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domingo, 11 de maio de 2014

[Série Copa do Mundo 2014] França 2011 - Novos horizontes

Ok... voltamos à nossa programação normal.
Depois da Suíça, deveria falar do Equador, a outra seleção do Grupo E. Mas como não possuo nenhuma camisa do time sulamericano, pulo para o outro time do grupo: a Campeã Mundial de 98, França!



O modelo que apresento hoje é um dos uniformes mais peculiares que "Les Bleus" já usaram. Mais do que isso, marcava a estreia da Nike como fornecedora do time francês depois de quase quatro décadas vestindo Adidas. Era estranho ver a França sem as três listras da Adidas no ombro, ainda mais depois de uniformes icônicos como o da Euro 1984, o da Copa de 1998 (inspirado no anterior citado) e o da Euro 2000, os três títulos mais importantes da seleção. Até a Copa de 2010, onde a França amargou o vexame de ser eliminada na fase de grupos do torneio, as três listras ainda estavam presentes no uniforme francês. Mas já se sabia, naquela época, que o reinado dos alemães acabaria naquele ano. O contrato com a Nike já estava fechado desde 2009 e no início de 2011 finalmente conheceríamos os novos uniformes da França, já sem a "eterna" Adidas.



O uniforme branco listrado de azul da Mantoteca é o uniforme reserva que foi lançado naquele início de ano. Como era moda nas camisas da Nike naquela época, havia uma mensagem na parte de dentro do escudo dizendo "Nos Differences Nous Unissent", traduzindo, "nossas diferenças nos unem".



Se o uniforme reserva daquele ano mostrava uma elegância que é símbolo da França, o uniforme titular também não ficava atrás. Com sua grande góla pólo e suas mangas dobráveis (vermelhas por dentro e azuis por fora), a nova camisa titular era também discreta e charmosa, ao contrário do último modelo feito pela Adidas, com grafismos bem indiscretos, mas interessantes. A Nike chegava com tudo.

A estreia do uniforme novo da Nike foi num amistoso em Paris, contra o Brasil, em Fevereiro de 2011. Assim como na final da Copa de 98, os franceses mantiveram a escrita de nunca perder para os brasileiros desde 1992 (série que seria interrompida no ano passado), 1x0 com gol do artilheiro Benzema.

A camisa nova também entrava junto com a França nas eliminatórias da Euro 2012, que haviam começado no final de 2010. Ainda com a camisa anterior, os franceses estrearam com uma derrota surpreendente para a Bielorrússia em Paris por 1x0, mas deram a volta por cima após vencerem a Bósnia por 2x0 em Sarajevo, e também Romênia e Luxemburgo, ambos em território francês e também pelo mesmo placar de dois gols a zero.

Em 25 de Março de 2011, a França voltava a encarar a fraca seleção de Luxemburgo, dessa vez usando o uniforme novo da Nike. Ganhou novamente de 2x0, gols de Mexés e Gourcuff, jogando no pequeno Grão-Ducado. Mas, na estreia do uniforme reserva retratado aqui em outro jogo qualificatório, tropeçaria novamente na Bielorrússia, dessa vez jogando na fria cidade de Minsk. Abidal marcou contra e Malouda dois minutos depois empatou a partida. Abaixo, uma foto da partida, do site sulekha.com.



Adversária que ainda não tinha sido enfrentada ainda no grupo, a Albânia encararia os franceses em Setembro de 2011. Jogando na capital Tirana, Benzema e M'Vila abriram rapidamente o placar em 2x0 para os "Bleus". No início do 2o tempo, Bogdani diminuiria, mas ficaria por isso mesmo. Mais uma vitória francesa, que já começava a ser ameaçada na liderança de seu grupo pela Bósnia, cada vez mais embalada. Dias depois, a França tropeçaria novamente, só que dessa vez na Romênia. O empate em 0x0 em Paris e a vitória dos bósnios sobre a Bielorrússia deixava o time da ex-Iugoslávia encostado nos franceses por apenas um ponto.

 A França tinha que ganhar da Albânia para continuar isolada na liderança. Outro empate poderia deixar a Bósnia ultrapassar os franceses na classificação e jogá-los para a repescagem, caso vencessem o jogo deles. A França fez sua parte: em Paris, já em Outubro de 2011, fez um fácil 3x0 com gols de Malouda, Remy e Reveillere. A Bósnia também: enfiou 5x0 em Luxemburgo na partida disputada em Sarajevo. Os dois se enfrentariam na próxima e última rodada, decidindo diretamente a classificação. As outras seleções do grupo já não tinham mais chances de classificarem-se.

A Bósnia chegou a Paris realmente mostrando que queria classificar-se sem encarar a repescagem. O atacante do Manchester City, Edin Dzeko, abriu o placar aos 40 minutos da primeira etapa, remetendo os franceses a episódios recentes nada agradáveis, como a eliminação precoce na Copa do Mundo de 2010 e até mesmo outros capítulos anteriores de fracassos em casa, como na derrota para a Bulgária nas eliminatórias da Copa de 1994. O pânico continuou até os 33 minutos do 2o tempo, quando a França teve um pênalti a seu favor. Samir Nasri, parceiro de Dzeko no City, empatou o jogo. O resultado era favorável aos franceses. E mesmo com o medo de surgir um novo Ginola que entregasse a bola do jogo no último minuto, acabaria tudo igual: 1x1 e França classificada para tentar o Tricampeonato Europeu.


A Bósnia foi para a repescagem, mas não conseguiu deter Portugal e Cristiano Ronaldo. Segurou um empate sem gols em casa, mas levou um massacre de 6x2 em Lisboa, com dois gols do consagrado camisa 7. Apesar da eliminação, os bósnios que fizeram uma surpreendente campanha conseguiriam vir para o Brasil, mas essa seria outra história...

As primeiras camisas da Nike para a França tiveram vida curta. Já no início de 2012, a branca foi substituida por outra, também bastante elegante. A titular azul foi substituída por um interessante modelo, que usava detalhes dourados, porém possuía pouquíssimos detalhes vermelhos. O calção e as meias desse novo kit titular eram azuis também, o que gerou críticas imensas, já que a França tradicionalmente usa o calção branco e as meias vermelhas, formando as 3 cores da bandeira no conjunto. Mas o uniforme era belo. Tão belo que veio parar aqui na Mantoteca também, ó:


A França fracassaria na sua tentativa de tricampeonato em 2012 (a Espanha é que conseguiria o feito). O resto da história já é mais atual: suou nas eliminatórias para o Brasil, classificando-se nos playoffs contra a Ucrânia, mostrando que ainda é uma seleção limitada, apesar de sua tradição. Mas na Copa do Mundo nunca se sabe.

Até a próxima!

segunda-feira, 7 de abril de 2014

[Série Copa do Mundo 2014] Suíça 2004-05 - Eterno ferrolho.

Depois de interrupções (só para variar), volto com a Série Copa. Agora, com a cabeça-de-chave do Grupo E, a Suíça!


A camisa que tenho aqui é uma das imensas exceções da minha coleção. É uma camisa tamanho P, ou seja, não posso vesti-la. Mas tenho um excelente motivo para guardá-la: foi um presente de uma amiga que mora em Zurique.


O dia em que ganhei essa camisa também foi muito especial para os suíços. Afinal, foi no dia em que a seleção do país deles ganhou o direito de disputar a Copa do Mundo no Brasil, após vencer a Albânia em Tirana. Assisti ao jogo com a amiga citada acima, ela ficou tão emocionada com a classificação de seu país para a Copa que até chorou emocionada. E não foi só ela, a reação dos suíços em geral era de euforia. Tanto que na minha coleção, que não se restringe só a camisas, está o principal jornal do país no dia seguinte ao do jogo: parecia que os suíços nem precisavam ganhar a Copa, pois a classificação para o certame já era como um título.  Segue a foto da capa do jornal:


Mas creio que o motivo principal de ter recebido essa camisa não foi pelo fato da eufórica comemoração da classificação para a Copa. Talvez por um detalhe na parte de trás, que justifique tudo. Minha amiga é torcedora fanática do Grasshoppers, e a camisa que ganhei tem o nome e número do zagueiro Ludovic Magnin, que encerrou sua carreira em 2012 vestindo justamente a camisa do arquirrival dos "Gafanhotos", o FC Zurich. Conseguiu matar dois coelhos com uma cajadada só: livrou-se da camisa de um ex-jogador do time rival e ainda deu um presente para o amigo guardar na sua coleção. E continuará guardado, mesmo sem poder usá-la. Presente é presente. Ainda mais se é mais camisa pro acervo.



Sobre a camisa, ela é de 2004, ano da Eurocopa que foi disputada em Portugal. Nomes como os dos atacantes Frei e Chapuisat, do próprio Magnin (que usou a 14 no torneio), além de outros jogadores como os irmãos Yakin, Gygax, Barnetta e Vonlanthen eram nomes conhecidos daquela seleção treinada pelo Köbi Kuhn, que era treinador dos suíços desde 2001. A Suíça classificou-se como líder no seu grupo das eliminatórias, num grupo que contava com a Rússia, Irlanda, Albânia e Geórgia. Lembrando que a Suíça não conseguiu classificar-se para a Copa do Mundo de 2002, feito que russos e irlandeses conseguiram.

O grupo em que os suíços caíram na fase final da Euro era bem mais difícil. Afinal, já contava com duas pedreiras: França e Inglaterra. Além da Croácia, que mesmo já não sendo aquela de 8 anos atrás, ainda era temida. O primeiro duelo seria contra os croatas na cidade de Leiria, que vinham com jogadores como os atacantes Olic e Prso. Mesmo assim, a Suíça honrou sua tradição de jogo recuado e assim ficou: um modorrento 0x0 onde a maior "emoção" foi a expulsão do meia suíço Vogel.

Site da foto: http://www.santabanta.com/gallery/sports/euro-2004/switzerland%60s-christoph-spycher-is-tackled-by-croa/6996/

Já na cidade universitária de Coimbra, no dia 17 de Junho, a Suíça não conseguiu segurar a Inglaterra. Wayne Rooney, na época com 18 anos, abriu o placar aos 23 do 1o tempo. Demoraria, mas o próprio Rooney faria o seu segundo na partida aos 30 do 2o tempo. Steven Gerrard deu números finais ao jogo no minuto 37: 3x0. O ferrolho foi desfeito com facilidade pelos ingleses. No vídeo abaixo, pode-se conferir os 2 gols que o jovem Rooney (que ainda jogava no Everton!) fez naquele jogo.


Mesmo com a derrota, a Suíça ainda tinha chances de se qualificar no último jogo. O empate entre Inglaterra e França na 1a rodada e entre França e Croácia na 2a rodada deixava os suíços necessitando de uma improvável vitória contra os franceses para conseguir avançar até o mata-mata. Mas será que vencer um time com jogadores como Thuram, Lizarazu, Makélélé, Vieira, Trezeguet, Henry e o craque Zidane seria possível com a aparente estratégia eterna da Suíça de jogar na retranca? O próprio camisa 10 francês deu a resposta aos 20 do 1o tempo, em Coimbra, abrindo o placar naquele dia 21 de Junho. Mas o atacante Vonlanthen empatou seis minutos depois e deixou tudo em aberto. Mesmo com uma boa linha de frente, a França não conseguia penetrar mais na retranca suíça. Mas a estrela de Thierry Henry, que vivia uma fase magnífica no Arsenal (havia acabado de ser campeão invicto com os ingleses na Premier League), brilhou mais alto. Fez o gol de desempate aos 31 e o 3o gol aos 39 do 2o tempo, classificando os franceses e eliminando os suíços daquela Euro.

Foto: Getty Images

Por ironia do destino, outra seleção que se apoiava na retranca acabaria ganhando aquele torneio: a Grécia, mas essa é outra história. O que importava é que naquele ano de 2004, além da dura eliminação, fazia  10 anos que a Suíça não frequentava uma Copa do Mundo. E naquele ano ainda começariam as eliminatórias para a Copa de 2006, na vizinha Alemanha. Era hora de voltar para o Mundial. E não seria fácil, já que a mesma França responsável pela eliminação do time na Euro seria um dos adversários do grupo eliminatório. A Irlanda, buscando ir para mais uma Copa consecutiva, também queria o seu lugar ao sol. Israel, Chipre e  Ilhas Faroe ficariam só assistindo, provavelmente.

A Suíça, no dia 9 de Setembro, ganhou três pontos de presente. Mesmo na retranca, era absolutamente loucura pensar que a fraca seleção das Ilhas Faroe conseguiria tirar ponto no jogo que ocorreria na Basiléia. E o resultado foi exatamente o esperado: 6x0 para a Suíça, com dois "hat-tricks", um de Vonlanthen e outro de Alexandre Rey.

O jogo seguinte, 4 dias depois, também na Basiléia, era mais complicado. A Irlanda também é uma adepta da retranca, resumindo, o prognóstico mais óbvio era o empate. Até que o gol saiu cedo, com Morrison abrindo o placar para os visitantes, aos 8 da etapa inicial. Nove minutos depois, Hakan Yakin empatou. E não saiu disso. Quem apostou no empate, se deu bem: 1x1.

Um mês depois, era hora de embarcar até o Oriente Médio e encarar Israel na Terra Santa. O roteiro do jogo contra a Irlanda parecia se repetir: o meia Benayoun (antes de ir para o futebol inglês) abriu o placar no comecinho, aos 9 minutos. Frei empatou aos 26 daquela etapa, mas Vonlanthen viraria o jogo oito minutos depois. Os suíços terminaram o primeiro tempo em vantagem, mas logo quando o segundo tempo começou, aos 3 minutos, Benayoun fez o seu segundo no jogo. E quando parecia que o jogo esquentaria de vez, o segundo tempo passou daquele jeito até acabar. Mais um empate, dessa vez em 2x2.

A Suíça faria o seu próximo jogo apenas em Março de 2005. Mas seria "o jogo". Afinal, de todos os confrontos previstos, era evidente que enfrentar a França no Stade de France não era tarefa nada fácil. Apesar da imensa expectativa, o jogo foi muito fraco, mas a Suíça conseguiu sair com um ponto do país vizinho: o 0x0 só foi feio para quem assistiu.

Ainda no fim daquele mês de Março, a Suíça voltava a jogar em casa. Vencer o Chipre em Zurique era importante, até para quebrar a sequência de 3 jogos sem vencer (embora ainda estivessem invictos nas Eliminatórias). Já no apagar das luzes, Alexander Frei fez o seu gol aos 42 do 2o tempo, e fez enfim a Suíça conquistar sua segunda vitória no torneio.

Em Junho de 2005, a Suíça voltava em campo de novo. Dessa vez foi até as Ilhas Faroe começar o returno. Wicky abriu o placar aos 25 da 1a etapa, mas Jacobsen empatou aos 25 do 2o tempo. Mesmo fora de casa, mesmo com seu estilo de jogo defensivo, era inadmissível perder ponto para um dos mais notórios saco-de-pancadas da Europa. E Frei novamente foi decisivo: dois minutos depois do empate, ele desempatou a partida e ainda fechou a conta marcando aos 39. Terceira vitória dos suíços.

Em Setembro, os israelitas desembarcavam na Basiléia. A Seleção de Israel estava firme na briga para a classificação, ao contrário do que se pensava. Era ameaça inclusive aos franceses e irlandeses. A Suíça parecia ter entrado no caminho das vitórias, com o gol de Frei logo aos 6 minutos de jogo, após um lance muito esquisito. Mas ainda no primeiro tempo, Keisi empatou. Ao contrário do jogo de ida, não houve maior tentativa de reação. Os dois times terminaram empatados, invictos nas Eliminatórias e firmes na briga para a classificação.

O Chipre também era candidato a apanhar muito nas eliminatórias, mas costuma fazer um jogo mais duro quando joga na sua ilha. Dias depois do empate com Israel, os suíços abriam o placar em Nicósia com Frei, aos 15 minutos do 1o tempo. Mas o cipriota Aloneftis logo empatou, aos 35 daquele tempo. Já era o 3o jogo seguido que a Suíça abria o placar e levava o empate logo em seguida. Por falar no placar, esse ficou inalterado até os 26 da etapa final, quando Senderos desempatou para a Suíça. E Gygax fez mais um, aos 39, repetindo o placar da vitória contra as Ilhas Faroe e deixando a seleção ainda brigando firme para a vaga direta na Copa.

Em Outubro, era hora do returno contra a França. Se o empate em Paris foi possível, uma vitória em Berna seria totalmente cogitável. O primeiro tempo terminou 0x0. Mas Djibril Cissé logo abriu o placar aos 8 da segunda etapa, o que já deixava a França com as duas mãos na liderança do grupo e a vaga direta. Isso se o sujeito que estampa o nome na camisa que está na Mantoteca, Magnin, não fizesse o gol de empate aos 35. E terminaria assim. Tudo se resolveria na última rodada, Israel já estava eliminada após essa rodada, deixando Suíça, França e Irlanda brigando para ver quem carimbaria o passaporte para a Alemanha, quem pegaria a repescagem e quem assistiria a Copa na TV.

Dublin, 12 de Outubro de 2005. Ali a Suíça poderia voltar a frequentar uma Copa depois de 12 anos. A Irlanda poderia classificar-se novamente e tentar surpreender, como fizera em 2002, quando foi barrada pela Espanha apenas nos pênaltis nas oitavas de final. Mas nem a vitória seria suficiente para garantir um dos dois. O adversário da França era o Chipre, a vitória francesa faria os azuis terminarem com 20 pontos, que é o máximo que a Suíça poderia fazer, se vencer a Irlanda. O desempate seria no saldo de gols. Os irlandeses estavam em situação mais crítica. Chegariam a 19 pontos se vencessem, mas jogariam a repescagem com vitória da França.

Mesmo com a imensa pressão para uma vitória, a Irlanda não furou a retranca suíça. O jogo terminou 0x0. A França goleou o Chipre por 4x0 e garantiu a liderança, com 20 pontos. A Irlanda, com 17, foi eliminada da Copa. E a Suíça, com 18 pontos, garantiu a vaga na repescagem por ter um saldo de gols maior do que Israel, que também tinha 18 pontos (+11 contra +5). Mesmo com a campanha invicta, a Suíça passou perto de cair fora. E agora ainda tinham os dois jogos da repescagem.

Talvez a tarefa final da Suíça fosse mais difícil do que toda a fase de grupos das Eliminatórias: jogar contra a Turquia, que foi o 3o lugar da última Copa, decidindo fora de casa. Os inúmeros empates não poderiam ocorrer de hipótese nenhuma naquele primeiro jogo, em Berna. E no dia 12 de Novembro, Senderos aliviou o povo suíço marcando aos 41 da primeira etapa. A Turquia, ofensiva, não conseguia passar da forte defesa suíça. E para tranquilizar mais ainda, Behrami ampliou, também aos 41, só que do segundo tempo. Vitória muito boa da Suíça, que poderia perder por um gol em Istambul e ainda tinha a vantagem do gol fora de casa.


O Estádio Sukru Saracoglu, casa do Fenerbahçe, é um caldeirão. Estava lotado de torcedores turcos naquele dia 16 de Novembro. A missão de reverter o resultado da Suíça era muito difícil, já que essa era uma seleção que costumava levar poucos gols (só Israel conseguiu a proeza nas Eliminatórias, e mesmo assim, o jogo terminou empatado). A situação ficou ainda mais feia quando Frei fez um dos seus típicos gols no início do jogo, logo aos 3 minutos, de pênalti. Mas empurrada pela sua fanática torcida, a Turquia partiu para cima. Aos 22, o atacante Tuncay, que atuava justamente no Fener, dono do estádio, empatou. A torcida turca foi ao delírio quando o mesmo Tuncay virou o jogo aos 36. Mas ainda não era o bastante.

No segundo tempo, a Turquia continuava atacando quando sofreu um pênalti. Necati cobrou e marcou o terceiro, aos 8 do 2o tempo. Primeira vez que a Suíça levava três gols numa partida oficial desde o jogo contra a Inglaterra na última Euro. E realmente parecia que os turcos conseguiriam o resultado. Porém, quando a Turquia estava melhor no jogo, os suíços acharam um contra-ataque após falha do time turco, e Streller não perdoou. Aos 39 do 2o tempo, a Suíça fazia o seu segundo gol e de acordo com o critério dos gols qualificados, estava classificada. Aos 44, a Turquia ainda conseguiu fazer um gol legítimo, terceiro gol de Tuncay, o que mudaria novamente a história do jogo, mas um impedimento inexistente assinalado anulou o tento. E embora tenham tentado fazer mais um gol de qualquer maneira, o tempo acabou. A Turquia estava eliminada. A Suíça voltava para a Copa depois de 12 anos!

Indignados com o resultado, os turcos começaram uma briga generalizada no gramado, partindo para cima da arbitragem e dos suíços, por contestarem o pênalti que resultou no gol visitante e pelo gol mal anulado no fim do jogo que daria a vaga ao time local. Desde a hora da execução dos hinos, a tensão já era evidente: uma vaia gigantesca na hora do hino suíço e um coro impressionante cantando junto aos jogadores a intimidadora "Marcha da Independência", o hino turco. Abaixo, vídeos da confusão no jogo e da execução dos hinos



Após conseguir a vaga na difícil batalha de Istambul, a Suíça estava novamente na Copa. E era hora de aposentar o uniforme que a Puma criou para aqueles dois anos. A marca alemã fornece os uniformes da Suíça desde 1998, e fornecerá os uniformes que o time do país dos canivetes e relógios usará aqui. Ao contrário daquele time de quase 10 anos atrás, a Suíça tornou-se mais ofensiva, principalmente por causa de alguns jogadores naturalizados oriundos da ex-Iugoslávia, como o kosovar Xherdan Shaqiri, do Bayern de Munique. Será que o lugar-comum do "ferrolho suíço" terá seu fim no Brasil?

terça-feira, 11 de março de 2014

[Série Copa do Mundo 2014] Itália 1986-1990 - Buscando um sonho real como em 1982

Como disse no tópico anterior, "pularia" algumas seleções por infelizmente ainda não ter camisa delas na coleção. Logo, todas as seleções do Grupo C e 3 seleções do Grupo D foram cortadas. Pois é, não tenho camisas da Inglaterra, do Uruguai e da Costa Rica aqui na Mantoteca (embora esteja correndo atrás da vermelha da Inglaterra de 150 anos e da camisa usada pela Celeste Olímpica na Copa das Confederações 2013). Mas tenho duas da Itália, que foram apresentadas aqui mesmo na Mantoteca no Guia de Compras que fiz sobre o país da bota. E escolhi a belíssima camisa usada pela Squadra Azzurra durante quatro longos anos, de 1986 até 1990.


Essa foi a primeira camisa feita pela Diadora para a seleção de seu país. Após usar a marca francesa Le Coq Sportif na campanha inesquecível de 1982 e no fracasso na Euro 1984, a Diadora assumiu a responsabilidade de fornecer os uniformes da Azzurra. Como de costume, a marca do fornecedor na camisa só aparecia em alguns modelos de loja (costume mantido pela Itália até 2000, quando o símbolo da Kappa apareceu nas mangas do também histórico uniforme daquele ano). Mas a principal mudança foi no desenho do escudo, que foi totalmente modificado e arredondado. As três estrelas das Copas conquistadas foram colocadas dentro do escudo novo. Uma nova alteração seria feita em 1991, quando a Itália remodelou seu escudo para um novo desenho bem mais estranho que duraria até 1999, quando a Kappa retornaria com o escudo clássico (em 2006 o escudo sofreria outra mudança, respeitando o formato original, mas com algumas inovações no desenho. Esse distintivo é usado até hoje). A Diadora ficaria até 1995 com a Itália, dando lugar à Nike, que forneceria até 99, quando a Kappa chegou. Desde 2004, a Itália tem seus uniformes feitos pela alemã Puma.



No caso da minha camisa, o símbolo da Diadora aparece apenas na etiqueta de dentro, como nas camisas de jogo (embora essa seja modelo de loja). Bem simples, como eram as camisas da Itália até 91, quando a marca já aderiu a onda daquela época de aplicar inúmeras marcas d'água geométricas por todo o uniforme. Bom, está na hora de contar a história dos homens que usaram esse uniforme nos gramados.

Sobre 1982, acho que só basta citar palavras-chave como "Melhor Seleção Brasileira dos Últimos 40 Anos", "Zico", "Telê Santana" até passar para outras como "Paolo Rossi". Pois é, essa história de 82 já foi contada e recontada inúmeras vezes, vamos passá-la. A mesma Seleção Italiana que surpreendeu o mundo foi um fiasco ao tentar se classificar para a Euro 1984, ficando atrás da Romênia, Suécia e Tchecoslováquia no grupo eliminatório. Como foi campeã da Copa do Mundo, não precisou disputar as Eliminatórias (regra que valeu até 2002, quando até os campeões do Mundo tiveram que entrar nas disputas continentais pela vaga no Mundial).

O grupo da Itália na Copa de 86 era mediano. A Argentina de Maradona, depois de ter sido eliminada junto com o Brasil em 1982 para a Itália na 2a fase da Copa de 82, estava novamente perante os italianos. O resto não assustava. A Bulgária nunca sequer havia vencido um jogo de Copa e a Coreia do Sul era cogitado como o maior saco de pancadas. Numa época onde até os quatro melhores terceiros colocados de cada grupo se classificavam para o mata-mata, o risco de a Itália ir pra casa mais cedo, mesmo com a tradição italiana de suar para passar da fase de grupos, era ínfimo.

A Itália contava com inúmeros jogadores de 82, como o zagueiro Scirea, o lateral-esquerdo Cabrini, o atacante Altobelli, além do comando de Enzo Bearzot. Paolo Rossi acabou sendo cortado do time por causa de uma lesão. E assim, os italianos estreariam contra a Bulgária, abrindo a Copa no dia 31 de Maio de 1986, no gigantesco Estádio Asteca. Como na maioria dos jogos de abertura das Copas, foi decepcionante: Altobelli chegou a abrir 1x0 no fim do 1o tempo, mas Sirakov empataria para os búlgaros no final do jogo.


O segundo jogo, dia 5 de Junho, na cidade de Puebla, seria contra os temidos argentinos. Os "hermanos" haviam vencido a Coreia por 3x1 na 1a rodada e eram líderes do grupo. E como no primeiro jogo, Altobelli abriu o placar de pênalti, aos 6 do 1o tempo, mas aquele que seria o nome daquela Copa, Diego Armando Maradona, faria o gol de empate, ainda na primeira etapa. Mas "El Pibe" não conseguiu mais fazer nada contra os italianos. E o jogo terminou 1x1 novamente para a Itália.


O terceiro e último jogo da fase de grupos seria contra a fraca Coreia do Sul. A Itália não tinha uma memória boa em relação as Coreias. 20 anos antes, a Coreia do Norte (ela mesma!) impôs uma das maiores zebras futebolísticas da História das Copas ao vencer os italianos por 1x0 na Inglaterra. Então, todo cuidado seria pouco. Novamente, Altobelli inaugurou o marcador naquele dia, aos 17 do primeiro tempo. Mas aquele dia 10 de Junho mostraria ao mundo novamente a velha tradição italiana de sempre passar dificuldades nas fases de grupo. A Coreia empatou aos 17 do segundo tempo. Altobelli desempataria 11 minutos depois e outro sul-coreano aumentaria a fatura marcando contra. Parecia fácil? A Coreia marcaria um gol a favor no minuto seguinte. E os italianos só acreditariam naquela primeira vitória no torneio quando o juiz apitou o final da partida. A Argentina venceria a Bulgária por 2x0 e classificaria-se em primeiro e a Itália, com a vitória na rodada final, foi para a fase de mata-mata como 2a melhor de seu grupo. No final, até a fraca Bulgária com míseros 2 pontos conseguiria sua vaga na fase eliminatória por ter sido uma das melhores seleções na 3a colocação.


A Itália enfrentaria um adversário forte logo nas oitavas: a França de Michel Platini, que ostentava o título de melhor seleção da Europa naquela época, afinal, era a Campeã da Euro 1984. E o atual presidente da UEFA e ídolo da italiana Juventus foi quem inaugurou o placar naquele dia, aos 15 minutos. Jogando no Estádio do Pumas UNAM, na Cidade do México, a Itália não conseguiu segurar os vizinhos franceses. Stopyra, atacante francês, ampliou o placar no segundo tempo. Os italianos davam adeus à chance de conquistar o Tetra e ser a seleção mais vitoriosa de todas. A França? Também tiraria a mesma esperança do Brasil na fase seguinte e seria parada pela Alemanha Ocidental na semifinal, como em 1982. Mal sabiam os franceses que 20 anos depois teriam o troco dado pelos italianos, mas essa é outra história.


A Copa de 1990 seria muito especial. Afinal, ocorreria na própria Itália, assim como em 1934, na época de Mussolini. Mas antes dela ainda havia a Euro 1988, na Alemanha Ocidental. E dessa vez, a Itália conseguiu sua classificação, sendo líder num grupo que tinha Suécia, Portugal, Suíça e Malta, com seis vitórias, um empate e apenas uma derrota, para os suecos. O que permitiu o acesso italiano ao torneio europeu.

A estreia italiana seria logo contra os donos da casa, no dia 10 de Junho de 1988, em Düsseldorf. A freguesia alemã perante os italianos, que já era notável desde aquela época, poderia ser um fator importante. E parecia que a sina continuaria: Roberto Mancini abriria 1x0 aos 7 minutos, mas Andreas Brehme logo empatava em 1x1 três minutos depois. Se a Alemanha Ocidental continuava sem vencer os italianos, pelo menos não perdeu em casa. Destaque para o uniforme usado pelos alemães: é o modelo clássico da Adidas que seria eternizado em 1990.


A Itália encarava a Espanha na segunda rodada, em Frankfurt. A vice-campeã da Euro anterior não segurou os italianos e Gianluca Vialli fez o único gol do jogo.


Para não passar sufoco na última rodada, era quase obrigatório deter a Dinamarca, que ainda era idolatrada como a "Dinamáquina" que encantou o mundo no ano anterior. Altobelli e De Agostini fizeram os gols italianos, no 2o tempo da partida em Colônia, selando a classificação. Ficaram em 2o lugar, atrás da Alemanha Ocidental por ter um gol a menos no saldo de gols.

Naquela época, a Euro era mais enxuta, com menos times. Então, a Itália classificou-se para enfrentar o temido líder do outro grupo do torneio nas semis, a União Soviética. O sonho de quebrar o jejum de 20 anos sem ganhar o torneio europeu acabou perante os soviéticos em Stuttgart. Dois jogadores ucranianos da URSS fizeram os tentos que desqualificaram o time do torneio, Lytovchenko e Protasov, ambos atuavam no Dínamo de Kiev, que possuía relevância considerável no cenário europeu na época (foi campeão da Recopa Europeia 2 anos antes). E a Itália então começaria a se preparar para a Copa que iria sediar.


Naquela época já era comum as seleções trocarem de uniforme para disputar a Copa. O Brasil aposentou o uniforme de 1986 e lançou um novo para 1990 depois de sair bem-sucedido nas Eliminatórias, com Fogueteira e tudo. A Holanda, que foi campeã da Euro 88 com um icônico uniforme estampado, trocou a indumentária por uma mais clássica para a Copa. A Itália foi na contramão, mantendo o uniforme dos fracassos de 86 e 88 para ser usado no torneio. A Alemanha, como citado acima, também manteve a camisa da Euro 1988 para a disputa da Copa de 90.

O Grupo A da Copa, onde a Itália estrearia buscando o Tetra, contava com forças decadentes como a Tchecoslováquia e Áustria, além dos Estados Unidos, voltando a disputar um Mundial depois de 40 anos. Desde 1986, Azeglio Vicini era o técnico da Itália, depois de ter treinado as categorias de base da Azzurra. A Série A italiana vivia um de seus melhores momentos, com times históricos como o Milan dos holandeses, a Inter dos alemães, o Napoli de Maradona e Careca, a Sampdoria, além de outras forças. E o fato de ter muitos estrangeiros nos clubes italianos não quer dizer nada. Jogadores italianos também estavam numa boa fase. É o caso de Franco Baresi, Maldini, Ancellotti e Donadoni, do Milan; Zenga e Serena, da Inter; De Napoli e Carnevale, do Napoli; Vierchowod, da Sampdoria; Roberto Baggio, da Fiorentina; além de um tal de Salvatore Schillaci, que estava na Juventus mas destinado a esquentar o banco naquele Mundial.

Em Roma, dia 9 de Junho de 1990, a Itália estreava contra a Áustria. Rivais históricos, por causa das disputas territoriais do passado, começavam a batalhar na bola. O ataque titular italiano, com Vialli e Carnevale, não conseguiu furar a defesa austríaca. Então, aos 31 minutos, o atacante do Napoli foi substituído por Schillaci. E foi logo o atacante da Juve que abriu o placar, dois minutos depois. E a Itália conseguia sua primeira vitória no torneio. Destaque para o interessantíssimo uniforme da Áustria, fornecido pela Puma, com um grafismo hipnotizante na parte da frente.


Os Estados Unidos, que foram triturados pela Tchecoslováquia no primeiro jogo por 5x1, eram os próximos rivais da Itália. De novo mandando o jogo na capital nacional, os italianos não venceram os americanos com tanta facilidade quanto os tchecoslovacos, mas o gol de Giannini no começo do jogo já bastou para assegurar a vitória.


A vitória da Tchecoslováquia sobre a Áustria por 1x0 classificava por antecipação os italianos para a fase de mata-mata. Mas jogando em casa, não dava para fazer feio. E então, a Itália bateria os tchecoslovacos por 2x0 no último jogo da fase de grupos, classificando-se em primeiro (e sem dificuldades!). Salvatore Schillaci, que começou os dois primeiros jogos no banco, foi promovido à titular e fez o primeiro gol logo aos 9 minutos do 1o tempo. O segundo gol foi de Roberto Baggio, aos 33 minutos do 2o tempo.


Nas oitavas-de-final, um duelo de Campeões Mundiais. A Itália enfrentaria o Uruguai de Hugo de León, Enzo Francescoli e Rúben Sosa. A Celeste Olímpica havia sido vice-campeã da Copa América de 1989, e ainda tinha certo respeito na América Latina. Uma das bases do Uruguai de 90 era o Nacional que ganhou a Libertadores de 1988 e o Mundial de Clubes do mesmo ano. Ou seja, jogo que prometia dificuldades. Mais uma vez jogando em Roma, a Itália apenas abriu o placar no 2o tempo. Autor do gol? Schillaci. O ex-reserva já fazia o seu 3o na competição. Aldo Serena ampliaria aos 38 e o sonho do tri uruguaio acabaria sendo estendido até os dias atuais.


O próximo adversário italiano não parecia tão assustador. A Irlanda, apesar da boa fase de grupos que fez, passou da Romênia apenas nos pênaltis. Era um time que sabia se defender bem. Mas não segurou Schillaci, que mais uma vez deixava sua marca na competição, aos 38 do 1o tempo. Num jogo predominantemente defensivo, acabou prevalecendo a força dos donos da casa. A Itália estava há apenas dois jogos do Tetra Mundial, e apenas ela poderia conquistar essa honraria, já que o Brasil foi eliminado pela Argentina ainda nas oitavas.

Por falar em Argentina, era a própria que aparecia no caminho da Itália mais uma vez. Eliminou a Iugoslávia nos pênaltis, com atuação memorável do goleiro Goycochea. Aquele também seria o primeiro jogo em que a Itália jogaria fora de Roma. A partida seria realizada no Estádio San Paolo, em Nápoles. Isso gerou uma declaração polêmica de Maradona, ídolo do clube local, que afirmou que os torcedores napolitanos torceriam a favor da Argentina por sua causa. Ledo engano. Maradona foi vaiado como nunca naquele jogo, inclusive pelos mais fanáticos torcedores do Napoli. E o roteiro daquela semifinal começou bem: Schillaci marcava seu sexto gol pela Itália, abrindo o placar logo aos 17 minutos da 1a etapa. A Argentina, muito dependente do seu camisa 10, não conseguia passar pela forte zaga italiana. Mas Claudio Caniggia, aos 12 do 2o tempo conseguiu a brecha para fazer o empate. E mesmo com uma prorrogação que durou oito minutos a mais porque o juiz "não prestou atenção ao seu relógio", não saiu mais gol naquele jogo.

A disputa seria nos pênaltis. A Argentina já havia levado o jogo anterior até a série penal. O primeiro pênalti seria cobrado pela Itália, pelo zagueiro Franco Baresi. Goycochea de um lado, bola para o outro, 1x0 Itália. Serrizuela chutou com força, Zenga foi pro lado errado e empatou a série. No segundo pênalti italiano, Roberto Baggio cobrou, Goycochea chegou a espalmar a bola, mas a gorduchinha acabou indo para dentro das redes (é, Baggio e Baresi já acertaram pênaltis, ao contrário do que 1994 mostraria). Burruchaga empatou, mandando a bola para o lado oposto de Zenga, 2x2. De Agostini recolocou a Itália na frente, num chute onde por muito pouco o goleiro argentino não pegou. Olarticochea (aquele que deu água batizada pro Branco) chutou bem no meio, Zenga foi para a esquerda, 3x3.

A disputa de pênaltis parecia que seria interminável como aquele jogo no tempo normal e na prorrogação, até a hora em que Donadoni chegou para a sua cobrança. O jogador do Milan chutou para a direita, mas Goycochea conseguiu espalmar, dessa vez para fora do gol. Tudo o que a Argentina queria. Foi então que o craque Maradona chegou para realizar sua cobrança, todos na expectativa, já que é algo frequente no futebol vermos craques desperdiçarem pênaltis em decisões, exemplos não faltam. Com categoria, bateu rasteiro à esquerda, enquanto Zenga errou mais uma vez o canto. A Argentina passava à frente da Itália na série. Aldo Serena carregava um peso imenso nas costas: era obrigação acertar o pênalti para manter a Azzurra viva na disputa. Bateu no mesmo canto em que Donadoni chutou, e de novo Goycochea pegou. A Itália estava eliminada da sua Copa do Mundo.


Ao invés da finalíssima em Roma, a Itália disputaria o terceiro lugar da Copa na pequena cidade de Bari. Vencer a Inglaterra, que havia sido eliminada pela Alemanha Ocidental, não seria motivo de festa, mas uma derrota faria tudo ficar mais melancólico. A Inglaterra, que estava satisfeita pela campanha feita, até jogou mais (o "English Team" estava numa crise sem precedentes antes da classificação para a Copa de 90). Mas quem abriu o placar foi Baggio, aos 26 do 2o tempo. David Platt ainda empatou aos 36, mas Schillaci, num pênalti aos 41 minutos, fez o gol da vitória e o gol que selou sua artilharia no torneio. Os italianos não tinham muito o que comemorar, mas Salvatore Schillaci podia fazer sua festa: saiu do banco para virar o maior marcador da Copa do Mundo disputada em seu país. Enquanto os italianos nem celebraram tanto a vitória em Bari, os ingleses fizeram uma recepção calorosa ao 4o lugar da Copa de 1990 no retorno deles à Londres. Enquanto isso, em Roma, qualquer um dos finalistas empataria com a Itália em número de títulos mundiais se vencesse. A Alemanha Ocidental (no último ano da divisão das Alemanhas) foi a vencedora e virou a 3a seleção a ser Tricampeã Mundial.


Depois do fracasso em casa, a Itália aposentou o uniforme que ficou quatro anos em serviço. Mas mesmo com novos uniformes, passaria maus momentos naquela década. A final de 1994 contra o Brasil foi um deles, mais uma derrota nos pênaltis. A final da Euro 2000 contra a França (que também havia eliminado-os da Copa de 1998) também foi dolorosa. E a eliminação para a Coreia do Sul em 2002? O Tetra tão perseguido desde 1986 só viria 20 anos depois, quando a Itália enfim deu o troco nos algozes franceses e no trauma dos pênaltis. Apesar disso, faria uma campanha vergonhosa em 2010, saindo na fase de grupos. E na Euro 2012 levaria uma surra histórica de 4x0 da Espanha na final.

 Mas mesmo assim, os italianos chegam à 2014 sempre com o respeito que conquistaram ao longo de tantas vitórias e derrotas. Estão num grupo complicado, com dois dos adversários que foram batidos na Copa de 90 (Inglaterra e Uruguai) além da incógnita Costa Rica. Será que a Itália conseguirá empatar com a Seleção Brasileira em número de títulos mundiais em pleno Brasil? Enquanto a Copa não vêm, seguiremos com a Série Copa do Mundo 2014, contando as histórias dos times que estão nesse Mundial com as camisas da Mantoteca. Continue acompanhando!

quarta-feira, 5 de março de 2014

[Série Copa do Mundo 2014] Chile 2010 - A velha sina de figurante

Como prometido, trago aqui hoje a continuação da Série Copa do Mundo 2014, onde falarei da 3a seleção do Grupo B, o Chile. Eterno figurante em Copas, o time do país com maior IDH da América do Sul conseguiu o seu melhor desempenho em 1962, quando terminou em 3o lugar na Copa que foi sediada justamente em território chileno. Fora isso, não guarda muitos momentos memoráveis no certame mundial. Até hoje a "Roja" não tem sequer uma Copa América na sua sala de troféus.

Na Mantoteca, guardo uma camisa do Chile bem interessante. Consegui-a após trocar uma camisa do Atlético Paranaense com um chileno em Santiago, no final de 2012. A camisa era da temporada anterior, mas mesmo assim estava intacta. Se hoje é a alemã Puma que fornece o time chileno, de 2003 até 2010 uma fornecedora local chamada Brooks foi a responsável por confeccionar a camisa da seleção nacional. E mesmo sendo pouco conhecida fora de suas fronteiras, a marca confeccionou um uniforme bonito e de boa qualidade para a disputa do Mundial de 2010 na África do Sul. É o exemplar que tenho aqui.


A camisa tem uns detalhes bem interessantes, como os detalhes em cor de cobre, mineral abundante no país (e que é a razão do nome de times chilenos conhecidos como Cobreloa e Cobresal). Na parte interna da gola dá para ler a frase "Con el fútbol todos ganamos".



O Chile caiu num grupo complicado na Copa de 2010. Afinal, a Espanha era Campeã da Euro de 2 anos antes e tinha um certo favoritismo (e lá estão eles no mesmo grupo de novo em 2014). A Suíça com seu ferrolho prometia ser dureza. Só Honduras não assustava. Era um desafio para o time treinado pelo ofensivo técnico argentino Marcelo "El Loco" Bielsa, que contava com jogadores como o lateral-esquerdo Arturo Vidal, os meias Matías Fernandez e Jorge Valdívia, além do centroavante Alexis Sanchez.

O primeiro jogo, dia 16 de Junho, foi contra o azarão Honduras. E mesmo com uma seleção mais fraca, os hondurenhos fizeram um jogo duro contra os chilenos. O único gol de Jean Beausejour, aos 34 do primeiro tempo, foi o suficiente pra garantir os 3 pontos para o time. Enquanto isso, a Suíça surpreendia a Espanha e venceu os campeões europeus também por 1x0.


O jogo contra a Suíça, dia 21 de Junho, seria essencial para manter o sonho da classificação para o mata-mata vivo. Depois de ter vencido os espanhóis, os suíços entraram com certo favoritismo contra os chilenos. Num jogo de ataque contra defesa, o Chile saiu por cima com sua ofensividade, com gol do meia Mark González, que quebrava uma invencibilidade suíça de não levar gols na Copa desde 2006. A vitória de 1x0 deixava os chilenos mais perto das Oitavas. E a Espanha venceu Honduras por 2x0, conseguindo os primeiros pontos no grupo e eliminando os centro-americanos.


Um empate contra a Espanha bastaria para a classificação. Mas os espanhóis precisavam da vitória, já que um triunfo suíço sobre Honduras poderia tirar os espanhóis na primeira fase, caso não vencessem. E num jogo bem disputado, embora a Espanha jogasse melhor, os chilenos conseguiram se impôr com bastante raça.  Não evitaram o gol de David Villa, aos 24 do 1o tempo e de Andrés Iniesta, 13 minutos depois. Mas logo no início do 2o tempo, Rodrigo Millar diminuiu, e o Chile teve ótimas chances de empatar. Fim de jogo: a Espanha atingia seu objetivo com a vitória de 2x1. E para a sorte dos chilenos, a Suíça ficou no 0x0 com Honduras, classificando-se em 2o lugar. A "Roja" voltava a disputar um mata-mata na Copa do Mundo depois de 12 anos. Aquela também foi também a última vez em que o Chile havia se classificado para o Mundial, ainda com Salas e Zamorano no time. Abaixo, os atuais companheiros de Barcelona, Sánchez e Piqué, disputando uma bola.


Se foi em 1998 a última vez que o Chile foi às oitavas-de-final da Copa, o adversário seria justamente o mesmo daquela ocasião. E as memórias não eram nada agradáveis. Afinal, tanto os chilenos quanto nós, brasileiros, lembramos muito bem daquele massacre de 4x1 que o Brasil comandado por Zagallo aplicou na seleção vermelha. Mas a história era um pouco diferente em 2010, a Seleção Brasileira ainda era vista com certa desconfiança pelo torcedor, ao contrário de 98, enquanto os chilenos estavam prontos e ansiosos para interromper uma série de vitórias, todas elas de goleada, impostas pelo Brasil durante a primeira década do Século XXI.

O jogo contra o Brasil começou equilibrado. Em alguns momentos parecia até que o Chile enfim conseguiria interromper a série de vitórias brasileiras. Até um escanteio aos 35 do 1o tempo, onde o zagueiro Juan subiu mais alto que toda a zaga chilena e cabeceou sem chances para o goleiro. Ainda atordoado pelo primeiro gol, três minutos depois Luis Fabiano ampliou o marcador. Então o domínio passou todo pelo time comandado por Dunga, que ainda faria o 3o gol aos 14 minutos do 2o tempo com Robinho. Ficaria por isso aí, 3x0 para o Brasil. Chile eliminado da Copa do Mundo e de novo surrado pelos canarinhos.


A camisa usada na Copa do Mundo teve uma vida muito breve. Ainda no fim de 2010 a Puma entrava como fornecedora do Chile e lançava seus primeiros uniformes para "La Roja". Hoje, os chilenos estrearam seu novo uniforme da Puma para a Copa de 2014 contra a Alemanha (vestida com o uniforme reserva supostamente inspirado no Flamengo). Perderam de 1x0 em Stuttgart, mas mostraram que estão mais fortes que há 4 anos atrás e que poderão até surpreender os favoritos de seu grupo, Espanha e Holanda.

E aí, será que o Chile, depois de ter esperado 52 anos para voltar a disputar uma Copa na América do Sul (falharam ao se classificar para a Argentina em 78), vai conseguir sair da figuração e chegar, quem sabe, até as semifinais, como naquela vez? Aguardemos.

Enquanto isso a Série Copa do Mundo segue em frente. A Austrália infelizmente será pulada, pois no momento ainda não tenho uma camisa dos "Socceroos" (quero uma reserva azul de 2010, se alguém tem pra vender...), além do Grupo C inteiro (Colômbia, Costa do Marfim, Grécia e Japão) e de mais da metade do grupo D. O próximo post será sobre a Itália, único integrante do Grupo D que possuo camisas de seleção. E a camisa da Azzurra que tenho aqui é muito especial e tem uma história muito boa! Continuem ligados!



domingo, 23 de fevereiro de 2014

[Série Copa do Mundo 2014] Espanha 1996/97 - O calvário ibérico

Enfim, depois de várias interrupções, prossigo com a série que comecei no fim do ano passado, onde disse que falaria sobre os uniformes das Seleções que jogarão a Copa de 2014 que estão aqui na Mantoteca.

Hoje a Espanha é unanimidade. Ganhou as duas últimas Eurocopas (além de ter outra de 1964, somando 3 títulos europeus, maior campeã do continente junto à Alemanha), a Copa de 2010 e fracassou apenas na Copa das Confederações de 2009, onde foram surpreendidos pelos EUA nas semifinais, e na edição de 2013, onde não conseguiram segurar o Brasil dentro do Maracanã na final. Mas até 2008 a Espanha carregava um outro fardo: o de time amarelão. A camisa que mostro hoje é dessa angustiante época da "Fúria".


Desde 1992, a Espanha é fornecida pela Adidas, em contrato que dura até hoje. A marca alemã chegou a fornecer os espanhóis na Copa de 1982, quando jogaram em casa, mas durante toda a década de 80 e começo dos anos 90 a "Fúria" vestiu uniformes da francesa Le Coq Sportif. Esse uniforme da Mantoteca é de 1996, e substituiu o também ousado uniforme que os espanhóis usaram nos Estados Unidos, na Copa de 1994, como pode-se ver abaixo:


O uniforme que está na Mantoteca foi feito pela Drastosa (que hoje faz uniformes para a Nike no Brasil). E há algumas diferenças entre a camisa versão brasileira e a versão original-europeia. Na versão original, há uma marca d'água grande com o escudo da Real Federação Espanhola de Futebol, além de um patch da bandeira da Espanha na manga esquerda. O selo na parte inferior direita da camisa também é diferente na versão original, nela o "trefoil" da Adidas é substituído pela logomarca da RFEF. Abaixo, uma foto da camisa original.


Além do uniforme vermelho, a Espanha teve como camisa alternativa a versão azul-marinho, que seguia o mesmo template.


Usando esses uniformes, a Espanha estreou na Euro 1996, disputada na Inglaterra, contra a ainda temida Bulgária, que ainda tinha a base do time que chegou ao 4o lugar da Copa de 1994. Stoichkov, o artilheiro búlgaro que jogava no Barcelona ainda naquele ano, fez o gol de pênalti, mas Alfonso, atacante do Real Betis, empatou a partida.


A segunda partida da Espanha prometia ser mais difícil. A França, que também amargava um período de ostracismo (embora menor, já que 12 anos antes havia ganho a Euro) e tinha ficado de fora da Copa dos EUA, já estava com boa parte dos jogadores que fariam parte da histórica conquista da Copa 2 anos depois. E Djorkaeff, um dos jogadores que estaria naquele fatídico 3x0 contra o Brasil em 1998, fez o gol francês aos 3 do 2o tempo. A Espanha, que também contava com bons jogadores como o goleiro Zubizarreta, os meias Hierro e Luis Enrique, conseguiu reagir, empatando o jogo com Caminero, ícone do time do Atlético de Madrid que conquistou a Liga Espanhola naquele mesmo ano, já aos 40 minutos.


A Espanha, por fim, enfrentaria a Romênia, num duelo decisivo para se classificar ao mata-mata. Bulgária e França, ambas com 4 pontos e na zona de classificação, enfrentariam-se também. A Romênia, que também vinha de uma boa participação na Copa de 94, havia perdido os dois primeiros confrontos e já não poderia mais se classificar para a 2a fase. Mesmo ainda contando com jogadores como Gheorghe Hagi, o time do Leste Europeu acabou perdendo o seu 3o jogo por 2x1, gols de Manjarín, do La Coruña e de Guillermo Amor, eterno meia do Barcelona dos anos 90.





Classificada atrás da França, que ficou com o 1o lugar do grupo, a Espanha chegou às quartas de final contra os donos da casa, a Inglaterra. No jogo disputado em Wembley, a partida terminaria empatada em 0x0 mesmo na prorrogação. A vaga então foi decidida na disputa de pênaltis. Shearer iniciou a série de cobranças, convertendo e colocando os ingleses na frente. Hierro chegou para colocar a Espanha no páreo, mas chutou bem no meio do travessão e perdeu a cobrança. Platt aumentaria a vantagem inglesa convertendo sua cobrança, e Amor manteria a Espanha viva também colocando a bola no fundo das redes, com categoria. Pearce, no 3o round de cobranças, mesmo com Zubizarreta acertando o canto, marcaria o seu, obrigando Belsué a também converter, o que aconteceu num bom chute rasteiro. Então, chegou a vez do mítico Paul Gascoigne chutar, e numa bela cobrança, manteve a Inglaterra na frente. A responsabilidade de Nadal, outro jogador que fez história no Barça dos anos 90, era imensa. Se ele errasse, a Espanha estaria fora. E o gigante David Seaman acertou o canto, defendendo com facilidade a cobrança do espanhol, eliminando a Espanha e aumentando o incômodo jejum espanhol em torneios oficiais.


Mesmo com todo o prestígio de ter uma Liga forte nos anos 90, a Espanha continuava a ver navios em termos de títulos. Sempre era cravada como uma força que poderia chegar ao menos até as semifinais, mas no final acabava saindo precocemente da disputa. Foi assim na Copa de 90, quando caiu nas oitavas para a Iugoslávia, na Euro 92, onde nem chegou a se classificar, na Copa de 94, onde foi parada pela Itália que terminaria vice naquele torneio, e novamente em 96. Era hora de pensar na Copa da França, país vizinho, em 1998. Não seria fácil, pois o grupo onde a Espanha estava nas Eliminatórias contava com a mesma Iugoslávia que foi carrasca 6 anos antes, além da República Tcheca que foi vice da Euro 96 para a Alemanha.

Em Setembro de 1996, a Espanha iniciou a caminhada rumo à França  nas frias Ilhas Faroe, contra a Seleção local. Venceu facilmente por 6x2 o time conhecido como um dos maiores sacos de pancadas da Europa. Em Outubro, a missão seria mais complicada: jogo contra a Rep. Tcheca em Praga, empate por 0x0. Em Novembro, um massacre contra a Eslováquia jogando em casa: 4x1, com gols de Pizzi, Amor, Luis Enrique e Hierro. O vídeo abaixo é do jogo contra as Ilhas Faroe




Em Dezembro de 96, um jogo-chave para os espanhóis, a Iugoslávia chegava a Valência para duelar contra os donos da casa. Mas a Espanha mostrou novamente sua força e venceu o jogo por 2x0, com gols do atual técnico do Bayern de Munique, Pep Guardiola, e do eterno artilheiro do Real Madrid, Raúl.Vale lembrar que a Iugoslávia em 1996 já se limitava aos atuais territórios da Sérvia, Montenegro e Kosovo, e perdeu muitos dos jogadores que fizeram parte do time de 90, que foram brilhar em outras seleções, como na forte Croácia que despontou naquela época.

Ainda em dezembro, a Espanha viajou até Malta para enfrentar a fraca seleção local. Um passeio de 3x0 com um Hat-Trick de Julien Guerrero, meia-atacante que fez toda a sua carreira no Athletic Bilbao. A "Fúria" estava firme e forte no caminho para a França e, quem sabe, para o tão sonhado título mundial.

Em Fevereiro de 97, começava o returno da fase eliminatória. E em Alicante, Malta levou outra surra, dessa vez de 4x0, com dois gols de Alfonso, Pep Guardiola e Pizzi. O jogo seguinte, em Abril, seria muito mais complicado: a Iugoslávia aguardava os espanhóis no Marakana (sim, o nome é homenagem ao estádio carioca) , o estádio do Estrela Vermelha, em Belgrado. A Espanha ainda saiu na frente por todo o jogo, com gol de Hierro de pênalti aos 19 minutos da 1a etapa. Mijatovic, atacante que atuava na Espanha, pelo Real Madrid, fez o gol que igualou a partida aos 42 do 2o tempo, também de pênalti. Mas o time espanhol, mesmo com o empate, permanecia líder de seu grupo.

O jogo de Junho de 1997 contra a Rep. Tcheca era essencial para deixar a Espanha praticamente dentro da Copa. E Hierro voltou a marcar de pênalti, o único gol da partida. E a "irmã" dos tchecos, a Eslováquia, novamente apanharia dos espanhóis, em Bratislava, os gols da "Fúria" foram marcados por Kiko e Amor no jogo que terminou 2x1. E a Espanha só dependia da vitória contra as Ilhas Faroe jogando em Gijón para garantir o primeiro lugar e a vaga direta na Copa. O placar "magro" de 3x1 foi mais do que suficiente. A Espanha estava de volta à Copa do Mundo. 

A Iugoslávia foi empurrada para a repescagem, onde venceria a Hungria e também garantiria a vaga na Copa de 98. Mas a excelente campanha espanhola nas Eliminatórias, com 8 vitórias e 2 empates, num grupo relativamente difícil, alavancou novamente o status de "seleção que pode chegar longe" que a Espanha adquiriu por todos estes anos. Para 98, a Espanha aposentou o uniforme da Euro 96 e das Eliminatórias e lançou outro modelo, um pouco mais conservador que o uniforme de 1996.






O fracasso ainda na fase de grupos em 1998 aumentou ainda mais o calvário ibérico. E foi assim nas Euros e Copas seguintes, até 2008, onde a Espanha conseguiu enfim quebrar o jejum, culminando com a Copa de 2010 e a Euro 2012. Hoje em dia, a camisa vermelha da Espanha é muito temida, ao contrário daquela triste época dos anos 90, onde os espanhóis não conseguiam se livrar do estigma de "amarelões".


Bem, esse foi o segundo post da Série Copa do Mundo. O próximo será sobre a Holanda, cuja camisa da Mantoteca está bem separada aqui. Como tô de folga nessa semana (voltarei para o Brasil no começo de Março), é possível que ele saia rápido. Aguardem!

Um abraço!






quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

[Série Copa do Mundo 2014] México 2010 - Ganhando como nunca e perdendo como sempre.

A partir de hoje, a Mantoteca pegará suas camisas dos participantes da Copa do Mundo de 2014 para que elas contem histórias sobre outros tempos. Começando pelo Grupo A, com o Brasil, Croácia, México e Camarões. Como já temos um tópico com o Brasil e com a Croácia, vamos falar do México. Infelizmente, a Mantoteca não possui a camisa da seleção de Camarões em seu acervo, embora a inovadora camisa sem manga de 2001 ainda seja um sonho de consumo.


O México chegou na Copa de 2010 após se classificar facilmente nas eliminatórias da CONCACAF, onde só ficou atrás dos Estados Unidos (por apenas um ponto), lembrando que a seleção norte-americana fez jogo duro contra o Brasil na final da Copa das Confederações de 2009, emplacando uma vitória por 2x0, mas permitindo a virada no 2o tempo. Junto com os dois, Honduras também conseguiu sua classificação. A Costa Rica foi para a repescagem, mas foi derrotada pelo Uruguai e ficou de fora. Nas eliminatórias, o México utilizou o seu 2o uniforme da Adidas depois de alguns anos usando Nike. A empresa alemã voltou a fornecer a camisa do time em 2007, lançando um uniforme "tampão" que logo no ano seguinte foi substituído por um estranho uniforme com mangas 3/4. Abaixo, os dois uniformes citados:



No final de 2009, a Adidas apresentou o novo uniforme da Seleção Mexicana para a disputa do Mundial. Esse é o uniforme pertencente à Mantoteca. Assim como o anterior, também possui detalhes em marca d'água remetendo as antigas civilizações que habitavam o país. No caso da camisa de 2010, os desenhos são referência às armaduras que os astecas usavam nas lutas. E as mangas voltavam ao tamanho normal.







A camisa reserva possuía o mesmo desenho, mudando apenas as cores: a indumentária alternativa era predominantemente preta




O primeiro jogo com a camisa nova foi em Fevereiro de 2010, contra a Bolívia, em São Francisco, nos Estados Unidos. Goleada mexicana por 5x0, abaixo o vídeo do 4o gol, feito pelo artilheiro do Manchester United "Chicharito" Hernandez.


No mês seguinte, jogando novamente nos EUA, o México encarou uma das seleções que participariam do Mundial naquele ano: a Nova Zelândia. Ao contrário de sua seleção de Rugby, o time nacional de futebol neozelandês é conhecido como "All Whites", por usar um kit de uniforme completamente branco. Os representantes da Oceania foram facilmente derrotados pelos mexicanos, 2x0 foi o placar final.


Ainda naquele mês de Março, o México disputaria 2 amistosos. O primeiro, no México, foi contra outro participante da Copa de 2010, a Coreia do Norte, onde venceria apertado por 2x1, mostrando que os norte-coreanos não eram tão frágeis quanto se presumia. De novo nos EUA, o segundo amistoso foi contra a nada empolgante Islândia. E o resultado também não empolgou: 0x0.

O México voltaria a campo em Maio de 2010, apenas um mês antes da Copa. Novamente jogando no vizinho de cima, visando atrair a atenção dos inúmeros mexicanos que vivem na terra do Tio Sam, o México tornaria a empatar com o Equador em 0x0. Contra Senegal e Angola, também nos EUA, 2 vitórias consecutivas por 1x0. E finalmente voltando a jogar no México, uma bela vitória sobre o Chile, que também seria integrante do Mundial da África do Sul. E vitória novamente por 1x0.


Depois do jogo contra o Chile, era hora de partir rumo à África. Mas antes, uma pré-temporada de amistosos na Europa. O primeiro seria uma pedreira, Inglaterra em Wembley. O México então conheceu sua primeira derrota em 2010: 3x1 para o English Team.


Na Alemanha, o México encararia outra forte seleção: a Holanda. Seria derrotada novamente, por 2x1.


Ainda em território alemão, a Seleção Mexicana pegou um adversário menos tradicional que os anteriores e não teve dificuldades em vencer: goleou a Gâmbia por 5x1. Depois disso, foi para a Bélgica disputar, enfim, o seu último confronto pré-Copa. E venceu de forma surpreendente a seleção que defendia o título Mundial até então, a Itália, por 2x1.


O jogo contra a Itália dava ânimos para aquele time mexicano. Será que enfim chegariam longe numa Copa do Mundo? Em 2006 acabaram parando nas Oitavas-de-final contra a Argentina, sendo eliminada na prorrogação. A torcida mexicana já ficaria muito satisfeita se sua seleção chegasse ao menos nas semifinais. Aquele time que contava com jogadores como o goleiro Ochoa, o zagueiro Rafael Márquez (que fez história no Barcelona), o atacante Javier Hernandez (o "Chicharito", que ainda atuava pelo Chivas de Guadalajara), a "eterna promessa" Giovanni dos Santos e até mesmo o veteraníssimo Cuauhtemóc Blanco. Será que eles chegariam longe?

O México teve a honra de abrir a Copa do Mundo, jogando contra a anfitriã África do Sul. Embora tenha jogado melhor do que os anfitriões, levou o 1o gol do torneio, marcado por Tshabalala (e pela comemoração inesquecível desse tento). Conseguiu empatar aos 34 do 2o tempo, com Rafa Márquez. Mas o jogo terminou com tudo igual. 1x1.


No segundo jogo, o desafio seria maior. A França havia empatado contra o Uruguai no 1o jogo e agora vinha para tentar conquistar sua primeira vitória. Um jogo onde os mexicanos tiveram uma torcida extra: a dos irlandeses. A França havia chegado na Copa de 2010 depois de um gol memorável onde Thierry Henry ajeitou a bola com a mão e deu assistência para Gallas, empatando o jogo da 2a partida da repescagem contra a Irlanda. Os irlandeses ganhavam por 1x0 e mesmo tendo perdido o 1o jogo pelo mesmo placar, podiam se classificar mesmo assim, por causa da melhor campanha na fase de grupos da eliminatória. A torcida contra a França foi tão grande que as franquias da Pizza Hut na Irlanda prometeram pizza grátis aos primeiros que ligassem em cada gol que a França levasse naquele Mundial. E o México deu pizza para muitos irlandeses: venceram o jogo por 2x0 e com a vitória do Uruguai sobre a África do Sul por 3x0, estavam muito próximos da classificação.


México e Uruguai chegaram na última rodada podendo fazer um "jogo de compadres" para eliminar França e África do Sul, um empate entre os dois seria suficiente para eliminar as outras duas seleções. Mas mesmo assim, o time uruguaio venceu o México por 1x0. Não adiantou nada pra nenhum dos dois que jogavam a outra partida: a África do Sul conseguiu abrir 2x0 (precisaria fazer mais 3 gols para passar o México no saldo e classificar-se), mas Malouda diminuiu. A França amargava o vexame de ser eliminada na 1a fase 4 anos depois de chegar na final da Copa do Mundo, e a África do Sul não chegou perto de roubar a vaga do México no 2o lugar do grupo.


Como consequência de ter se classificado em 2o lugar, o México enfrentaria o 1o lugar do outro grupo. E esse time era "apenas" a Argentina de Lionel Messi. Embora o astro do Barcelona não tenha feito nenhum gol até ali, foi peça muito importante para levar sua seleção à fase final. Em compensação, o México tinha a chance de vingar-se da dolorosa derrota das Oitavas de 2006 na Alemanha, quando caiu na prorrogação.

O jogo começou equilibrado, mas depois de um gol absurdamente irregular de Tévez, que foi validado, o México se perdeu na partida. Higuaín ampliou ainda no 1o tempo e Tévez voltaria a marcar no início da 2a etapa, dessa vez, de forma legal. Quando parecia que a Argentina aplicaria uma goleada histórica, o México ainda conseguiu marcar um gol de honra com o Chicharito. E terminou 3x1 pros portenhos. O México novamente estava eliminado da Copa do Mundo, e mais uma vez pelas mãos da Argentina.




Ainda na ressaca de mais um fracasso na Copa do Mundo, o México ainda encontrou forças para sustentar um empate contra a seleção que havia sido campeã daquele torneio: a Espanha. O jogo aconteceu em Agosto, na Cidade do México


Um mês depois, voltaria a ser derrotado por um time sul-americano. Dessa vez foi o Equador, que bateu os mexicanos por 2x1 em plena Guadalajara, num jogo que celebrava o Bicentenário do México. Nessa partida, o time do México atuou com um uniforme 3 branco, que possuía o mesmo desenho dos outros dois, mudando só a cor.


3 dias depois, enfrentaram outro time sul-americano, a Colômbia. Foram mais felizes e venceram por 1x0 em Monterrey


Um mês depois, de novo contra outro time da América do Sul, dessa vez a Venezuela, o México voltava a decepcionar. Empatou em 2x2 contra a "Viñotinto" e assim encerrava aquele ano.


O México voltaria a jogar apenas em Fevereiro de 2011, ano em que disputaria a Copa Ouro da Concacaf, a Copa América e começaria a sua trajetória para nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Jogando nos EUA, venceu a boa seleção da Bósnia por 2x0.


Aquele seria o último jogo em que o México usou a camisa da Copa de 2010. Em Março, num amistoso contra o Paraguai, a Adidas lançava um novo modelo para a disputa das competições daquele ano.  Com ele, o México ganharia a Copa Ouro de 2011 e passaria um tormento nas Eliminatórias, onde só conseguiria vaga na repescagem.


O México jogará a Copa do Mundo de 2014 com outros uniformes. O titular foi lançado ainda nos jogos da repescagem contra a Nova Zelândia, com um estilo inovador que lembra as camisas dos anos 90. O uniforme reserva ainda não foi lançado oficialmente, mas sua imagem já corre o mundo. Abaixo, fotos das camisas que o México usará no Brasil:






Enfim, esse foi o primeiro post da Série Copa do Mundo 2014. O próximo abordará a Espanha do Grupo B. Vamos pegar uma camisa interessante de "la Furia Roja", de uma época em que o time espanhol estava longe de ser tão vitorioso quanto hoje. Aguardem!