domingo, 24 de novembro de 2013

POST DE HONRA DUPLO - França e Croácia, rumo ao Brasil! (PARTE 2)

Olá meu povo!
Chego aqui com a 2a parte desse Post de Honra, que homenageia duas das seleções que se classificaram nesta última semana para a Copa do Mundo de 2014: França e Croácia. Sobre os franceses, tudo já foi dito na parte 1. Agora, é hora de tirar do armário da Mantoteca uma das camisas mais emblemáticas do futebol: o uniforme da Croácia!





"Toalha de piquenique", "pano de restaurante italiano", entre outros apelidos, a camisa croata tem esse peculiar desenho quadriculado em homenagem ao brasão de armas do país. O desenho xadrez era utilizado como símbolo dos antigos reis croatas, datando supostamente da Idade Média. E, ao contrário do que alguns pensam, esse não foi sempre o uniforme principal da Seleção Croata. Entre 1940 e 1944, período da 2a Guerra Mundial, a Croácia esteve brevemente separada da Iugoslávia, e chegou a ter uma seleção reconhecida pela FIFA. O uniforme daquela época era vermelho com calções brancos e meiões azuis, e como a guerra não possibilitou que torneios internacionais fossem realizados naquela época, a participação dessa seleção croata apenas limitou-se aos amistosos.

A Seleção Croata voltaria à ativa em 1991, ano em que a sangrenta Guerra dos Bálcãs estava em curso. Enquanto uma triste batalha devastava o país, o time da Croácia voltava à ativa, com alguns jogadores que defenderam a Iugoslávia na Copa de 1990. Já naquele ano de 91 o time adotava o uniforme quadriculado como sua camisa titular. E no ano seguinte, a Croácia se afiliava a FIFA e a UEFA. Ficaria de fora das eliminatórias para a Copa de 1994, porém, já poderia disputar as eliminatórias para a Euro de 1996, onde conseguiriam qualificar-se. A triste guerra findava-se em 1995, mas até hoje a rivalidade entre croatas e sérvios por causa do conflito ainda é imensa.



Acima, pode-se ver o uniforme croata utilizado na Euro 1996, fornecido pela Lotto. No torneio, disputado na Inglaterra, não só a extravagância da camisa como também uma surpresa futebolística seriam conhecidas pelo Mundo.A Croácia conseguiu passar pela fase de grupos e caiu nas quartas para a Alemanha, perdendo de 2x1. O time germânico "apenas" seria campeão daquele torneio. Mas o melhor ainda estava por vir. Contando com Davor Suker, Zvonimir Boban, Robert Prosinecki (esses 3 já tinham defendido a Seleção da Iugoslávia, sendo que o último chegou a jogar na Copa de 1990) além de outros bons jogadores como os zagueiros Tudor e Simic, os croatas chegaram até a Copa de 1998 na França. E não foram só passear. Fariam história, depois de aplicarem um histórico 3x0 na Alemanha nas quartas, parando só nas donas da casa, quando foram derrotados com dificuldade pela França de Zidane por 2x1. A Croácia, após vencer a Holanda de Kluivert, Seedorf, Davids, Bergkamp e outros tantos jogadores destacados por 2x1, ainda colocaria seu nome como a 3a melhor seleção daquela Copa. E Suker ainda terminaria como artilheiro da competição, com 6 gols marcados. A camisa utilizada pelo time croata naquele histórico ano de 98 é, na minha opinião, a mais bonita de todas. O quadriculado segue um padrão diferente, como se fosse uma bandeira tremulando. É um manto que um dia ainda estará nos armários da Mantoteca! Abaixo, uma foto de Suker utilizando a camisa no jogo contra a França.




Porém, depois do ano inesquecível de 1998, a Croácia ganhou o indesejado status de "eterna promessa".  Muitos esperavam a volta daquele time para a Euro 2000, mas falharam ao se classificar. Muitos jogadores daquele time de 1998 começavam a se aposentar, e mesmo chegando novamente no Mundial de 2002, não conseguiram passar pela fase de grupos, nem mesmo depois de uma vitória sobre a Itália (que foi vice na Euro 2000) por 2x1. Foram para a Euro 2004 em Portugal, caindo num grupo com Suíça, França e Inglaterra. Conseguiram empatar com os franceses por 2x2, mas perderam para os ingleses por 4x2. Como haviam empatado com os suíços, novamente ficaram na fase de grupos. Conseguiram ir para a sua 3a Copa do Mundo consecutiva, um fato por si só histórico. Mas o vexame seria o mesmo. Caiu num grupo com Brasil, Austrália e Japão. A derrota para o Brasil foi normal, já que a Seleção Brasileira era a maior favorita daquela Copa (essa é uma outra história, para outro post). Mas os empates com o Japão comandado por Zico e com a Austrália mandariam os croatas novamente mais cedo para casa. Abaixo, uma foto da Croácia de 2006 jogando contra o Brasil de Adriano Imperador.


Em 2008, ano da próxima Eurocopa, fariam 10 anos daquela campanha inesquecível da Copa de 1998. Por isso, era essencial para os croatas classificarem-se para o torneio. Nas Eliminatórias, caíram num grupo onde também estava a Inglaterra, carrasca da Euro 2004. Mas dessa vez a história foi diferente: os croatas só perderam um jogo das Eliminatórias (contra a Macedônia) e venceram a Inglaterra dentro de Wembley, também derrotando os britânicos jogando em casa. As derrotas da Inglaterra custaram caro: a Rússia acabou entrando no torneio no lugar do "English Team".






Aqui está a foto da parte de trás da camisa da Croácia pertencente à Mantoteca. Pode-se notar que na gola está escrito "Hrvatska", que é o nome do país em servo-croata. E com essa camisa, os croatas disputariam a Euro 2008. A Nike entrou no lugar da Lotto em 2000 e até hoje é a fornecedora oficial da Seleção Croata. Essa camisa estreou num amistoso contra a Escócia em Glasgow. O resultado foi apenas um simplório 1x1


O primeiro desafio croata na Euro 2008 não seria fácil. Aquela era a segunda Eurocopa da história a ter duas sedes (a primeira foi a de 2000, com Holanda e Bélgica). Dessa vez, os anfitriões eram Áustria e Suíça. E seria contra os austríacos em Viena o primeiro desafio croata em busca de se livrar de vez da farda de "eterna promessa". A Croácia contava com jogadores como o meia Srna, o veterano Niko Kovac (que só não esteve naquele time de 1998 porque se lesionou às vésperas da Copa), além de Luka Modric e o atacante Ivica Olic (muito conhecido na Alemanha, por ter defendido times como Hertha Berlim, Hamburgo, Bayern de Munique e atualmente o Wolfsburg). E ganhou por 1x0, depois de um gol de pênalti de Modric logo no começo da partida.


O segundo jogo seria muito difícil. Afinal, encarar a Alemanha nunca é fácil. Ainda mais quando ela conta com jogadores como Lahm, Schweinsteiger, Ballack, Podolski, Mario Gomez, Klose e outros nomes. Mas assim como 10 anos antes, a Croácia surpreendeu os alemães, abriram 2x0 com Srna e Olic e deixaram Lukas Podolski fazer o gol germânico depois. O placar final de 2x1 praticamente assegurava a Croácia na fase de mata-mata.


Ainda havia o último jogo da fase de grupos, que para a Croácia apenas serviria como cumprimento de tabela. Mesmo assim, os croatas mantiveram o 100% de aproveitamento e ganharam da Polônia por 1x0, gol do atacante Klasnic. Parecia que a Croácia dos bons tempos estava de volta.


A fase de quartas-de-final reunia um duelo entre duas seleções que surpreenderam o Mundo nos últimos 10 anos. De um lado, a Croácia, 3o lugar na Copa de 1998. Do outro, a Turquia, 3o lugar na Copa de 2002. Enquanto a Croácia classificou-se de forma fácil para a 2a fase da Euro, a Turquia passou por uma situação mais complicada. Estreou perdendo de 2x0 para o Portugal de Felipão e Cristiano Ronaldo, venceu a outra anfitriã Suíça de virada, graças a um gol aos 47 do segundo tempo de Arda Turan, e fez uma partida histórica contra a República Tcheca: após sair perdendo por 2x0 até os 30 do segundo tempo, conseguiu virar o jogo em 14 minutos e classificar-se para a fase final. A Croácia entrou como favorita pela campanha, mas a Turquia havia mostrado nos dois últimos jogos que seria capaz de encarar qualquer obstáculo para passar de fase.

O jogo foi no palco que depois sediaria a final do torneio, o Estádio Ernst-Happel, em Viena. Mas apenas um daqueles times poderia jogar lá no dia 29 de Junho de 2008, a data marcada para a finalíssima. Ao contrário da expectativa geral, o jogo foi morno, terminando 0x0 no tempo normal. Mas a prorrogação valeria mais até do que o preço dos ingressos. Os 30 minutos extras foram disputados de uma forma emocionante, com o gol de Klasnic saindo aos 14 do 2o tempo da prorrogação. A Croácia estava a apenas um milímetro da classificação para as semis, se não fosse pelo gol de Semih Senturk no último minuto de acréscimo daquele tempo extra. A Turquia do impossível havia empatado o jogo, e mandou a decisão daquela partida que começou fria e terminou fervendo para a disputa de pênaltis.

A Croácia entrou para a disputa de pênaltis visivelmente abatida por causa do gol sofrido no apagar das luzes. Modric, que havia feito o 1o gol croata na competição (de pênalti), mandou sua cobrança pra fora. Arda Turan não perdoou e abriu 1x0 na disputa. Logo depois, veio Dario Srna e empatou. Entretanto, Semih, o autor do gol que levou a disputa para as penalidades, marcou de novo. Restava a Rakitic manter a Croácia viva, mas assim como Modric, bateu mal e a bola foi pra fora. Hamit Altintop aproveitou a chance que o croata lhe deu e marcou a 3º cobrança da Turquia. Agora a Croácia dependia apenas de acertar seu chute para manter-se viva. A responsabilidade caiu nos pés de Petric que, aparentemente abatido, foi até a marca do pênalti. Bateu fraco, no meio do gol, facilitando a defesa de Rustu (sim, o mesmo goleiro da Copa de 2002, que tinha o hábito de pintar o rosto como um guerreiro antes das partidas). Turquia classificada. A Croácia, de forma dramática, dizia adeus à Euro 2008.



A Turquia enfrentaria a Alemanha na semifinal, a mesma Alemanha que havia sido vencida pela Croácia na fase de grupos. Pela quarta vez seguida, a Turquia fazia um jogo emocionante, saindo na frente no placar e permitindo a virada alemã. Aos 41 do 2o tempo a Turquia ainda empataria novamente o jogo, mas Philipp Lahm não permitiu que os turcos levassem mais um jogo para a prorrogação, fazendo o gol da vitória aos 45 da etapa final. A final acabou sendo entre Alemanha X Espanha, num jogo que não foi tão emocionante quanto se esperava. Vitória espanhola por 1x0, gol de Torres, e iniciava-se uma hegemonia da Espanha que chegaria a níveis mundiais. Mas isso é para outro post.

Após o fracasso da Euro 2008, a Croácia agora só podia pensar em ir para sua 4a Copa do Mundo consecutiva. A campanha no torneio, apesar da eliminação doída, mostrava que os croatas poderiam ir para a África do Sul e tentar surpreender o mundo, assim como em 1998. Nas Eliminatórias, caiu num grupo com a insignificante Andorra, as fracas seleções do Cazaquistão e Bielorrússia, além da Ucrânia, que não estava num bom momento e da Inglaterra. A mesma Inglaterra que a Croácia tirou da Euro 2008. O sonho de voltar ao Mundial era real.

Ainda em Setembro de 2008, a Croácia estreava com uma vitória de 3x0 sobre o Cazaquistão, com gols de Kovac, Modric e Petric. Mas ainda naquele mês, o sinal amarelo seria ligado: a Inglaterra entrou mordida contra os croatas e goleou em plena Zagreb por 4x1, com 3 gols de Walcott. A derrota em Wembley ainda era recente demais para ser esquecida.


Um mês depois, a Croácia voltava aos campos para enfrentar a Ucrânia em Kharkhiv. Mas o jogo não passou de um morno 0x0. Enquanto isso, a Inglaterra isolava-se na liderança do grupo e a Ucrânia continuava na frente da Croácia na classificação, o que eliminava os croatas da Copa. O jogo seguinte era obrigação ganhar, em casa contra a fraca seleção de Andorra, no final 4x0 para a Croácia.

As eliminatórias voltariam a ser disputadas em Abril de 2009, e novamente o adversário era Andorra, fora de casa. Mais uma vitória croata por 2x0, com gol de Eduardo da Silva, o carioca naturalizado croata que voltava ao time após de se recuperar de uma grave lesão ocorrida em Fevereiro de 2008 quando atuava pelo Arsenal no Campeonato Inglês.

O jogo seguinte seria em Junho, contra a Ucrânia em casa. O resultado não foi nada animador, um empate em 2x2. Um dos gols ucranianos foi marcado pelo célebre centroavante Shevchenko. Em Agosto, a Croácia voltava a campo pelas eliminatórias, jogando contra a Bielorrússia fora. Abriu 3x0 e apenas levou um gol dos rivais nos 10 minutos finais. Isso ainda mantinha viva a esperança de se classificar, embora a Inglaterra estivesse cada vez mais isolada no grupo, garantindo a vaga direta. E a Ucrânia sempre ali, na briga pelo 2o lugar que poderia dar a vaga na repescagem.

 Um mês depois, bielorrussos e croatas voltavam a se enfrentar. E, jogando em casa, a vitória foi mais magra: 1x0 para a Croácia. Mas o que realmente interessava era o jogo que viria 4 dias depois. A Inglaterra de novo, Wembley de novo. Um milagre de novo?

A Inglaterra, novamente, massacrou a Croácia, soterrando de vez as lembranças daquele jogo decisivo nas eliminatórias da Euro 2008. 5x1, com dois de Lampard, dois de Gerrard e um de Rooney. O gol croata foi marcado pelo brasileiro Eduardo. E a Inglaterra continuava com 100% de aproveitamento nas eliminatórias, já classificada por antecipação para a Copa de 2010. A Croácia corria sério risco e já não dependia mais de si mesma, visto que a Ucrânia ainda tinha dois jogos por fazer. Para os croatas, era vencer o Cazaquistão e torcer para que a Ucrânia perdesse pelo menos um de seus jogos, o que não era impossível, visto que um dos adversários era a invicta Inglaterra.


Mas a Inglaterra, já classificada, perdeu para a Ucrânia. E definitivamente, os croatas estavam numa situação extremamente difícil. Além da vitória obrigatória sobre o Cazaquistão, ainda teriam que torcer para que a "poderosa" seleção de Andorra arrancasse um empate da Ucrânia para ir até a repescagem. Os croatas fizeram sua parte, ganhando de 2x1 dos cazaques em Astana. Mas a Ucrânia fez o óbvio: massacraram Andorra por 6x0, o que eliminava de vez a Croácia da Copa.

A Croácia ficava de fora de um Mundial pela primeira vez depois de 3 Copas. E a Ucrânia que tirou a vaga dos croatas na repescagem, também acabou ficando de fora. Conseguiu arrancar um empate contra a Grécia em Atenas, mas acabou sendo derrotada por 1x0 em Donetsk, o que classificou os gregos para seu 1o Mundial desde 1994.

Em 2010, a Nike aposentava a camisa utilizada na Euro 2008 e lançava um modelo interessante, com várias marcas d'água quadriculadas junto ao quadriculado normal. E a história dos croatas buscando seu lugar ao sol obviamente continuou. Terminaram em 2o nas eliminatórias para a Euro 2012, ganharam daquela mesma Turquia que os eliminou em 2008 por incríveis 3x0 fora de casa e segurando um 0x0 em casa, qualificando-se pela repescagem. Caiu num difícil grupo com Itália, Espanha e Irlanda. Ganhariam da Irlanda e empatariam com a forte Itália, mas a derrota para a Espanha por 1x0 eliminaria mais uma vez a Croácia na fase de grupos. A Espanha, Campeã Mundial em 2010, seguiu seu caminho e foi campeã novamente da Euro.

Nas eliminatórias para 2014, conseguiu ser 2o lugar num grupo onde tinha a Bélgica mais forte dos últimos 20 anos, a tradicional Escócia, o País de Gales de Ramsey e Gareth Bale, além da eterna arquirrival Sérvia. Foi para a repescagem contra a surpreendente Islândia, arrancou um empate em 0x0 fora e ganhou facilmente por 2x0 em casa, o que carimbou a passagem do time para a sua 4a Copa do Mundo.

E aí, será que os croatas surpreenderão no Brasil?



quinta-feira, 21 de novembro de 2013

POST DE HONRA DUPLO - França e Croácia, rumo ao Brasil! (PARTE 1)

Olá rapaziada...

O Blog tá bem parado. A vida nova no exterior também tem ajudado para que meu foco tenha se desviado em coisas mais importantes. Mesmo assim, não pretendo deixar a Mantoteca parada até porque ela só tá aumentando de tamanho, mais camisas guardadas, mais camisas vendidas, mais camisas compradas.

E se lá no começo de Setembro (data do último post) ainda não se conhecia muitas das Seleções que irão ao Brasil em 2014 para a próxima Copa do Mundo, hoje já temos o nome de todos os países que estarão no Mundial do ano que vem.

Nessa semana foram disputados os últimos jogos das repescagens. Destaque para as repescagens europeias, onde tivemos triunfos de seleções como Portugal e Grécia em cima de Suécia e Romênia, consecutivamente.

Mas por ora não tenho a indumentária da Seleção Lusa e nem dos gregos. Por isso, os homenageados serão os outros classificados da repescagem, a França e a Croácia! Admito que, pelo bem da alternatividade futebolística, torci pra Islândia aprontar pra cima dos croatas, mas não deu... enfim, se não teremos tantos times alternativos, 2014 promete um alto nível de torneio, mas isso é outra história.

Começaremos então a falar da França. E o uniforme escolhido é exatamente o que esteve nesta vitória importante contra a Ucrânia que carimbou o passaporte dos franceses para o Brasil. O uniforme titular de 2012/2013, um dos favoritos da minha coleção:






A Adidas forneceu por décadas o uniforme da Seleção Francesa. Aquela camisa de 1998, com uma listra horizontal vermelha no peito e 3 listras brancas finas horizontais abaixo, sempre nos remeterá Zinedine Zidane e o inesquecível 3x0 que os franceses aplicaram na nossa Seleção Brasileira. Mas, em 2010, a americana Nike fez uma proposta de contrato melhor que a dos alemães e acertou um contrato de fornecimento para os "Bleus" (azuis).



Acima, a França usando seu último uniforme da Adidas na Copa de 2010, onde fez uma participação medíocre e caiu ainda na 1a fase. O contrato com a Nike começaria a valer a partir de 2011. E o mundo inteiro estava curioso para saber como seria ver, depois de tanto tempo, uma camisa francesa sem as 3 listras nos ombros.


Então, em Fevereiro de 2011, o mistério acabou. A Nike lançou uma camisa simples, porém muito bela para os franceses, indo na contramão da Adidas, que nos anos anteriores lançou algumas camisas até extravagantes. A estreia foi contra o Brasil, que também estreava um uniforme novo (o da "barra de download" no peito), a França ganhou por 1x0 em Paris da polêmica Seleção de Mano Menezes.

Se a camisa titular foi uma surpresa, a reserva, na minha opinião, foi mais surpreendente ainda. Com um desenho fora do usual para uniformes de futebol, lembrando muito uma camisa casual, o uniforme 2 da França foi revelado. Baseado nas camisas antigas que os marinheiros franceses usavam, essa nova camisa alternativa francesa também foi um sucesso. Essa camisa da França é uma que está bem guardada na Mantoteca, e abaixo podem ver uma foto dela:


Há alguns anos atrás, era comum ver as seleções usando o mesmo uniforme por dois ou três anos. Mas desde o começo da década, muitos times nacionais começaram a trocar de camisa anualmente. A própria Seleção Brasileira é um exemplo, desde 2010 vem usando um uniforme diferente a cada ano que passa. Os dois primeiros uniformes da Nike para a França também só duraram um ano. Com a classificação da França para a Euro 2012, que foi disputada conjuntamente na Polônia e na Ucrânia, a Nike aproveitou e lançou novos uniformes.


O uniforme azul dessa vez já era mais detalhado que o anterior. Com as listras horizontais que remetiam à camisa reserva passada, ele ganhou dois tons de azul e detalhes em dourado no escudo. A gola também sofreu pequenas modificações. Mas o que desagradou mesmo foi o fato de que a camisa só seria usada com calção e meião azuis. A França sempre foi conhecida por usar a camisa azul, com os shorts brancos e as meias vermelhas, formando um kit tricolor com as cores do país. Mas, seguindo uma tendência monocromática que infelizmente vem ficando mais forte, os "Bleus" jogariam todos de azul na Euro.


A nova camisa branca ficou mais simples que a anterior, porém, não deixou a elegância de lado.


E vestindo estes dois uniformes mostrados acima, começava uma caminhada que atravessaria uma Eurocopa e chegaria até a classificação para a Copa de 2014. A camisa branca estreou antes, numa boa vitória sobre a Alemanha no território adversário por 2x1. E a nova camisa azul estrearia no amistoso seguinte, já em casa, contra a Islândia.



Antes da Euro começar, ainda restavam dois amistosos, contra a Sérvia e a Estônia, todos em território francês. Mais duas vitórias, completando uma boa série de 4 triunfos seguidos. Abaixo, vídeo do jogo contra os sérvios.


No dia 11 de Junho, a França estrearia na Euro enfrentando logo de cara um rival histórico: a Inglaterra. Porém, ao contrário da expectativa de muitos, o jogo foi um morno 1x1, embora os franceses tenham criado mais oportunidades


O próximo adversário da França, embora não tivesse a tradição dos ingleses, não poderia ser considerado fácil. Afinal, a Ucrânia estava jogando em casa, e Shevchenko mesmo no fim de carreira ainda representava perigo, tendo inclusive marcado 2 gols no 1o jogo da competição, contra a Suécia. Mesmo contra os donos do pedaço, os franceses não se intimidaram, e ganharam de 2x0, gols de Ménez e Cabaye.


No outro jogo, a Inglaterra ganhou da Suécia por 3x2, empatando com a França no número de pontos (4), e eliminando o time escandinavo da competição. A Ucrânia estava atrás, com 3 pontos. O jogo contra a Suécia prometia ser fácil pela situação que se esboçava. Mas não foi bem assim, Ibrahimovic resolveu desencantar e marcou dois gols, e a França perdeu por 2x0. Por sorte, a classificação já estava garantida. Enquanto isso, a Inglaterra tirava a Ucrânia da competição: 1x0.


A França estava nas quartas-de-final da Euro, perseguindo o Tricampeonato na competição (foi campeã em 1984 e em 2000) e tentando de vez se livrar da fase ruim que veio depois do Vice Mundial de 2006 (e da aposentadoria do ídolo Zidane). A missão não seria fácil, visto que do outro lado do campo estava a atual campeã europeia e campeã mundial: a Espanha.

Numa partida extremamente dominada pelo tiki-taka espanhol, impedindo a França de uma maior posse de bola, os espanhóis vingavam-se da eliminação para os franceses nas oitavas da Copa de 2006 ganhando por 2x0, dois gols de Xabi Alonso, sendo que o segundo gol já foi depois dos 45 minutos do 2o tempo. A França até teve chances de empatar, mas acabou sendo cansada pela tática adversária da posse de bola.



França eliminada da Euro. E o tricampeonato europeu foi para a Espanha, que derrubaria Portugal e Itália para ganhar a Europa pela 3a vez, sendo o 2o título europeu consecutivo, feito inédito na história da Eurocopa. Agora, restava entrar de cabeça nas Eliminatórias para a Copa de 2014, onde um de seus adversários seria nada mais, nada menos, do que a mesma Espanha que os tirou da Euro.

Antes de começar o caminho para o Brasil, a França duelou contra o Uruguai, que acabara de vencer a Copa América, depois de um jejum de 16 anos. O jogo em Le Havre terminou 0x0.

Chegou Setembro, e a França pegou o avião para Helsinque. O primeiro jogo do seu grupo das Eliminatórias foi contra a Finlândia. 1x0 para os franceses, gol de Diaby. Num grupo junto com a Espanha que papava todos os títulos que disputava, só mesmo vencendo o máximo possível para evitar o risco de repescagem.



 Ainda em Setembro, mais um triunfo francês, sobre a seleção da Bielorrússia. 3x1, gols de Capoue, Jallet e de Franck Ribéry.


Em Outubro, o duelo tão esperado: França X Espanha, apenas 4 meses depois do jogo da Euro. Mas antes disso, um amistoso nada agradável: derrota para o Japão em pleno Stade de France.




Depois da ducha de água fria, era hora de preparar-se para enfrentar a Espanha novamente. Jogando em território espanhol, os donos da casa abriram o placar com Sérgio Ramos, aos 25 do 1o tempo. Porém, aos 49 do 2o tempo, Giroud arranca um importante empate para os franceses. A briga para a vaga direta na Copa estava acirrada.


Os jogos das Eliminatórias agora só voltariam a ser disputados em 2013. Enquanto isso, ainda havia tempo para jogar o último amistoso do ano, contra a vice-campeã europeia Itália. Jogando em Parma, o confronto que reeditava a final da Copa de 2006 terminou desta vez à favor da França. 2x1 para os franceses.


Entrava o presente ano de 2013. Um novo amistoso contra a Alemanha seria realizado em Fevereiro. Só que dessa vez a vitória foi alemã, 2x1. Vingança da derrota no amistoso do ano anterior.


Mas o que realmente interessava eram as Eliminatórias, em Março. A França lançava um terceiro uniforme, azul-claro, diferente do azul mais escuro do uniforme tradicional. Outro belo uniforme da Nike. A estreia da nova camisa deu sorte: vitória de 3x1 sobre a Geórgia em casa com gols de Valbuena, Giroud e Ribéry. A França terminava o 1o turno de seu grupo na liderança, graças a um empate da Espanha com a Finlândia.



Três dias depois, começava o returno. E logo contra a Espanha, em casa. Uma vitória praticamente definiria a classificação direta para a Copa de 2014. Uma excelente oportunidade. Porém, mesmo tendo criado boas chances, a França não conseguiu superar mais uma vez o estilo tiki-taka espanhol e perdeu por 1x0, gol de Pedro. A situação começava a ficar difícil.



As Eliminatórias só voltariam em Setembro. Então era hora de amistosos para deixar o time mais preparado. E a França viajou até a América do Sul. Enfrentou o Uruguai, que estava numa situação complicada nas Eliminatórias Sul-Americanas. Vitória da Celeste Olímpica por 1x0 em Montevidéu


As duas derrotas traziam questionamentos sobre a qualidade da Seleção Francesa. Mesmo com bons jogadores como Franck Ribéry, que estava em ótima fase no seu clube, o Bayern de Munique, além de nomes como Valbuena, Benzema, Giroud e tantos outros, o medo de um vexame maior que o da eliminação na fase de grupos da Copa de 2010 começava a pairar em cima da cabeça dos franceses. Aliás, a França só entrou na Copa da África do Sul por causa de um erro de arbitragem que validou um gol irregular onde a bola tocou na mão de Thierry Henry, hoje em fim de carreira nos Estados Unidos. Não seria surpresa se esse time francês ficasse de fora de sua primeira Copa depois de 20 anos.

O próximo adversário dava uma leve ponta de esperança para os franceses. Afinal, o Brasil não vencia a França desde 1992. E desde então vieram empates e vitórias históricas francesas, como a final de 1998 e as quartas de 2006. E a Seleção Brasileira estava desacreditada, mesmo na véspera da Copa das Confederações. Mas como futebol se decide em campo, naquele dia em Porto Alegre, vitória brasileira por 3x0 (e ainda cabia mais gols). O Brasil ainda ganharia a Copa das Confederações, resgatando a confiança de seu torcedor. Enquanto a França só atraía mais desconfiança, e com razão.


Em Agosto, a França enfrentava uma das grandes sensações europeias do momento, a Bélgica. Conseguiu segurar um empate em 0x0 jogando em Bruxelas. Mas o que importava viria no mês seguinte, um jogo teoricamente fácil, contra a Geórgia fora. Para se manter viva na luta por uma vaga direta na Copa, era necessário vencer esse jogo. E, para a tristeza dos franceses, um empate broxante por 0x0 foi o placar final naquele dia em Tblisi.


A Espanha ganhou da Finlândia e com isso isolava-se na liderança do grupo, praticamente tirando todas as chances da França conseguir a vaga direta. A vitória contra Belarus, por 4x2, em Minsk, foi essencial para que os franceses garantissem pelo menos a vaga na repescagem.


Antes do último jogo da fase de grupos das Eliminatórias, a França jogou um amistoso contra a Austrália, que já estava confirmada na Copa através das Eliminatórias Asiáticas. Um passeio: 6x0.


Enfim, chegava o último jogo. A Espanha já estava classificada para a Copa, mas mesmo assim ganhou o seu compromisso contra a Geórgia. Já com a cabeça na repescagem, a França venceu facilmente a Finlândia, que já não brigava por mais nada. 3x0


Dependendo do sorteio das partidas da repescagem, a França poderia ter trabalho, já que poderia enfrentar times como Portugal. A Ucrânia foi recebida com um pouco de alívio, afinal o time ucraniano já não era tão forte como em 2012. Mas no primeiro jogo a Seleção Francesa voltou a assustar seu torcedor, e a Ucrânia ganhou de 2x0 em Kiev com facilidade espantosa. Seria a vingança pela Euro 2012?


Visto a facilidade com que a Ucrânia venceu a França, muitos já começaram a descartar a vinda dos "Bleus" para o Brasil. Reverter 2x0 não seria fácil, e mesmo jogando em casa esse time da França não era confiável. Talvez por uma questão de peso de camisa, talvez por vergonha na cara dos jogadores, a França foi muito superior à Ucrânia no jogo de volta, em Paris. Conseguiu reverter o resultado, fazendo 3x0. E se levasse um gol, estaria fora, já que há o critério do gol marcado fora de casa. Muitos fatores construiram essa vitória importante: a atitude dos jogadores franceses, que pressionaram o jogo todo; a apatia do time ucraniano, que visivelmente entrou de salto alto; e, como em 2010, a arbitragem, que validou o 2o gol francês que foi em posição de impedimento e expulsou (justamente) um jogador da Ucrânia. A França, enfim, estava na Copa de novo!


Esse jogo foi a última vez que a França usou o uniforme azul lançado no princípio de 2012. No mesmo dia da partida, já foi revelado qual vai ser a nova camisa que os franceses utilizarão em solo brasileiro, pelo visto, mais um ótimo trabalho da Nike (provavelmente mais um uniforme da França para a Mantoteca).





E por ora é só. O post homenageando a Croácia virá na parte 2 e contará um pouco mais sobre campanha croata na Euro 2008 e a tentativa frustrada de se classificar para a Copa de 2010.
Até lá!



domingo, 8 de setembro de 2013

POST DE HONRA (atrasado) - Bayern de Munique 1995/97: camisa nova, sonho antigo.

Olá galera.
Como vocês podem ver, ando bastante atarefado aqui na Alemanha, e por isso está me restando pouco tempo para atualizar o blog.
Falando em Alemanha, na sexta da semana passada pudemos presenciar uma revanche histórica. Depois de ter perdido a final da Liga dos Campeões de 2011/12 em casa, depois de sair ganhando e acabar perdendo nos pênaltis, o Bayern de Munique, jogando em Praga (Rep. Tcheca), teve a chance de dar o troco na mesma moeda no Chelsea pela Supercopa da Uefa, algoz daquela ocasião. Dessa vez foi o time inglês que saiu na frente (por duas vezes), levando o gol do empate no último minuto da prorrogação. E acabou  perdendo nos pênaltis, exatamente onde havia saído triunfante na outra vez.

Sem dúvida nenhuma, o Bayern de Munique de 2013 é um time que já estampou o seu nome na História do Futebol, já com uma Quádrupla Coroa (Bundesliga, Copa da Alemanha, Liga dos Campeões e Supercopa UEFA - ainda falta o Mundial de Clubes fim do ano, que pode ser o 3º da história do time). Munique está em festa (comprovado pessoalmente por mim) com o time treinado por Pep Guardiola e dos astros Neuer, Dante, Lahm, Alaba, Schweinsteiger, Ribéry, Kroos, Götze, Robben, Müller, Mandzukic e muitos outros jogadores de nível extraordinário.

Mas hoje, apesar de conter na minha Mantoteca a camisa que fez história na Tríplice Coroa de 2012/13, pego outra camisa da coleção, de uma época onde o Bayern corria atrás para voltar a ser grande como já havia sido nos tempos de Sepp Maier, Gerd Müller e do Kaiser Franz Beckenbauer.


A história das camisas do Bayern de Munique é algo muito peculiar. Esse uniforme de 1995 é um exemplo claro disso. Nos últimos anos é que o time bávaro manteve o padrão de usar apenas uniformes titulares com as cores vermelha e branca (ou dourado, como na temporada passada). Mas nem sempre foi assim.

O Bayern foi fundado com uniforme azul-claro, uma das cores da bandeira da Baviera. Mas como essa era também a cor do arquirrival 1860 München, a camisa titular virou branca com detalhes em grená na gola e no punho das mangas. A tradicional camisa vermelha era apenas usada como uniforme reserva.

Abaixo uma foto do museu do Bayern, mostrando uma réplica da 1a camisa do time, lado a lado com a camisa usada entre 2011 e 2013



A partir dos anos 70, virou o "samba do crioulo doido". O Bayern começou a usar uniformes titulares diferentes, como o listrado verticalmente em branco e azul; o uniforme branco com duas listras verticais, uma azul e outra vermelha, na parte direita; um uniforme branco com as listras da Adidas em vermelho e, enfim, o uniforme todo vermelho. Na mesma época, tivemos como uniformes alternativos uma camisa vermelha com listras verticais brancas finas e uma outra camisa listrada em vermelho e azul, exatamente como a camisa titular de 1995. Abaixo, fotos das camisas que o Bayern usou como 1o uniforme entre os anos 60 e 70, os anos de ouro do clube:



Nos anos 80, a única esquisitice do time de Munique foi adotar um uniforme 2 idêntico à camisa titular da Seleção Brasileira. Tudo isso por causa de uma superstição de que o Bayern nunca vence o Kaiserslautern fora de casa, e realmente era verdade. Mesmo quando o Bayern estava vivendo os seus anos de ouro lá na década de 70, sempre quando jogava com o outro time de vermelho, do oeste alemão, costumava apanhar feio. Por coincidência (ou não), quando usou um uniforme igual ao do Brasil (camisa amarela com detalhes verdes, calções azuis e meias brancas), venceu depois de anos. E o amarelo voltaria a ser usado em outras ocasiões. Mas só como suplente. O uniforme titular permaneceu vermelho por toda a década.

Em 1991 a Adidas lançou sua linha "Performance", com a logomarca que é utilizada até hoje (a das 3 listras cortadas em forma de triângulo). E mais uma mudança aconteceu no uniforme do Bayern: 3 listras azuis desciam do ombro da camisa que antes era só vermelha com detalhes brancos. E assim foi até 1995, quando resolveram ressuscitar o uniforme reserva do começo da década de 1970, mas agora como camisa titular: o Bayern agora definitivamente não era mais vermelho e branco (Rot-Weiss). Era vermelho e azul.


E 1995 estava sendo um triste ano para o Bayern. O Borussia Dortmund e seu uniforme amarelo-fluorescente consagravam-se campeões da Bundesliga. Na Liga dos Campeões, o time bávaro alcançou as semifinais, mas foi massacrado pelo Ajax de Louis Van Gaal (treinaria o próprio Bayern 14 anos depois), o finlandês Litmanen, e jovens holandeses como Kluivert, Davids e o atual maestro do Botafogo Clarence Seedorf. O Bayern levou de 5x2 jogando em pleno Estádio Olímpico de Munique. E o Ajax seria Campeão Europeu pela 4a vez e Bicampeão Mundial no fim daquele ano, contra o Grêmio.


Já usando o seu novo uniforme, o Bayern, contando com jogadores como o goleiro Oliver Kahn, o meia Mehmet Scholl, além de Jürgen Klinsmann e Lothar Matthäus, não foi capaz de segurar o Dortmund novamente na Bundesliga. Terminou em 2o lugar, 6 pontos atrás do time do Vale do Ruhr, que consagrou-se bicampeão. Na Pokal (Copa da Alemanha), o Bayern caiu logo na 2ª rodada para o Fortuna Düsseldorf, jogando fora de casa, e perdendo por 3x1.


A sorte do Bayern é que na temporada 94-95, mesmo tendo feito uma campanha pífia, o time conseguiu pegar a última vaga para a Copa UEFA (atual Europa League). E estreou nela eliminando o Lokomotiv Moscou, após perder em casa por 1x0, os bávaros não se intimidaram e golearam os russos no próprio estádio: 5x0



O próximo rival do Bayern era o frágil Raith Rovers, da Escócia. Time que havia conseguido superar Celtic e Rangers na temporada anterior, ganhando o título de campeão escocês. Mesmo assim, não conseguiu passar para a fase principal da Liga dos Campeões e acabou sendo rebaixado para a Copa UEFA. E encontrou o tradicional Bayern, que venceu na Escócia (2x0) e em Munique (2x1).

Se o Raith Rovers era um calouro, o Benfica é um veterano de longa data. O tradicional time português era o rival do Bayern na 3a fase da Copa UEFA. Mas 4 gols de Klinsmann já foram suficientes para deixar o veterano parecendo um calouro no 1o jogo em Munique, que terminou 4x1. E nem o gol do brasileiro Valdo no jogo de Lisboa foi o suficiente para evitar mais um passeio do time alemão: 3x1.


Nas quartas-de-final, outro time de vermelho bicampeão europeu esperava o Bayern. Mas esse vinha da Inglaterra, e embora suas duas Ligas dos Campeões conquistadas consecutivamente em 1979 e 1980 tivessem colocado o seu nome na história do futebol, o Nottingham Forest não era mais assustador como foi naqueles tempos de Brian Clough. O jogo em Munique foi apertado, com o time inglês empatando um minuto depois do gol de Klinsmann, mas com Scholl garantindo a vitória aos 44 do 1o tempo. Em Nottingham, um passeio do Bayern: 5x1. Agora era hora de encarar as semifinais do torneio


O jogo contra o Barcelona era como se fosse a final antecipada do torneio. Na outra chave da semi-final, jogavam o Sparta Praga e o Bordeaux (que tinha Zinedine Zidane), mas nenhum dos dois assustava tanto quanto o bicho-papão catalão, vivendo ainda resquícios da sua era de "Dream Team", quando ganhou a Liga dos Campeões em 1992 e foi soberano no Campeonato Espanhol de 91 até 94. O jogo de Munique foi uma pedreira, exatamente como se esperava. O Barcelona saiu na frente aos 14 do 1o tempo, mas o Bayern precisou apenas de 5 minutos para virar o jogo, entre os 7 e 12 do 2o tempo. Mesmo assim, o romeno Hagi ainda empatou o jogo aos 32 minutos, deixando o Barça em vantagem para o jogo no Camp Nou.


Mas a vantagem do Barcelona foi embora logo aos 40 do 1o tempo no 2o jogo, com o gol de Babbel. E o Bayern ainda ampliaria o placar, aos 39 do 2o tempo. O Barça ainda tentaria uma reação tardia aos 44, mas depois disso não houve mais nada. Bayern de Munique na final, com chances claras de ganhar um título internacional importante 20 anos depois de ter vencido o Cruzeiro na final do Mundial de Clubes.

O rival seria o Bordeaux de Zidane, e também de Bixente Lizarazu, outro francês que seria ídolo do Bayern de Munique nos anos seguintes. Naquela época, a Copa UEFA era decidida em dois jogos, na casa de cada time. E o jogo decisivo foi marcado para a França. Sabendo disso, o Bayern venceu o jogo de ida por 2x0 em Munique, gols de Helmer e Scholl.


No jogo de volta, o Bayern estreava um uniforme familiar: como o Bordeaux jogava com cores semelhantes ao uniforme titular bávaro, o time alemão criou uma nova versão da camisa branca utilizada nos anos 70, a que tinha duas faixas verticais, uma vermelha e outra azul (uniforme que procuro para a Mantoteca). Usando uma camisa que remetia a era de ouro do clube, o Bayern não teve dificuldades de vencer o 2o jogo, ganhando por 2x0 até os 31 minutos do 2o tempo, quando o time da casa descontou. Klinsmann faria o 3o gol, o gol do título, dois minutos depois, e a vitória por 3x1 daria o troféu da Copa UEFA para o Bayern, encerrando o jejum de duas décadas sem títulos internacionais.

Abaixo, a foto do modelo de uniforme utilizado na final.




O título da Copa UEFA salvaria a temporada do Bayern, que continuaria a jogar com seu uniforme listrado na temporada seguinte (costume que o Bayern manteve até 2009, quando trocou de uniforme titular apenas uma temporada depois). O vice-campeonato de 96 na Bundesliga fez com que o Bayern jogasse novamente a competição, mas dessa vez o final foi trágico. Logo na primeira rodada, a eliminação para o Valencia, depois de levar 3x0 na Espanha. A vitória por 1x0 em casa seria inútil (4 anos depois o Bayern se vingaria do time espanhol em alto estilo, mas isso é outra história)

Na Pokal 1996-97, vitórias sobre rivais tradicionais como o Borussia Mönchengladbach fora de casa (2x1), Werder Bremen em casa (3x1), até ser eliminado pelo Karlsruhe por 1x0, jogando na cidade do time de azul.

Na Bundesliga, era hora de acabar com a soberania do Borussia Dortmund, que vinha com um elenco forte buscar o tricampeonato. E com 71 pontos, o Bayern voltava a vencer o título nacional. O Bayer Leverkusen ficou apenas 2 pontos atrás e o Borussia Dortmund ficou em 3o, com 8 pontos atrás.

Abaixo, uma foto de um dos jogos entre Bayern e Dortmund pela Bundesliga 97-98, a discussão entre 2 craques alemães: Matthäus e Möller


Porém, o título do Bayern seria ofuscado por dois outros alemães. Pela Copa UEFA, o Schalke 04, que não ganhava algo relevante desde 1958, quando ganhou seu último campeonato alemão (até hoje nunca mais voltou a vencer esse título), consagrava-se campeão continental pela primeira e única vez.

E ainda havia coisa pior. Jogando a final em pleno Estádio Olímpico de Munique, o Borussia Dortmund levantava o título de Campeão da Liga dos Campeões pela primeira vez em sua história. Em cima da forte Juventus, que defendia o título. Ainda igualaria o time bávaro ganhando no fim daquele ano o Mundial de Clubes, e por coincidência, em cima do mesmo Cruzeiro que perdeu em 1976 para o Bayern.

A promessa para a temporada 1997-98 era azul. Literalmente. Se o uniforme listrado utilizado nos últimos dois anos pelo Bayern não tinha muito a ver com sua história, o que dizer do uniforme azul-marinho com detalhes vermelhos utilizado como titular a partir de 1997 até 99? Essa foto é de um exemplar da Mantoteca, que está a venda por não ser do meu tamanho (alguém interessado?)


Bem, por hoje encerro este post de honra em homenagem a mais um título do Bayern de Munique, lembrando de um tempo onde as coisas eram bem mais difíceis. Hora de voltar para a realidade, para o atual Bayern que veste vermelho e joga um futebol bonito. Abraços e até a próxima!

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Alemanha 1994/95 - Os últimos suspiros de uma geração vitoriosa.

Olá acompanhantes da Mantoteca.
Como já devem ter percebido, estou há bastante tempo sem postar. Isso devido à minha mudança para a Alemanha, onde viverei por um tempo. Agora, enfim, já em terras estrangeiras, poderei voltar a atualizar o Blog constantemente.

E como o assunto é Alemanha, o tema não poderia ser outro. Hoje, diretamente da Mantoteca, falarei de uma relíquia que consegui com um amigo: o uniforme da Seleção Alemã de 1994.


Como podem perceber, este uniforme é a evolução dos seus dois antecessores, duas camisas que também têm muita história para contar. A começar pelo uniforme de 1988, que ficou mais conhecido dois anos depois pelo simplório motivo mostrado na foto abaixo:


Lothar Matthäus e o troféu da Copa do Mundo, em 1990. A Seleção Alemã, comandada pelo "Kaiser" Beckenbauer (junto ao Zagallo, o único que ganhou Copa como treinador e jogador), mesmo desacreditada depois de ter parado na Holanda de Van Basten, Gullit e Rijkaard na Euro de 1988 (que foi disputada na própria Alemanha Ocidental), conseguia superar a Argentina de Maradona na final, vingando a derrota de 1986, e conquistando o Tricampeonato, empatando então com Brasil e Itália.

 Em Novembro de 1989, o famigerado Muro de Berlim era derrubado e as fronteiras entre Alemanha Ocidental e Oriental foram reabertas depois de longos 28 anos. Era dado o primeiro passo para a Reunificação Alemã, que se concretizaria quase um ano depois, em 3 de Outubro de 1990. A Copa do Mundo ocorreu na vizinha Itália, em Junho, ainda com as duas Alemanhas divididas. A Seleção de 1990 foi a última que representou apenas um lado do país, porém, num momento muito especial de sua História.

O uniforme criado em 1988 e utilizado até 1991, já com a Alemanha reunificada, na minha opinião, é uma das indumentárias de futebol mais bonitas de todos os tempos. Foi o primeiro uniforme alemão com detalhes bem visíveis de sua bandeira tricolor (que tem uma combinação de cores perfeita: preto, vermelho e dourado), antes as cores da bandeira ficavam limitadas no máximo aos punhos da camisa, em detalhes menores. É um uniforme que um dia ainda conseguirei colocar na minha Mantoteca.



Em 1992, às vésperas de uma nova Euro, na Suécia, a Alemanha fez um novo uniforme, também com detalhes remetendo as 3 cores da bandeira, só que agora apenas nas mangas. Foi também o primeiro uniforme alemão com o logotipo atual da Adidas, que era utilizado na época em camisas especiais da marca, as chamadas "Adidas Performance".



A Alemanha em 1992 chegava mais uma vez na final. Porém, o desfecho na Euro foi diferente de 1990. Surpreendidos pela Dinamarca (que entrou de convidada na competição, após a suspensão da Iugoslávia pela UEFA devido à eclosão da Guerra dos Balcãs), perderam o jogo final por 2x0. Mesmo assim, a Seleção Alemã ainda era favorita ao título de 1994, para o terror do Brasil, que vivia má fase e ainda corria o risco de ver outra seleção assumindo o posto de mais vitoriosa do Mundo.

Um destaque para o também surpreendente uniforme da Dinamarca campeã de 1992. Também procurado pela Mantoteca:


Como na época (regulamento que valeu até 2002) o campeão da Copa anterior classificava-se diretamente para a Copa seguinte, a Alemanha não teve que se preocupar com as Eliminatórias Europeias, onde gigantes como Inglaterra e França sucumbiram. O time germânico apenas realizou amistosos enquanto se preparava para desembarcar na América do Norte em 1994.

E então, chegou o ano de mais uma Copa do Mundo. A primeira Copa em que a Alemanha voltaria a disputar depois da Reunificação. E para esse momento especial, mais um belo uniforme foi confeccionado. Aquele que foi feito para ser o uniforme do Tetracampeonato. E então começamos a contar as histórias que essa camisa alemã tem para dizer.


A estreia dessa camisa não poderia ter sido de forma melhor: vitória de 2x1 em cima da rival e carrasca histórica Itália num amistoso disputado em casa, em Março de 94. E foi de virada, após sair perdendo por 1x0, gol de Dino Baggio, Klinsmann marcou duas vezes e consagrou a vitória.


O próximo compromisso alemão foi no calor dos Emirados Árabes, contra a seleção local. Vitória fácil por 2x0. Porém, o susto veio um mês antes do início da Copa, em Maio. Contra a Irlanda, jogando em casa, na cidade de Hannover, uma derrota por 2x0. Era hora de acender o sinal amarelo.


O fatídico mês de Junho chegou. E enquanto a hora de embarcar para a Terra do Tio Sam não chegava, os alemães faziam mais dois amistosos. O primeiro, uma fácil vitória sobre a vizinha Áustria jogando em Viena: 5x1. O segundo jogo, já em território norteamericano, um triunfo de 2x0 sobre o escasso futebol do Canadá, em Toronto.


E o momento tão aguardado chegou. 17 de Junho de 1994. Contando com vários remanescentes do Tri de 1990: o goleiro Illgner, Andreas Brehme (autor do gol do título de 90), Kohler, Buchwald, Möller, Riedle, o eterno meia Lothar Matthäus (que foi jogar sua 4a Copa - e ainda jogaria em 1998), o goleiro reserva Köpke, Rudi Völler, Berthold e, por fim, o artilheiro Klinsmann. Um destaque daquele time era o jogador Mathias Sammer, atacante que defendeu a Alemanha Oriental e naqueles dias se destacava no Borussia Dortmund e na Seleção Alemã Reunificada. E também destacam-se o meia Stefan Effenberg e o terceiro goleiro Oliver Kahn, estreantes em Copas, ambos com 25 anos na época.

O treinador não era mais Beckenbauer, que em 1994 assumia a presidência do Bayern de Munique. Desde o final da Copa de 1990, o treinador da Seleção Alemã era Berti Vogts, até então interino do Kaiser. Tentando manter o ritmo que consagrou o Tricampeonato, a Alemanha chegava aos Estados Unidos pronta para buscar o Tetra.

Até 2002, a seleção campeã do Mundo na outra edição fazia o jogo inaugural da Copa. A partir de 2006 é que o anfitrião começou a dar o pontapé inicial. Em 1994, a Alemanha, na sua condição de campeã do Mundo, estreava no calor do verão de Chicago contra uma surpresa vinda da América do Sul. A Bolívia, de jogadores como "El Diablo" Etcheverry, que havia deixado o tradicional Uruguai para trás nas Eliminatórias Sul-americanas.

Aquela Bolívia ficou conhecida por ser forte mesmo jogando fora da altitude de La Paz. Mas não era o bastante para parar os até então campeões do Mundo. Klinsmann deixou sua marca aos 16 do 2o tempo, e já no fim do jogo, aos 37, o craque boliviano Etcheverry ganhava destaque. Não por ter feito um gol, ou uma jogada bonita. Mas por ter sido expulso. Fim de jogo, e confirmado o favoritismo alemão. 1x0.


O próximo jogo em Chicago prometia ser mais difícil. A sempre complicada Espanha, dessa vez vindo com a base que foi campeã olímpica em 1992 e boa parte daquele "Dream Team" do Barcelona do início dos anos 90, contendo jogadores como o eterno goleiro Zubizarreta, Hierro, Sergi, o atual técnico do Bayern de Munique Pep Guardiola, Luis Enrique e Bakero. Como previsto, foi um jogo complicado. A Espanha largou na frente, aos 14 do 1o tempo, com gol de Goikoetxea. Mas, logo no começo do 1o tempo, Klinsmann empatou a parada. E terminou 1x1.


De Chicago, hora de partir para o Texas. Em Dallas, o terceiro jogo da fase de grupos seria realizado. Aquele que foi registrado como o jogo mais quente de uma Copa do Mundo: a temperatura no gramado atingiu mais de 40 graus. Sob um intenso calor, a Seleção Alemã jogou o suficiente para abrir 3x0 contra a fraca Coreia do Sul. E mesmo assim ainda levaria 2 gols. Alemanha classificada para o mata-mata como líder de seu grupo. Depois de três jogos que não provaram muita coisa.


Na fase eliminatória da Copa do Mundo, os alemães voltavam para Chicago e encaravam um adversário perigoso. A Bélgica, que possuía em seu plantel jogadores como o excelente goleiro Preud'homme e o meia Enzo Scifo. Na Copa anterior, a Bélgica só caiu na prorrogação contra a Inglaterra nas oitavas de final. E nessas oitavas de 1994, era hora da Alemanha passar pela forte seleção da terra dos Smurfs e do Tintin.

O jogo começou movimentado. Völler abriu o placar aos 6 minutos da etapa inicial, mas Grün empatou dois minutos depois. Eis então que o matador Klinsmann, 3 minutos depois do empate, desempatou novamente a partida. A Alemanha só não fez mais gols pois o goleiro Preud'homme fez uma atuação de gala, o que possibilitou ao time belga brigar com firmeza. Mas Völler, novamente, aos 40 do 1o tempo, fez mais um gol e abriu a vantagem de 3x1. A Bélgica tentou segurar a Alemanha, mas o outro gol belga só saiu aos 45 do 2o tempo, o que não adiantou muito. Placar final: 3x2, e o sonho alemão de um Tetracampeonato estava apenas a três jogos de distância.


O próximo adversário das quartas-de-final prometia ser mais fácil. Afinal, a Bulgária não tem tradição nenhuma em Copas do Mundo. Em 1994 era a primeira vez que a seleção búlgara passava da fase de grupos. Mesmo tendo eliminado a França nas Eliminatórias e goleado a Argentina na fase de grupos, ninguém ainda levava a sério a equipe do Leste Europeu. Passou de fase nos pênaltis contra o México, o que aumentava ainda mais a desconfiança.

New Jersey, 10 de Julho de 1994. Faltavam apenas 7 dias para que o Tetra se consolidasse. Entram em campo a Alemanha, defensora do título mundial, e a Bulgária, que apenas assustava com o terrível artilheiro do Barcelona Hristo Stoitchkov, além da "beleza inversa" do zagueiro Trifon Ivanov. Haviam outros bons nomes, como o calvo Letchkov e Balakov, ambos meias. Mas nada que pudesse botar muito medo na forte Alemanha.

E realmente, não havia motivos para ter medo. Quando Matthäus abriu o placar, de pênalti, aos 2 minutos do 2o tempo, tudo parecia encaminhado para uma vitória alemã e a consequente classificação para as semis. Mas aos 30 minutos, uma falta na entrada da área mudaria toda a história daquele jogo. O artilheiro Stoitchkov bateu com perfeição. Tudo igual. Mas o golpe de misericórdia viria dois minutos depois, quando, de cabeça, Letchkov fez o 2o gol e virou o jogo. A Alemanha sentiu o gol e parou de atacar como estava antes da virada. E assim foi até o final. A Bulgária surpreendia novamente. A poderosa Alemanha campeã do Mundo estava fora da Copa.


A Alemanha cansou tanto o time búlgaro que a surpresa acabou parando na semi-final. Roberto Baggio, o artilheiro da Itália, marcou duas vezes em 4 minutos, no meio do 1o tempo. Mesmo assim, a raçuda Bulgária tentou reagir, com um gol de pênalti de Stoitchkov. Não deu. A final seria Brasil X Itália, e um deles sairia Tetracampeão, o que a Alemanha tanto quis naquele ano. Para nossa alegria, o título foi brasileiro, mas isso é outra história (a camisa do Tetra do Brasil está na Mantoteca).

Após a ressaca da Copa de 1994, já chegava a hora de se preparar para a Euro de 1996, que seria disputada na Inglaterra. As eliminatórias começariam ainda em 94. Enquanto os jogos importantes não vinham, dois amistosos foram realizados: uma vitória por 1x0 sobre a Rússia em Moscou e um empate contra a Hungria em Budapeste.


E então, começaram as eliminatórias para a Euro 96. Contra as fracas seleções da Albânia e da Moldávia, vitórias por 2x1 e 3x0, respectivamente, jogando nos países deles. E ainda em Dezembro de 1994, o jogo de volta contra a Albânia, um novo 2x1, só que em gramados alemães. Vale ressaltar que a seleção ainda era basicamente a mesma da Copa e o técnico Berti Vogts foi mantido no cargo, como um voto de confiança.

 


1995 chegou, e agora a meta era a Euro 96. Aos poucos, a ressaca da Copa de 1994 ia se curando. E logo no 1o jogo do ano, em Fevereiro, a reedição de um confronto daquela Copa: novamente um jogo contra a Espanha, num amistoso disputado em terras ibéricas. E novamente um empate, dessa vez sem gols.


Hora de voltar às Eliminatórias da Euro. Contra a fraca Geórgia, vitória por 2x0 no campo rival. Contra o País de Gales, jogando em casa, um decepcionante empate por 1x1. Os galeses contavam com nomes como Ian Rush (ídolo do Liverpool) e Vinnie Jones (aquele mesmo que viraria ator).



A Alemanha estava há 8 jogos invicta. Desde a fatídica derrota na Copa que o time não perdeu mais. Pois então, novamente aparecia a nova carrasca da Alemanha: a Bulgária. Num jogo válido pelas Eliminatórias, jogando na capital búlgara Sófia, novamente a Alemanha largava na frente no placar, com um gol de Klinsmann aos 11 do 1o tempo. E aos 44, o time alemão ampliava o placar, com um gol de Strunz. Dessa vez, a vitória estava mais do que certa.

Ledo engano. Apenas um minuto depois, pênalti para a Bulgária. E o matador Stoitchkov diminui o placar. E novamente, a Alemanha sofre uma virada-relâmpago dos búlgaros. Stoitchkov empata em novo pênalti aos 21 minutos do 2o tempo e, apenas três minutos depois, Kostadinov consolidava a virada. De 2x0 para 2x3, mais uma virada para a Bulgária. Mais uma derrota dolorida.


Em Julho de 1995, pausa nas eliminatórias para a disputa de um torneio que comemorava o centenário da Federação Suíça de Futebol. E logo de cara uma pedreira: jogo contra a vice-campeã mundial Itália. Mas a Alemanha mostrou sua força e logo no 1o tempo deu números definitivos ao placar: gol de Helmer aos 4 minutos e um inesperado gol contra de Maldini deram os 2x0 para os alemães.


No jogo final, contra a anfitriã Suíça, Hassler abriu o placar aos 18 do 2o tempo, Knup empatou aos 30 e Möller fez o gol do título do torneio aos 38. O que pode servir para revigorar a disposição alemã nos jogos eliminatórios para a Euro.


Os próximos jogos das Eliminatórias para a Euro da Inglaterra seriam decisivos. Após a derrota para a Bulgária, mostrou-se novamente que o time alemão não era imbatível. Antes disso, mais um amistoso que reeditava a Copa de 1994: Bélgica X Alemanha. Dessa vez, em território belga. Möller abriu o placar aos 6 minutos do 1o tempo, mas Goosens empatou aos 17. Mesmo assim, Bobic deu o número final ao jogo aos 39 do 2o tempo: 2x1 Alemanha


Nos 3 jogos seguintes pelas eliminatórias, o que se viu foi um passeio alemão. Começando pelo 4x1 na Geórgia em casa. Depois, também em casa, 6x1 na Moldávia. No País de Gales, 2x1 contra os locais. Jogo que teve dois gols contras. O primeiro de Andy Melville, aos 30 do 2o tempo, e três minutos depois, gol contra de Helmer. Porém, Klinsmann enfim acertou o gol certo aos 35 e deu a contagem final.




A Alemanha estava praticamente classificada. Mas o jogo final das Eliminatórias contra a Bulgária serviria para tirar essa pedra do Leste Europeu de dentro do sapato alemão. 15 de Novembro de 1995, no histórico Estádio Olímpico de Berlim, o derradeiro jogo das Eliminatórias começava. E aos 2 do segundo tempo, parecia mais uma vez que a freguesia se consolidaria. Stoitchkov não perdoou e abriu 1x0. Seria o fim de uma série de seis vitórias seguidas da Alemanha?

Três minutos depois, Klinsmann mostrou que não haveria uma terceira vez. Com o jogo empatado, restou a Thomas Hassler marcar mais um gol aos 11 do 2o tempo. E no melhor estilo "sai zica", o artilheiro Klinsmann fez, de pênalti, o gol que consolidou a vitória da Alemanha, aos 31 minutos. Mesmo com a derrota, a Bulgária também se classificou para a Euro. 





Depois da sensacional série de 7 vitórias seguidas, a Alemanha ainda teria um último compromisso em 95: um amistoso contra a África do Sul em Johannesburgo. Quem esperava a oitava vitória consecutiva do time alemão se decepcionou: o jogo terminou 0x0.

Em Fevereiro de 1996, ainda usando o uniforme apresentado pela Mantoteca, a Alemanha foi para a cidade do Porto, em Portugal, e venceu os locais por 2x1, com dois gols de Möller, já se preparando para o torneio que viria. Era a última vez que o time alemão usaria essa camisa, já que no amistoso contra a Dinamarca no mês seguinte estaria vestindo o novo modelo, mais simples e mais clássico


Abaixo, imagem do uniforme utilizado pela Alemanha entre 1996 e 1997. As cores da bandeira alemã voltaram a ficar discretas na camisa.



Com o uniforme acima, a Alemanha garantiria seu último grande título: a Euro de 96. Como podemos ver nessa postagem, o uniforme usado anteriormente também tem sua parte nessa conquista, afinal foi utilizado durante todos os jogos das Eliminatórias para a competição. Embora a cicatriz da eliminação para a Bulgária na Copa de 1994 ainda esteja visível em cada camisa daquelas.

Desde então, a Alemanha vem formado grandes times, chegando em finais como a da Copa de 2002 e a da Euro 2008, além de fazer ótimas campanhas como a da Copa de 2010 e a da Euro 2012. Porém, sempre vem batendo na trave, e desde 1996 não surge nenhum título de expressão para uma seleção tão tradicional que possui três Copas do Mundo e três Eurocopas. Será que a geração atual da Alemanha, de Neuer, Lahm, Schweinsteiger, Müller, Khedira, Özil, Gomez, Reus, Götze, Gündogan, Hummels e tantos outros jogadores excepcionais escreverão o seu nome em 2014, no Brasil? Vamos esperar para ver.