Nilsterooy, Sneijder e van Bronckhorst. A Itália, treinada pelo ex-jogador Donadoni, que sempre foi referência na defesa, só não levou mais gols porque Buffon não permitiu.


O próximo jogo seria contra a França, também em Berna. Mesmo com a predominância de franceses no estádio (o que é justificado pela proximidade da Suíça com as terras francesas) e mesmo contando com veteranos como Henry e Thuram, além de nomes que estavam cada vez permanentes no time como Franck Ribéry, a Holanda surpreendeu mais uma vez. Depois de surrar a campeã do Mundo, surrou o vice por impiedosos 4x1. Gols de Kuyt, Van Persie, Robben e Sneijder. Henry descontou para a França. Com a vitória e o empate de 1x1 entre Romênia e Itália, a Holanda já garantia a vaga na fase final (e também ganhava a credencial de favorita do torneio).


O jogo contra a Romênia virou apenas um cumprimento de tabela para a Holanda, embora a seleção do Leste Europeu ainda pudesse se classificar se vencesse os holandeses (e dependendo do resultado do jogo entre Itália e França por causa do saldo de gols). Mesmo com quase todo o time de reservas, a Holanda bateu a Romênia por 2x0, gols de Huntelaar e Van Persie, também em Berna, eliminou a Romênia (a Itália classificou-se ao vencer a França por 2x0 também), e garantiu a liderança do grupo


Naquele momento, a Holanda, junto à Espanha, eram as maiores favoritas para levar o título. Mesmo com a Espanha ainda carregando o rótulo de "amarelona" (como visto no post anterior do Blog). O adversário dos holandeses seria a Rússia, que estreou levando um passeio de 4x1 da Espanha e classificou-se em segundo de seu grupo vencendo a Grécia, que defendia o título da Euro, por 1x0, e a Suécia de Ibrahimovic por 2x0. Muitos apostavam na Holanda, que estava 100% no torneio.

Mas o que se viu naquele dia nas quartas-de-final de Basiléia foi diferente do que foi visto em Berna por três vezes. Bem diferente. A Rússia, ironicamente treinada pelo holandês Guus Hiddink, abriu o placar com um gol de Pavlyuchenko, aos 11 minutos da 2a etapa. E van Nilsterooy, aos 41, empatou o jogo, levando à prorrogação. Uma partida completamente marcada pela ofensividade das duas equipes. Os primeiros 15 minutos de tempo extra foram menos agitados do que os 90 anteriores, levando a crer que o jogo seria definido nos pênaltis. Porém, aos 7 minutos do segundo tempo da prorrogação, Torbinski desempatou a partida. E quando parecia que a Holanda arranjaria o gol do empate, o atacante Arshavin, campeão da Liga Europa daquele ano com o Zenit de São Petersburgo, fez o terceiro gol aos 11 minutos, fechando a conta. A Holanda mais uma vez decepcionava sua torcida. Estava fora do caminho para a final em Viena, na Áustria. A Euro 2008 foi a segunda na história disputada em 2 países, a primeira foi justamente na Holanda e na Bélgica, 8 anos antes.


Mesmo a Rússia tendo tirado com autoridade uma das maiores favoritas no torneio, não aguentou a força da Espanha novamente e levou outra surra, dessa vez de 3x0. A Espanha quebrava o estigma de sempre perder em jogos decisivos ao vencer a Alemanha por 1x0 em Viena na final. E a Holanda... bem, continuava vivendo das lembranças dos vices mundiais de 74 e 78 e da vitória solitária na Euro 1988. Mas a África do Sul era logo ali. E, quem sabe, não chegaria a hora de enfim levar a Copa que insiste tanto em fugir?

As Eliminatórias para 2010 começaram em Setembro de 2008 para a Holanda, que estreou contra a fraca Macedônia em Skopje. Vitória de 2x1, gols de Heitinga e van der Vaart. O gol macedônio foi feito por Pandev, que estaria no forte time da Inter de Milão que conquistou uma Quíntupla Coroa em 2010 e hoje joga no Napoli.


O outro adversário da Holanda, em Outubro, também não havia tanta tradição no cenário mundial: a Islândia. Jogando em Rotterdam, venceu com facilidade por 2x0, gols de Mathijsen e Huntelaar.


O jogo seguinte contra a Noruega em Oslo prometia ser mais difícil. Quatro dias depois do jogo contra os islandeses, a Holanda enfrentaria os outros escandinavos. E venceriam novamente: 1x0, gol de van Bommel. Já em Março de 2009, o jogo contra a Escócia seria importante para que o time continuasse com 100% de aproveitamento. E jogando em Amsterdam, venceu facilmente por 3x0, gols de Huntelaar, van Persie e Kuyt. Em Abril, massacraria a Macedônia no começo do 2o turno das eliminatórias, com impiedosos 4x0 (2 de Kuyt, um de Huntelaar e outro de van der Vaart). Abaixo, imagem de Robben sofrendo falta no jogo contra a Escócia.


Na gelada Reykjavik, a Holanda vencia novamente a Islândia por 2x1 (de Jong e van Bommel), em Julho de 2009. Estava isolada na liderança de seu grupo nas Eliminatórias Europeias. Quatro dias depois de vencer os islandeses e já classificada por antecipação para a Copa, bateu novamente a Noruega em Amsterdam por 2x0 (Oojier e Robben). Aquele time não queria saber de pisar no freio.

A Escócia precisava apenas vencer a já classificada Holanda para conseguir pegar o 2o lugar no grupo e ir para a repescagem, sem depender mais de ninguém. Mas quem disse que aquele time holandês deixou os escoceses retornarem à Copa depois de 12 anos? Elia fez o único gol do jogo, em Glasgow, e eliminou a Escócia, que foi ultrapassada pela Noruega na tabela pelo saldo de gols (e nem assim foi para a repescagem - pois teve a menor pontuação de todos os 2o lugares). Porém, a Holanda havia feito história. Terminou com 100% de aproveitamento as Eliminatórias, 14 pontos à frente da Noruega e da Escócia. Mas mesmo assim era difícil confiar naquela seleção. Na Euro 2008 foi a mesma coisa, uma campanha arrasadora na fase de grupos para cair logo no primeiro jogo da fase de mata-mata. Abaixo, foto do jogo final contra a Escócia, em Glasgow.


A Nike em 2010 preparou um novo uniforme para a  Holanda. Aposentou a combinação bizarra de camisa laranja + calções brancos + meias azuis-claras para retornar com o calção preto. A camisa reserva azul foi substituída por uma branca, assim como em 2006. E sobre a campanha na Copa, quem é brasileiro lembra muito bem: a Holanda eliminou o Brasil nas quartas de final por 2x1 (Olá, Felipe Melo!), passaria pelo Uruguai nas semis e faria a final com a Espanha, onde fracassaria novamente, ficando com três vices mundiais e vendo a festa que os espanhóis fizeram ao chegar num ponto onde nem todos imaginavam que eles alcançariam. Na Euro 2012, a Holanda fracassaria de forma mais cruel, ficando na lanterna da fase de grupos, atrás de Alemanha, Portugal e Dinamarca.

Nas Eliminatórias para 2014, os holandeses quase repetiriam o feito de 2009, classificando-se de forma invicta (9 vitórias e 1 empate). Estarão no Brasil, junto com a mesma Espanha que os venceu 4 anos atrás em Joanesburgo, além de se juntarem ao Chile e Austrália no Grupo B. A Nike já lançou a nova camisa titular, e a reserva já vazou na internet: será azul, assim como a camisa de 2008 que falamos hoje, só que com tons mais escuros, e um escudo retrô homenageando os 125 anos da Real Federação Holandesa de Futebol. A imagem abaixo mostra a nova camisa azul da Holanda:


Será que em gramados brasileiros a Holanda conseguirá enfim colocar as mãos na Taça do Mundo FIFA sem deixá-la cair no chão? Enquanto essa pergunta permanece em aberto, a Mantoteca prosseguirá com a Série Copa do Mundo falando da outra seleção do Grupo B, o Chile!

Até lá!

domingo, 23 de fevereiro de 2014

[Série Copa do Mundo 2014] Espanha 1996/97 - O calvário ibérico

Enfim, depois de várias interrupções, prossigo com a série que comecei no fim do ano passado, onde disse que falaria sobre os uniformes das Seleções que jogarão a Copa de 2014 que estão aqui na Mantoteca.

Hoje a Espanha é unanimidade. Ganhou as duas últimas Eurocopas (além de ter outra de 1964, somando 3 títulos europeus, maior campeã do continente junto à Alemanha), a Copa de 2010 e fracassou apenas na Copa das Confederações de 2009, onde foram surpreendidos pelos EUA nas semifinais, e na edição de 2013, onde não conseguiram segurar o Brasil dentro do Maracanã na final. Mas até 2008 a Espanha carregava um outro fardo: o de time amarelão. A camisa que mostro hoje é dessa angustiante época da "Fúria".


Desde 1992, a Espanha é fornecida pela Adidas, em contrato que dura até hoje. A marca alemã chegou a fornecer os espanhóis na Copa de 1982, quando jogaram em casa, mas durante toda a década de 80 e começo dos anos 90 a "Fúria" vestiu uniformes da francesa Le Coq Sportif. Esse uniforme da Mantoteca é de 1996, e substituiu o também ousado uniforme que os espanhóis usaram nos Estados Unidos, na Copa de 1994, como pode-se ver abaixo:


O uniforme que está na Mantoteca foi feito pela Drastosa (que hoje faz uniformes para a Nike no Brasil). E há algumas diferenças entre a camisa versão brasileira e a versão original-europeia. Na versão original, há uma marca d'água grande com o escudo da Real Federação Espanhola de Futebol, além de um patch da bandeira da Espanha na manga esquerda. O selo na parte inferior direita da camisa também é diferente na versão original, nela o "trefoil" da Adidas é substituído pela logomarca da RFEF. Abaixo, uma foto da camisa original.


Além do uniforme vermelho, a Espanha teve como camisa alternativa a versão azul-marinho, que seguia o mesmo template.


Usando esses uniformes, a Espanha estreou na Euro 1996, disputada na Inglaterra, contra a ainda temida Bulgária, que ainda tinha a base do time que chegou ao 4o lugar da Copa de 1994. Stoichkov, o artilheiro búlgaro que jogava no Barcelona ainda naquele ano, fez o gol de pênalti, mas Alfonso, atacante do Real Betis, empatou a partida.


A segunda partida da Espanha prometia ser mais difícil. A França, que também amargava um período de ostracismo (embora menor, já que 12 anos antes havia ganho a Euro) e tinha ficado de fora da Copa dos EUA, já estava com boa parte dos jogadores que fariam parte da histórica conquista da Copa 2 anos depois. E Djorkaeff, um dos jogadores que estaria naquele fatídico 3x0 contra o Brasil em 1998, fez o gol francês aos 3 do 2o tempo. A Espanha, que também contava com bons jogadores como o goleiro Zubizarreta, os meias Hierro e Luis Enrique, conseguiu reagir, empatando o jogo com Caminero, ícone do time do Atlético de Madrid que conquistou a Liga Espanhola naquele mesmo ano, já aos 40 minutos.


A Espanha, por fim, enfrentaria a Romênia, num duelo decisivo para se classificar ao mata-mata. Bulgária e França, ambas com 4 pontos e na zona de classificação, enfrentariam-se também. A Romênia, que também vinha de uma boa participação na Copa de 94, havia perdido os dois primeiros confrontos e já não poderia mais se classificar para a 2a fase. Mesmo ainda contando com jogadores como Gheorghe Hagi, o time do Leste Europeu acabou perdendo o seu 3o jogo por 2x1, gols de Manjarín, do La Coruña e de Guillermo Amor, eterno meia do Barcelona dos anos 90.





Classificada atrás da França, que ficou com o 1o lugar do grupo, a Espanha chegou às quartas de final contra os donos da casa, a Inglaterra. No jogo disputado em Wembley, a partida terminaria empatada em 0x0 mesmo na prorrogação. A vaga então foi decidida na disputa de pênaltis. Shearer iniciou a série de cobranças, convertendo e colocando os ingleses na frente. Hierro chegou para colocar a Espanha no páreo, mas chutou bem no meio do travessão e perdeu a cobrança. Platt aumentaria a vantagem inglesa convertendo sua cobrança, e Amor manteria a Espanha viva também colocando a bola no fundo das redes, com categoria. Pearce, no 3o round de cobranças, mesmo com Zubizarreta acertando o canto, marcaria o seu, obrigando Belsué a também converter, o que aconteceu num bom chute rasteiro. Então, chegou a vez do mítico Paul Gascoigne chutar, e numa bela cobrança, manteve a Inglaterra na frente. A responsabilidade de Nadal, outro jogador que fez história no Barça dos anos 90, era imensa. Se ele errasse, a Espanha estaria fora. E o gigante David Seaman acertou o canto, defendendo com facilidade a cobrança do espanhol, eliminando a Espanha e aumentando o incômodo jejum espanhol em torneios oficiais.


Mesmo com todo o prestígio de ter uma Liga forte nos anos 90, a Espanha continuava a ver navios em termos de títulos. Sempre era cravada como uma força que poderia chegar ao menos até as semifinais, mas no final acabava saindo precocemente da disputa. Foi assim na Copa de 90, quando caiu nas oitavas para a Iugoslávia, na Euro 92, onde nem chegou a se classificar, na Copa de 94, onde foi parada pela Itália que terminaria vice naquele torneio, e novamente em 96. Era hora de pensar na Copa da França, país vizinho, em 1998. Não seria fácil, pois o grupo onde a Espanha estava nas Eliminatórias contava com a mesma Iugoslávia que foi carrasca 6 anos antes, além da República Tcheca que foi vice da Euro 96 para a Alemanha.

Em Setembro de 1996, a Espanha iniciou a caminhada rumo à França  nas frias Ilhas Faroe, contra a Seleção local. Venceu facilmente por 6x2 o time conhecido como um dos maiores sacos de pancadas da Europa. Em Outubro, a missão seria mais complicada: jogo contra a Rep. Tcheca em Praga, empate por 0x0. Em Novembro, um massacre contra a Eslováquia jogando em casa: 4x1, com gols de Pizzi, Amor, Luis Enrique e Hierro. O vídeo abaixo é do jogo contra as Ilhas Faroe




Em Dezembro de 96, um jogo-chave para os espanhóis, a Iugoslávia chegava a Valência para duelar contra os donos da casa. Mas a Espanha mostrou novamente sua força e venceu o jogo por 2x0, com gols do atual técnico do Bayern de Munique, Pep Guardiola, e do eterno artilheiro do Real Madrid, Raúl.Vale lembrar que a Iugoslávia em 1996 já se limitava aos atuais territórios da Sérvia, Montenegro e Kosovo, e perdeu muitos dos jogadores que fizeram parte do time de 90, que foram brilhar em outras seleções, como na forte Croácia que despontou naquela época.

Ainda em dezembro, a Espanha viajou até Malta para enfrentar a fraca seleção local. Um passeio de 3x0 com um Hat-Trick de Julien Guerrero, meia-atacante que fez toda a sua carreira no Athletic Bilbao. A "Fúria" estava firme e forte no caminho para a França e, quem sabe, para o tão sonhado título mundial.

Em Fevereiro de 97, começava o returno da fase eliminatória. E em Alicante, Malta levou outra surra, dessa vez de 4x0, com dois gols de Alfonso, Pep Guardiola e Pizzi. O jogo seguinte, em Abril, seria muito mais complicado: a Iugoslávia aguardava os espanhóis no Marakana (sim, o nome é homenagem ao estádio carioca) , o estádio do Estrela Vermelha, em Belgrado. A Espanha ainda saiu na frente por todo o jogo, com gol de Hierro de pênalti aos 19 minutos da 1a etapa. Mijatovic, atacante que atuava na Espanha, pelo Real Madrid, fez o gol que igualou a partida aos 42 do 2o tempo, também de pênalti. Mas o time espanhol, mesmo com o empate, permanecia líder de seu grupo.

O jogo de Junho de 1997 contra a Rep. Tcheca era essencial para deixar a Espanha praticamente dentro da Copa. E Hierro voltou a marcar de pênalti, o único gol da partida. E a "irmã" dos tchecos, a Eslováquia, novamente apanharia dos espanhóis, em Bratislava, os gols da "Fúria" foram marcados por Kiko e Amor no jogo que terminou 2x1. E a Espanha só dependia da vitória contra as Ilhas Faroe jogando em Gijón para garantir o primeiro lugar e a vaga direta na Copa. O placar "magro" de 3x1 foi mais do que suficiente. A Espanha estava de volta à Copa do Mundo. 

A Iugoslávia foi empurrada para a repescagem, onde venceria a Hungria e também garantiria a vaga na Copa de 98. Mas a excelente campanha espanhola nas Eliminatórias, com 8 vitórias e 2 empates, num grupo relativamente difícil, alavancou novamente o status de "seleção que pode chegar longe" que a Espanha adquiriu por todos estes anos. Para 98, a Espanha aposentou o uniforme da Euro 96 e das Eliminatórias e lançou outro modelo, um pouco mais conservador que o uniforme de 1996.






O fracasso ainda na fase de grupos em 1998 aumentou ainda mais o calvário ibérico. E foi assim nas Euros e Copas seguintes, até 2008, onde a Espanha conseguiu enfim quebrar o jejum, culminando com a Copa de 2010 e a Euro 2012. Hoje em dia, a camisa vermelha da Espanha é muito temida, ao contrário daquela triste época dos anos 90, onde os espanhóis não conseguiam se livrar do estigma de "amarelões".


Bem, esse foi o segundo post da Série Copa do Mundo. O próximo será sobre a Holanda, cuja camisa da Mantoteca está bem separada aqui. Como tô de folga nessa semana (voltarei para o Brasil no começo de Março), é possível que ele saia rápido. Aguardem!

Um abraço!






sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

[GUIA DE COMPRAS MANTOTECA] Itália

Ok. 1 mês e um dia sem nenhuma postagem... tá na hora de botar pilha no Blog novamente.

Disse que o próximo post seria sobre a camisa da Espanha de 96 (pretendo fazer posts homenageando os participantes da Copa, mas no ritmo que tô administrando a página, acho que só na Copa de 2018 termino a série). Enfim, preferi mudar a postagem para essa "utilidade pública" aos colecionadores.

Estive na Itália entre Dezembro e Janeiro, e de lá voltei com camisas bastante interessantes. Algumas até são verdadeiras relíquias.Vamos começar por Milão, o primeiro lugar por onde passei.


Na foto acima está a Estação Termini de Milão, uma das portas de entrada da cidade. E logo na feirinha que aparece ali na praça em frente ao terminal, tinha um sujeito vendendo camisas originais de alguns times italianos. Tinha camisa da Inter de Milão, da Juventus, todas de temporadas recentes, 2009 pra cá. Até uma camisa de treino do RAJA CASABLANCA (isso porque o Marrocos já ficou pra trás) da Lotto ele tinha pra vender. Mas o que prevalecia era a quantidade de camisas da Seleção da Itália que o homem tinha. As camisas da Squadra Azzurra desde 2008 até as de 2010, todas elas. Mas o que me chamou mais atenção foi a excêntrica camisa azul-claro usada pela Itália na Copa das Confederações de 2009 (que vinha acompanhada de um short marrom), muitos detestam essa camisa, mas gosto muito. Preço? 30 euros, padronizado para todas as camisas da barraca, independente do ano, time ou fornecedora. Acabei levando.






Bem, em Milão não poderia deixar de frequentar o Coliseu local: o Estádio San Siro. Repartido entre Milan e Inter, é obrigatório para qualquer fã de futebol que se preze ir até lá. O museu é muito bacana, contando a história dos dois times, e tem a loja, que vende produtos oficiais dos dois. Como só tinha as camisas atuais dos rivais, a única coisa que acabei levando foi um livro interessante chamado "Secconda Pelle", que conta a história em detalhes da evolução dos uniformes do Milan. É um dos melhores livros sobre camisas de futebol que eu já vi.


Uma das melhores lojas que encontrei em Milão fica atrás do Duomo, a gigantesca catedral da cidade. É a Football Team. Tem as camisas de TODOS os times da Série A Italiana, com o patch oficial da competição. E o melhor: várias camisas em promoção também. O destaque vai para a camisa titular do Parma do ano passado, que estava saindo por aceitáveis 35 euros. Mas acabei não levando nenhuma...



E, claro, em Milão não poderiam faltar as lojas próprias da Inter e do Milan. A da Internazionale foi uma decepção em termos de camisa, nenhum item em promoção. A do Milan, por outro lado, já estava mais atraente, com um setor onde estavam as camisas das outras temporadas. Tinham camisas de 2011/12 (aquela das listras finas) de mangas longas, preparada para a Champions League (o patrocínio da Emirates menor - cumprindo a exigência da UEFA - o patch da bola na manga direita e dos 7 títulos conquistados na esquerda, junto com o "Respect" embaixo), 40 euros, preço mais ou menos, mas como ela tava toda preparada, quase levei. Só não foi porque todas as camisas eram XXL, ficaria parecendo uma túnica rubro-negra em mim.  Tinha a camisa da atual temporada com aqueles "pequenos erros" que fazem o valor despencar (tava por 40 euros tb), mas só tinha tamanho pequeno. A da temporada anterior também estava por 40, e decidi não levar nada, quem sabe em outra cidade aparece algo melhor. As lojas ficam próximas a Piazza del Duomo, inevitavelmente quem vai lá passará por elas.



A próxima cidade onde achei algo interessante foi Florença. O primeiro lugar onde fui foi até o estádio da Fiorentina e logo na frente dele há uma loja da "Viola". Não havia mais as camisas da temporada passada, só as da atual. Então, toquei em frente. O ponto alto mesmo foi numa loja perto da Academia de Artes (onde está o "Davi" de Michelangelo), era uma loja de segunda mão, com um setor no segundo andar só de camisas de futebol antigas. Me senti como uma criança no parque de diversões. Barcelona de 1992, Parma de 1993, Roma de 2001 entre outros uniformes históricos estavam ali. E todos com o mesmo preço: 25 Euros. O estado dos uniformes em geral era impecável. Saí de lá com 3 relíquias: o uniforme-kilt da Escócia de 1995, a bela camisa que a Itália usou entre 86 e 90 da Diadora (com mangas longas) e um uniforme raríssimo da Seleção Brasileira (!), provavelmente de 1984, da Topper. Todos eles por 25 euros! Fotos das aquisições:






Já fiquei satisfeito com essas aquisições pra Mantoteca, mas em Roma provavelmente acabaria sendo tentado novamente se trombasse com outras raridades. Por isso, só fui na loja da Lazio para comprar ingresso para o jogo que rolaria contra a Inter naquele fim de semana (antes que me perguntem: tinha camisa da temporada anterior, mas era a camisa branca que é bem sem-graça). Ao redor do Estádio Olímpico de Roma, várias barraquinhas vendendo camisas da Lazio e da Inter foram montadas. E muitas camisas eram oficiais. Achei a camisa do time azul de Roma quando ainda era fornecido pela Puma (2011/12) por 25 Euros, só que era tamanho P. E acabei comprando a réplica oficial (que é praticamente idêntica a camisa de jogo) do uniforme 2012/13, da Macron. Também por 25 euros.





Depois dessa aquisição, tentei dar um basta na compulsão camiseteira, já que era fim de viagem e o dinheiro já tava quase findado. Foi então que na Via Appia Nuova dei de cara com uma loja da Roma com um Outlet de marcas esportivas ao lado. Já que tinha comprado algo da Lazio, pensei em comprar uma camisa da Roma, mas não foi bem assim. Na loja da Roma só tinha a cara camisa atual e algumas retrôs que não são do foco da minha coleção. No outlet ao lado fui surpreendido com camisas da Lazio da temporada 2003/2004, feitas pela Puma, custando apenas 10 Euros. Aí a compulsão não teve como ser freada, mais uma aquisição. Mas essa, enfim foi a última. E voltei pra Alemanha com mais 6 camisas para a Mantoteca.







Estou tentando achar o endereço da loja Vintage de Florença onde comprei as 3 camisas antigas para atualizar o post futuramente. Espero que essas dicas de mais um Guia de Compras sejam úteis para vocês!

Aquele abraço!


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

[POST DE HONRA] Bayern de Munique 1997-99 - Glória dos rivais e início de uma nova era.

Olá rapaziada!

Como disse no último post, aqui (atrasado) está mais um Post de Honra. E mais uma vez homenageando o Bayern de Munique, que conquistou mês passado o seu 5o título no ano: o Mundial de Clubes. Com ele, o time alemão iguala-se a Internazionale de 2010, que também conseguiu uma "Quíntupla Coroa" (Calcio, Copa da Itália, UCL - em cima do Bayern, Supercopa Italiana e Mundial), mas pode-se considerar a série de conquistas do time bávaro mais importante do que a do time italiano, já que a Supercopa que o Bayern conquistou foi a Europeia (a Inter perdeu para o Atlético de Madri em 2010). Mesmo assim, o Bayern falhou em igualar o Barcelona de 2009, único time que conquistou tudo o que disputou (incluindo as duas Supercopas). A derrota de 4x2 para o Borussia Dortmund em Julho na Supercopa Alemã impediu que o time vermelho igualasse aquele Barça que era treinado por Pep Guardiola, o atual comandante do time de Munique.





Mas o Bayern atual não será o assunto do Post de Honra. O time alemão já foi homenageado aqui quando ganhou a Supercopa Europeia em Agosto (confira aqui) e o Post de hoje começa exatamente onde o outro terminou: na temporada 1997/1998, quando o Bayern inovou mais uma vez com seu uniforme titular, tornando-se predominantemente azul






Esse exemplar é uma camisa tamanho P que consegui aqui em Munique numa das inúmeras lojas de roupas de segunda mão que existem aqui (aguardem o Guia de Compras Mantoteca sobre a Alemanha para maiores detalhes). A camisa está em perfeito estado, só que não cabe em mim e por isso estou me desfazendo dela (se houver interesse, pode contactar). Mas, terminando o momento "jabá", voltamos a falar sobre o time de 1997. Naquele ano o Schalke 04 havia conquistado a Copa UEFA e o Borussia Dortmund ganharia a Champions League, juntamente com o Mundial (falhando na Supercopa Europeia, onde foi derrotado pelo Barcelona de Ronaldo, ainda magro). O Bayern ficou só com o título alemão daquele ano.

O uniforme novo sucedia o listrado em azul e vermelho e era mais inovador do que o anterior, já que era a primeira vez depois de muito tempo em que o azul era a cor predominante na camisa titular do Bayern, mais detalhes sobre isso no primeiro post feito homenageando a equipe. A camisa reserva continuava a ser a branca com as duas listras verticais vermelha e azul no lado direito e não houve um terceiro uniforme naquela temporada.

O mais interessante é que nem Dortmund e nem o Schalke foram as principais ameaças na Bundesliga 1997-98, o time amarelo terminaria na 10a posição e a equipe azul ficaria em 5o. O time que foi o principal concorrente do Bayern no torneio local foi o Kaiserslautern, que contava com jogadores como o atacante tcheco Kuka, o meia campeão do Mundo em 1990 Andreas Brehme e um certo jovem chamado Michael Ballack. O Kaiserslautern sempre foi uma pedra no sapato do Bayern, até mesmo nos anos 70, onde o time bávaro dificilmente vencia jogando no domínio do time de Rheinland-Pfalz. Na temporada 97-98, o Bayern não conseguiu ganhar nenhum dos jogos contra os "Die Roten Teufel" ("Os Diabos Vermelhos), perdendo fora por 2x0 e em casa por 1x0. Depois de 7 anos, o Kaiserslautern voltava a ser campeão, ganhando sua quarta e última Bundesliga. E o Bayern ficou apenas com o vice-campeonato, só dois pontos atrás do campeão. Abaixo, os jogos de Bayern X Kaiserslautern naquela temporada:



Vale lembrar que em 1997 foi disputada a 1a edição da Copa da Liga Alemã, em Julho daquele ano. Nesse torneio entravam apenas o atual campeão da Bundesliga (o Bayern), o campeão da Copa Alemã (Stuttgart), além dos outros 4 melhores times da Liga. O Bayern estreou contra o Borussia Dortmund jogando em Augsburg e venceu por 2x0, gols de Élber e Babbel. Foi para a final contra o Stuttgart, que foi disputada em Leverkusen. A Copa da Liga Alemã foi criada para substituir a Supercopa Alemã, mas a final do torneio acabou mesmo tornando-se um tira-teima entre o Campeão da Liga e o Campeão da Copa. O Bayern repetiu o placar do 1o jogo, com gols de Basler e Élber, e ganhou o jogo, sagrando-se campeão do novo torneio



Na Copa da Alemanha, o Bayern começou encarando o inexpressivo DFK Waldberg, do norte da Baviera. Aplicou uma goleada impiedosa de 16x1. Na fase seguinte, encarou o Wolfsburg na casa deles, num jogo em que terminou empatado por 3x3 e foi decidido apenas nos pênaltis, com vitória bávara por 4x3. Pelas oitavas, o duelo que marcou aquela temporada: Bayern x Kaiserslautern na casa dos Diabos Vermelhos. Ao contrário do que aconteceu nos jogos da Bundesliga, o Bayern levou a melhor e bateu o rival por 2x1.

Pelas quartas-de-final, o Bayern recebeu o Bayer Leverkusen em Munique, onde venceu por 2x0. A semifinal repetiria o duelo da final da Copa da Liga, mais uma vez o Stuttgart estava no caminho do Bayern. Mas o time bávaro, jogando novamente em casa, não deu chances ao campeão da Copa anterior: vitória por 3x0.

Após passar por times mais conhecidos, o Bayern encarou na final em Berlim o MSV Duisburg, time que costumava oscilar entre a 1a e a 2a divisão da Bundesliga (e hoje está na 3a divisão). Mas o jogo não foi fácil: o togolês Salou abriu o placar para o Duisburg logo no início do 1o tempo. O Bayern apenas conseguiu empatar aos 25 do 2o tempo, com Babbel. E apenas aos 44 minutos veio o gol do título, marcado por Basler e consagrando a vitória de virada do Bayern. Após 12 anos de jejum no torneio, o Bayern de Munique voltava a levantar a taça da DFB-Pokal.



Como havia sido campeão da Bundesliga na temporada 96/97, o Bayern também disputou a UEFA Champions League em 1997/98. Estreou na fase de grupos em casa contra o Besiktas da Turquia, vencendo por 2x0 (gols de Helmer e Basler). Na Suécia, venceu o Gotemburgo por 3x1 (gols de Jancker, Hamann e Élber). E de volta a Munique, massacrou o Paris Saint-Germain por 5x1 (2 de Élber, 2 de Jancker e 1 gol de Helmer). No returno, perdeu para o PSG em Paris por 3x1, venceu novamente o Besiktas por 2x0, agora em Istambul e perdeu na última rodada para o Gotemburgo em Munique por 1x0, como mostra o vídeo abaixo. Terminou empatado em pontos com o Paris Saint-Germain, mas acabou levando vantagem no saldo de gols e acabou a fase de grupos em 1o lugar.



O Bayern encarou o arquirrival Borussia Dortmund nas oitavas-de-final. O caminho para voltar a brilhar na Europa dependia de vitória sobre o time amarelo, que estava mal das pernas na Bundesliga. O jogo em Munique terminou 0x0. E em Dortmund, o jogo também acabou com o mesmo placar, sendo levado à prorrogação. Ao contrário do que vimos nesse ano de 2013, naquela vez o BVB é que levou a melhor: um gol do suíço Chapuisat aos 4 do 2o tempo da prorrogação selaria a derrota e eliminação do Bayern da Champions League. A fila para conquistar o maior título da Europa aumentava. Abaixo, foto do jogo:


Felizmente para os bávaros, a dor de ver o Dortmund sendo campeão não ocorreria. O Real Madrid eliminaria o time alemão nas quartas e seria campeão daquele torneio, quebrando um jejum de 32 anos sem levantar a "Orelhuda". Com o vice-campeonato da temporada 97/98, o Bayern estaria novamente disputando a Champions League. Era hora de ganhar!

Para a nova temporada, a camisa titular foi mantida. Porém, o Bayern ganhou novas camisas alternativas. A camisa reserva ganhou um desenho diferente, e a camisa III, feita para ser usada na Champions, ganhou a inédita cor cinza. Abaixo, fotos das duas camisas





Na Copa da Liga de 1998, torneio que abriu a temporada, o Bayern estreou nas semis contra o Leverkusen, que acabou derrotado com um gol de Basler. Na final, como no ano anterior, mais uma vez encontrou o Stuttgart, que havia despachado o atual campeão alemão Kaiserslautern nas semis. E como em 97, o Bayern venceu e foi bicampeão do torneio: 4x0 no time de Baden-Württemberg, com hattrick do brasileiro Élber e o gol final de Jancker.

Na Bundesliga, o Bayern não teve dificuldades de reconquistar o título que fora tirado de suas mãos pelo Kaiserslautern na temporada anterior. O time de Rheinland-Pfalz apenas terminou na 5a colocação, 21 pontos atrás do time de Munique. O vice-campeão de 1998-99 foi o Bayer Leverkusen, que ficou 15 pontos atrás do Bayern. Mas um dos momentos marcantes daquele torneio foi mesmo a fúria do goleiro Oliver Kahn contra o Borussia Dortmund, no jogo disputado na cidade do time amarelo que terminou empatado em 2x2. O goleirão do Bayern deu uma voadora de kung-fu no suíço Chapuisat.





Na Copa da Alemanha, buscando o bi, o Bayern estreou contra o Ahlen, time do noroeste alemão. Conseguiu uma fácil vitória por 5x0. Na fase seguinte, enfrentou o Greuther Fürth, do norte da Baviera, time muito tradicional no passado do Campeonato Alemão. O clássico regional acabou empatado em 0x0 e foi para os pênaltis, onde o Bayern conseguiu a vitória por 4x3. Nas oitavas de final, a reedição da finalíssima do ano anterior: Duisburg x Bayern, na casa do rival. O Bayern não teve tanta dificuldade como na final em Berlim e conseguiu vitória por 4x2, avançando para as quartas-de-final.

E nas quartas, mais uma vez o Stuttgart aparecia no caminho. Mais uma vez, o Stuttgart era surrado pelo Bayern. Em jogo disputado no Estádio Olímpico de Munique, o time bávaro fez 3x0 e carimbou a passagem para as semis. E no penúltimo passo para chegar a final, o adversário parecia ser mais fácil que o anterior: afinal, o Rot-Weiss Oberhausen, cuja cidade-sede, na região do rio Ruhr, ficou mais conhecida em 2010, onde seu zoológico abrigou o polvo profeta Paul. O jogo, disputado em Gelsenkirchen, no estádio do Schalke 04, teve até um princípio de resistência do time da região, mas o Bayern acabou ganhando por 3x1 e novamente estava na final do torneio.


O rival em Berlim seria o Werder Bremen, que havia vencido o Wolfsburg na outra semifinal. No dia 12 de Junho de 1999, no Estádio Olímpico berlinense, o meia ucraniano Maximov abriu o placar para o time verde, aos 4 do 1o tempo. Jancker empatou no final da 1a etapa. O jogo terminaria 1x1 mesmo depois do fim do tempo regulamentar e da prorrogação, levando a partida para os pênaltis. Nas primeiras cobranças, acertos dos dois times. Na segunda cobrança, Todt do Bremen teve seu pênalti defendido por Kahn, enquanto o iraniano Ali Daei anotou sua cobrança, deixando o Bayern na frente. Nas 3as e 4as cobranças, acertos para os dois lados. O Bayern ficava a apenas um acerto de levar o bicampeonato da Copa, mas Stefan Effenberg isolou sua cobrança. O acerto de Eilts para o Bremen levava a disputa para as cobranças alternadas, aonde ninguém mais poderia perder. Rost, o goleiro do Bremen acertou a cobrança, e o capitão do Bayern, Lothar Matthäus tinha a obrigação de acertar para continuar a disputa. Mas o dia era de Rost. O dia era do Werder Bremen. O goleiro do time da beira do rio Weser defendeu e virou o herói do jogo. O Bayern perdia de forma extremamente dramática. Mas nada podia superar o drama ocorrido semanas antes, na Liga dos Campeões.




















O Bayern de Munique estreava na Champions League de 1998-99 no playoff contra o Obilic, da Sérvia (na época, Iugoslávia). Era necessário vencer para ir até a fase de grupos. O time sérvio não teve chances em Munique, perdendo de 4x0. E apenas empatou em Belgrado por 1x1, o que classificava o Bayern

O grupo do Bayern tinha duas pedreiras: o Manchester United comandado por Sir Alex Ferguson (na época, em seu 13o ano na equipe) e o Barcelona de Rivaldo. O dinamarquês Brondby era o azarão, mas mesmo assim conseguiu derrotar o time de Munique na estreia por 2x1, em Copenhague.



Na segunda rodada, o Bayern encarou o United em Munique. Saiu na frente com Élber, mas Giovanni e Scholes viraram o jogo. Nos acréscimos do segundo tempo, Sheringham marcou um gol contra (isso mesmo). O jogo terminou empatado. Anotem essas palavras: "Sheringham" e "acréscimos", continuem lendo e vejam como o destino no futebol pode dar reviravoltas cruéis.

O Bayern disputava mais um jogo em Munique com a obrigação de ganhar. O forte Barcelona liderava o grupo e isso poderia complicar os alemães. Um gol de Effenberg resolveu a parada: 1x0 Bayern foi o placar final. A fama de "Bestia Negra", apelido dado pela imprensa espanhola ao Bayern, pelo fato de sempre fazer jogo duro contra os times ibéricos, confirmaria-se na bela vitória de 2x1 sobre os donos da casa no Camp Nou. Giovanni (ex-Santos) abriu o placar, mas Zickler empatou e Salihamdzic, quase no fim do jogo, virou a partida. Resultado importante, pois o Manchester United se isolava na liderança e o Bayern garantia pelo menos o 2o lugar no grupo.

O próximo jogo em Munique era fundamental para a classificação para o mata-mata. Afinal, o Brondby já estava praticamente eliminado. O Bayern facilmente fez 2x0 com Jancker e Basler, terminando assim. Os bávaros então foram até Old Trafford quase classificados. E lá, novo empate contra os Red Devils, após o time da casa sair na frente com Roy Keane, Salihamidzic empatou o jogo. Os dois estavam na fase final, com o Bayern em primeiro e o United em segundo (sendo que só os 2 melhores vices de cada grupo passavam para o mata-mata).

O primeiro duelo do Bayern era a chance de uma vingança da Bundesliga da temporada anterior: era o tira-teima com o Kaiserslautern. No primeiro jogo, Élber e Effenberg fizeram fáceis 2x0 em Munique. E em Kaiserslautern, local onde o Bayern historicamente tem dificuldades de vencer, uma surpreendente vitória de 4x0 bávara para confirmar a classificação. Gols de Effenberg, Jancker, Rösler (contra) e Basler. O Bayern avançava para as semis


O adversário seguinte do Bayern também não era fácil. O Dínamo de Kiev havia despachado o campeão anterior Real Madrid com a ajuda de seu centroavante Shevchenko. O jogo em Kiev foi dramático: Shevchenko fez dois gols e botou o Dínamo na frente, Tarnat ainda diminuiria no fim do primeiro tempo para o Bayern. No segundo tempo, Kosovsky ampliou para o Dínamo, que abriu 3x1. Com um gol de Effenberg aos 32 e outro de Jancker aos 42, o Bayern conseguiu buscar o tão improvável empate. A volta em Munique não foi recheada de gols como na ida, mas o gol solitário de Basler fazia o Bayern voltar a uma final de Liga dos Campeões depois de 12 anos de espera.


A final de 26 de Maio de 1999 trazia um velho conhecido do Bayern naquele torneio: o Manchester United. O rival daquele jogo que seria disputado em Barcelona havia ficado atrás dos bávaros na fase de grupos, mas nenhum dos dois times havia vencido seus jogos entre si: foram dois empates. Era a hora do tira-teima. O Manchester não ganhava uma Liga dos Campeões desde quando jogou de azul contra o Benfica em 1968. E o Bayern estava na fila desde aquele dia de 1976 em que venceram o Saint Etienne. Foi então que uma das finais europeias mais emblemáticas de todos os tempos teve início.

Logo aos 6 minutos de jogo, Mario Basler abriu o placar numa cobrança de falta. E o jogo ficaria amarrado até o final, dando certeza até para os torcedores do Manchester que a taça da Liga dos Campeões iria para Munique. Alguns parágrafos atrás pedi para que guardassem as palavras "Sheringham" e "acréscimos". Pois então, Teddy Sheringham tinha entrado aos 12 do segundo tempo no time do Manchester e não havia ameaçado tanto a meta adversário. Mas aos 46, já nos acréscimos, já quando o Bayern colocava o último dedo que faltava na taça, ele empurrou uma bola para o gol. E dessa vez, não foi gol contra. O empate já era um milagre naquelas circunstâncias! E o torcedor do Manchester respirava aliviado pelos 30 minutos que viriam, onde tudo poderia acontecer.

Mas está escrito na história do futebol. E todos os apreciadores sabem que nunca houve prorrogação naquele jogo. Dois minutos depois, em outra bola alçada na área do Bayern, o norueguês Solskjaer fez com que todo o peso do mundo fosse tirado das costas do torcedor dos Red Devils. Uma virada de dois minutos, nos acréscimos, devolvia o título de melhor time da Europa para o Manchester United 31 anos depois. O trauma do torcedor do Bayern com essa derrota é tão grande que até hoje, mesmo depois de derrotas tão amargas quanto a de 2012, contra o também inglês Chelsea jogando em Munique, esse jogo é considerado o mais doloroso da história do clube. No museu do Bayern, na Allianz Arena, há um local que relembra esse jogo, onde está escrito: "a mãe de todas as derrotas".


Depois disso, ainda haveria a derrota também sofrida na final da Copa da Alemanha (já citada) e mesmo o título recuperado da Bundesliga não seria capaz de sanar a dor daquele dia fatídico de Maio. E o Bayern, para a temporada 1999-2000, aposentava a camisa azul que foi usada como modelo titular durante dois anos, voltando a usar uma camisa vermelha como uniforme principal. O uniforme cinza da triste final da Liga dos Campeões, ao contrário do que disse na primeira publicação, voltaria a ser utilizado até a temporada 2000-01, quando o Bayern teria sua revanche contra o Manchester United no mata-mata daquela Champions. Depois daquilo, o time nunca mais teve um uniforme daquela cor



Com o novo uniforme, o Bayern ganharia por mais duas vezes a Bundesliga, sendo tricampeão consecutivo. E em 2001 o tão esperado título da Liga dos Campeões chegaria, marcando uma nova era de vitórias do time. Mas essa é história para outra postagem.

Espero que tenham gostado do post, mesmo com o atraso.

Abraços!