terça-feira, 20 de outubro de 2015

De Volta Para o Futuro - A história das camisas de futebol em 1985 e 2015

   Olá pessoal!
   Provavelmente o leitor já assistiu alguma vez na vida a clássica trilogia de filmes "De Volta Para o Futuro", de Robert Zemeckis. Muitos vão se lembrar do incrível DMC DeLorean que foi a inusitada máquina do tempo e um dos símbolos da série. E também se lembrarão que no segundo filme Marty McFly e o Doutor Brown resolvem parar... em 21 de Outubro de 2015, ou seja, EXATAMENTE HOJE.


 
   21 de Outubro de 2015 (além de ser aniversário de quem vos digita, espero meu bolo e minha cerveja hehe) é o dia em que se passa o segundo filme, aonde nós podemos ver o "futuro" idealizado pelo pessoal de 1989 (ano de lançamento), tempos de fim da Guerra Fria, Bush pai presidente e Fernando Collor de Mello eleito no Brasil. Lembranças à parte, o filme prevê um futuro com pessoas andando com skates voadores (o hoverboard), autoestradas cruzando o céu com carros voadores, tênis que se amarram sozinhos e outros absurdos que não saíram dos testes de laboratório até hoje, mas também acerta ao mostrar um óculos que pode ver informações (Google Glass, é você?), um tablet na mão de um transeunte, as franquias de filmes que não acabam nunca ("Tubarão 19") e a onda retrô anos 80 (quem lembra da cena do barzinho com o Michael Jackson - saudades - de barman virtual?).

   Mas como o blog é de camisas, vamos falar delas. Como as camisas de futebol do futuro eram idealizadas em 1985? Eu não sei, mas sabemos como elas evoluíram. Vamos começar com a camisa do atual Campeão da América, o River Plate:



   A Adidas era extremamente popular no fornecimento de camisas em 85. Para se ter uma ideia, até os times pequenos brasileiros recebiam o fardamento da marca das três listras. Como podemos ver, o River está usando um escudo diferente, com o desenho de um leão gigante saindo do Estádio Monumental de Nuñez. Esse distintivo se tornaria popular um ano depois, sendo usado na camisa em que o time portenho venceu sua primeira Libertadores. Mas não durou muito tempo, saindo do uniforme ainda no fim dos anos 80 e sendo substituído pelo escudo tradicional, que está até hoje na camisa. 

 
   Essa é a camisa do River 2015, que foi lançada ano passado, fazendo parte de uma campanha vitoriosa em que engloba a Sulamericana 2014, a Recopa 2015 e por fim, a Libertadores atual. As 3 listras da Adidas estão numa disposição incomum em relação aos uniformes de 85 (muitas vezes alguns times nem as tinha - o que deixava a camisa mais limpa visualmente), criada na metade dos anos 90 e usada no uniforme do time alvirrubro também em 1996, ano da segunda Libertadores. Outra diferença óbvia é o tecido, no lugar do acrílico (o famoso "pano"), a mistura de algodão com tecido sintético que forma a malha Climacool, com alguns furinhos para circular melhor o ar. Além do logotipo da Adidas Performance, o triângulo formado pelas 3 listras, que apareceu em 1991 e substituiu o logotipo "Trefoil" de vez nas camisas de jogo em 1998. O logo antigo da Adidas agora apenas aparece em sua linha "Originals".

   Se eu falei do campeão da América, nada mais justo falar do campeão europeu. O Barcelona é o atual detentor da Liga dos Campeões da Europa, ironicamente em cima do campeão de 1985, a Juventus. Mas em 85, numa época em que nunca havia encostado o dedo na taça da UCL (só o faria sete anos depois), o Barça também portava uma camisa muito diferente da atual. Tradicional listrada "blaugrana" na vertical, azul e grená, detalhes amarelos apenas no escudo, e uma fornecedora catalã: a Meyba (que também confeccionou uniformes para o Atlético de Madrid). Essa camisa acima foi lançada em 1984 e duraria até 1989, algo surreal hoje em dia quando os times mudam de uniforme obrigatoriamente todo ano.


   E voltamos para o futuro, digo, presente. O torcedor "culé" que veio em seu DeLorean partindo de 1985 pode até se encantar com o imenso poder que seu time ganhou nos últimos 30 anos, mas certamente está horrorizado ao ver as listras verticais do seu Barcelona terem se tornado horizontais pela primeira vez na história do futebol do clube (o basquete já usava). A Nike em 1985 era praticamente inexistente no mundo futebolístico, fornecia pouquíssimos times, como por exemplo o Sunderland da Inglaterra, porém investiu bastante no esporte bretão nos últimos anos, tornando-se uma gigante indiscutível do futebol.
   A marca americana entrou no Barça em 1998 e foi modificando o tradicional uniforme, escurecendo o tom de azul, acrescentando sempre um detalhe amarelo e vermelho que remete à bandeira da Catalunha, além de outros pontos amarelos na camisa, nesse caso as barras laterais, o símbolo da fornecedora e o da Unicef na parte de trás e a fonte de numeração. Enquanto o Barça não amarelava mais em campo, a Nike sempre deixa seus pontinhos amarelos na camisa "blaugrana".
   Outro detalhe que o torcedor catalão deve repudiar é o patrocínio na indumentária. O Barcelona passou anos sem patrocinador na camisa e isso era motivo de orgulho. Em 2006, num ato de solidariedade, o logo da Unicef foi acrescentado à frente do uniforme para demonstrar que o clube apoia financeiramente a instituição. Porém, em 2013 o dinheiro falou mais alto e a Qatar Airways foi o primeiro patrocinador a estampar o seu nome na camisa antes intocável.






  Nos anos 80, as marcas que ditavam a moda nos uniformes eram diferentes. O Chelsea, nem de longe tão poderoso quanto hoje, era fornecido pela francesa Le Coq Sportif (que também patrocinava o Zico na época). A marca também vestia grandes equipes como o Fluminense Campeão Brasileiro de 1984 e Tri Carioca em 85, e, claro, a Argentina de Maradona que ganharia o Bi Mundial em 86. A marca perdeu força, mas tenta recuperar o fôlego voltando à ativa, em times como a Fiorentina.




   Hoje o Chelsea é bilionário, time de bacana, campeão da UCL, uma das principais marcas do catálogo da Adidas, que fez para essa temporada um uniforme que remete aos velhos tempos, com detalhes vermelhos na gola e nas mangas, algo que era banal nos anos 80 em Stamford Bridge.




   Em 1985 o uniforme titular alemão só podia ter duas cores: preto e branco, as cores da bandeira da antiga Prússia. A Adidas da Europa já possuía uma tecnologia melhor que a filial da América do Sul, sendo capaz de produzir camisas estampadas e com tecido sintético naquela época, o que viria apenas a se popularizar no Brasil no começo dos anos 90.





  As cores da atual bandeira alemã só foram aparecer no uniforme em 1986, reduzidos a pequenos detalhes na gola e nas mangas. Em 1988 as três cores da bandeira resolveram tomar conta da camisa, o que originou este clássico do vestuário futebolístico usado no Tri Mundial em 1990. E desde então a camisa da Alemanha sempre tem detalhes em vermelho e dourado, sejam pequenos ou bem visíveis, como no uniforme atual, que marcou a conquista do Tetra ano passado. Destaque para os horrendos calções brancos titulares, impensáveis em 1985 e que vão voltar a ser pretos ano que vem para a Euro.





   Falando de Alemanha, impossível deixar de falar do Brasil. Numa época em que tomar 7x1 de alguém em casa numa semifinal de Copa do Mundo era literalmente roteiro de filme, o Brasil vestia um uniforme muito parecido com o do timaço de 1982, com diferença apenas no logotipo da Topper que saiu da manga e foi para o peito. O escudo da CBF, com a Taça Jules Rimet e o ramo de café, é outro marco daquela época. Foi criado em 1981 e acabou aposentado 10 anos depois. E era fornecido por uma empresa nacional: a Topper, que também cuidava do Corinthians da época. Hoje em dia, a Topper, além do logotipo diferente, está mais presente na Argentina em times como o Racing do que no próprio Brasil, onde fornecia o Grêmio até ano passado.





 
O Brasil quebrou o jejum de 24 anos, foi Tetra em 1994 e Penta em 2002. E agora? Todos nós sabemos que uma grande crise assola o futebol brasileiro. O 7x1 de 2014 marcou definitivamente essa camisa acima, que mesmo depois do vexame não foi aposentada até agora. A Nike, parceira da CBF desde 97, deixou o amarelo da Seleção Brasileira mais claro, ao contrário do amarelo mais forte dos anos 80, além de escurecer o azul dos calções, que na época eram mais celestes. E na camisa de 2014/15 ainda inventou essa gola em "Y" que particularmente acho tão feia quanto o futebol que o escrete brasileiro anda jogando. A mesma Nike que acabou com uma parceria que em 1985 parecia que nunca teria fim.


 
   Desde 1966 (após uma interrupção entre 74 e 84 pela Admiral), a Inglaterra teve seus uniformes feitos pela Umbro. Esse era o modelo usado em 1985 e também na Copa de 86 (vítima do golaço do Maradona). Até 2012 parecia que a parceria duraria mesmo para sempre, quando a Nike, dona da Umbro na época, resolveu assumir o comando do "English Team". A Umbro logo em seguida foi vendida, mas até hoje os ingleses usam a marca dos americanos, e deverão usar por mais alguns anos. Mas mesmo não sendo mais uma camisa da marca dos dois diamantes, a Nike soube dar um tom sóbrio ao uniforme atual do jeito que a Umbro gostava de dar



  Em 1985, o Corinthians possuía apenas duas opções de camisas. Ou era branco ou era o tradicional preto de listras finas. A Kalunga começava a estampar sua marca no uniforme do Timão naquele ano (e ficaria mais nove ali).


  É certeza que o corintiano que chegar lá de 85, de carona com o Marty McFly, vai ficar feliz demais ao ver que seu time ganhou cinco títulos Brasileiros (e o sexto está quase vindo), dois Mundiais de Clubes e uma Libertadores. Mas terá um saudosismo imenso quando olhar para a camisa que seu time do coração está usando neste ano.






   Certamente ele vai ter um acesso de raiva ao ver que seu Timão está usando uma camisa com mangas pretas (ele não viu o Mundial de 2000, por isso não entenderá) e numeração dourada. Mas o que vai deixar o nosso corintiano do passado furioso de verdade será o momento em que ele ver o terceiro uniforme desse ano, moda que começou nos anos 80 na Europa e hoje é mandatória em praticamente todos os lugares.


  LARANJA? Você tenta acalmar o torcedor do passado, falando que é homenagem ao Terrão (mesmo que ele contra-argumente com razão que o uniforme deveria ser marrom). Então ele acaba descobrindo que nesses últimos anos o Corinthians vestiu roxo, roxo com preto e dourado, preto com roxo e dourado, grená, cinza, até mesmo azul. "Daqui a pouco vamos ter um uniforme verde que nem o Palmeiras", diz ele. E quem somos nós para duvidar de sua premonição?

  Esse foi o post mostrando como o futuro veio nos uniformes do nosso futebol. E você, o que acha que virá nos próximos 30 anos? Flamengo com listras verticais, Corinthians de verde, Atlético Mineiro de azul e branco, ou até mesmo o México usando preto (opa, esse já existe)... são muitas indagações, afinal o futuro não nos pertence. Ainda.

Então vamos colocar nossas camisas do jogo da vida e partir para cima desse adversário tão indecifrável, o tempo!




terça-feira, 8 de setembro de 2015

Oktoberfest e suas camisas... de futebol!

   Olá pessoal! Como muitos sabem, Munique é uma das cidades mais importantes no mundo do futebol, muito se deve por ser a sede do poderoso Bayern, o maior time da Alemanha e um dos maiores do planeta. Mas todos conhecem o outro lado da capital da Baviera, que é famosa pela sua cerveja servida em fartas canecas de 1 litro e pelos trajes axadrezados com calças de couro e suspensórios que formam o estereótipo do alemão clássico visto pelos estrangeiros. Isso muito devido à famosa Oktoberfest, a festa anual que ocorre todo mês de Setembro e é regada pela melhor cerveja bávara, carne de porco, mulheres com o vestido típico (Dirndl) e os homens com as supracitadas calças de couro (Lederhose)



 
   A história da Oktoberfest começa no ano de 1810, quando a Baviera era o reino de Ludwig I, que organizou uma verdadeira cerimônia histórica para celebrar seu casamento com a Princesa Therese de Sachsen-Hildburghausen no mês de Outubro (por isso o nome da festa, apesar de começar sempre em Setembro nos dias de hoje). A festa fez tanto sucesso que no ano seguinte foi repetida na mesma época. Um sucesso que atravessou a morte dos noivos, a fundação do Império Alemão, a Primeira Guerra, República de Weimar, Segunda Guerra, ascensão e queda do Muro de Berlim, chegando até a atual República Federal da Alemanha governada pela Chanceler Angela Merkel. Em homenagem à princesa, o campo onde desde então é organizado Oktoberfest se chama Theresienwiese (Prados de Therese), chamado carinhosamente de Wiesn pelos locais. A festa foi exportada para os lugares onde a colonização alemã é expressiva, sendo que uma das "Oktobers" mais famosas fora da Alemanha ocorre todo ano em Blumenau, aqui no Brasil.

   A Oktoberfest hoje em dia dura aproximadamente duas semanas, sempre terminando no primeiro domingo do mês de Outubro. E está enraizada na cultura da cidade e do país. Inclusive na cultura dos times de futebol da cidade, mais destacadamente o TSV 1860 München, o arquirrival do Bayern que amarga a Segunda Divisão da Bundesliga já há algum tempo, com o passado de glórias ofuscado pelo gigantismo do rival vermelho. Em 2012 foi a hora da inovação:


   O 1860 lançou um terceiro uniforme claramente baseado no traje típico da Oktoberfest, com a camisa xadrez e o calção simulando couro. Infelizmente, só foi usado uma vez em campo, numa partida contra o Eintracht Braunschweig.


   Se dentro de campo a camisa não fez sucesso, fora dele a aceitação foi imensa. Tanto que, em 2013, outra versão foi lançada, simulando os coletes utilizados pelos alemães durante o festival. A camisa de 2012 é muito mais interessante e a versão nova possui detalhes nada tradicionais (como o verde-fluorescente presente nas mangas), porém não deixa de ser uma peça interessante. A camisa das fotos abaixo é da minha coleção pessoal.





   Só que em 2013 os "Sechziger" não estariam sozinhos nessa empreitada de levar a Oktoberfest para os gramados da Alemanha afora. O arquirrival Bayern de Munique lançou uma camisa reserva branca baseada na festa, incluindo os shorts marrons que se assemelham as "Lederhose". Ao contrário do 1860, o Bayern, que vinha de uma temporada aonde ganhara a Tríplice Coroa (Liga, Copa e Champions), usou seu uniforme reserva até o final da temporada, não ficando restrito somente às datas festivas. Mais discreto que os dois uniformes do rival, a camisa do Bayern é mais minimalista, porém muito elegante. A camisa abaixo também pertence a minha coleção.






   Os dois rivais marcam presença na festa, claro. Todo ano, jogadores, dirigentes e comissão técnica se reúnem nos estandes das cervejarias que os patrocinam. O Bayern é patrocinado pela Paulaner, e o 1860 pela Hacker-Pschörr (no fim dos anos 90, os antigos podem se lembrar do patrocínio de outra cervejaria, a Löwenbrau, que assim como o time azul, tem um leão como mascote). Até o sisudo catalão Pep Guardiola, técnico do Bayern, participa da festa, trajado como um bávaro da gema, como se pode ver na foto abaixo:



   Em 2014, o 1860 lançou uma nova versão de seu uniforme festivo, muito similar ao de 2012. Chama a atenção os detalhes escritos "Münchens Grösse Liebe" (O maior amor de Munique) e a forma criativa que o box de nome e numeração foi aplicado nas costas. Só faltou mesmo um "Lebkuchen" (espécie de pão de mel alemão) em forma de coração para ficar mais típico.









      No fim do ano passado, a Nike fez uma proposta para assumir a responsabilidade de fornecer a camisa dos "Sechziger". Porém, a diretoria da equipe azul negou. Não foi só uma questão de valores: os americanos se recusaram a aceitar a cláusula do clube que impõe um uniforme especial para a Oktoberfest todo ano. A Macron aceitou e agora, em 2015, a fornecedora italiana lançou sua versão da camisa comemorativa. Assim como a Uhlsport em 2013, ela se baseou nos coletes usados na festa, cheios de adornos floridos e com estampas simulando os botões e os bolsos!



   Deu até vontade de tomar uma cerveja depois de ler? Admito, dá até vontade de encarar o valor atual do Euro para comprar uma passagem para Munique e desfrutar da Oktoberfest deste ano, que inicia-se no dia 19 de Setembro. Esperam que tenham gostado, e como dizem os bávaros ao se despedir (ou ao chegarem): "Servus!"

sexta-feira, 26 de junho de 2015

A camisa arco-íris

Olá pessoal!
   Há tempos não atualizo o blog, estou devendo alguns posts, mas vou começar com esse em especial. No dia de hoje, 26 de Junho de 2015, os Estados Unidos legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todos os seus estados. A Mantoteca parabeniza o país pela decisão que é um passo à frente para a igualdade entre os cidadãos. Afinal, cada um tem o direito de escolher a sua opção sexual.
   A decisão histórica causou uma epidemia de pessoas botando fotos de bandeiras arco-íris (o símbolo maior do orgulho LGBT) nos perfis de Facebook, Tinder e afins. E essa "arcoirizada" toda lembra uma camisa pitoresca dos anos 90. Infelizmente, o item que vamos citar não faz parte da Mantoteca, mas não poderia deixar passar isso batido hoje. Com vocês, a camisa do Bochum de 1997:


   O time da cidade de Bochum não chega nem perto de ter a tradição da equipe da cidade vizinha, Dortmund, ou o Schalke 04 da também próxima Gelsenkirchen. Já faz um tempo que eles não disputam a 1a divisão da Bundesliga. Mas no final dos anos 90 eles costumavam andar entre a segundona e a elite. E no ano de 97 lançaram um uniforme histórico não só no futebol alemão mas também no futebol mundial: a camisa arco-íris.


   Mas a pergunta é: o Bochum lançou esse uniforme por alguma razão relacionada ao orgulho LGBT? Na Alemanha temos o Sankt Pauli de Hamburgo, com sua camisa marrom, ícone "Cult" por apoiar essa causa. Até mesmo a capital Berlim teve um prefeito declaradamente homossexual nos últimos anos. Mas não foi por esse motivo que o time da zona industrial do Ruhr, ao noroeste da Alemanha, lançou uniforme tão curioso. O motivo era verde, ou seja, tudo isso não passava de uma ação de patrocínio, ou seja, dinheiro em caixa.



   O patrocínio da "Faber-Lotto" ("Loteria das Cores", traduzindo) foi o motivo principal para que o clube usasse combinação tão inusitada, que incluía o arco-íris até no calção. Como o nome diz, a empresa é uma das lotéricas que existem na Alemanha, e para honrar o nome, colocou as suas "cores" no clube patrocinado. O time chegou até a usar a camisa na Copa UEFA de 1997-98, onde deixou para trás times como o turco Trabzonspor, o belga Club Brugge, e sendo parado apenas pelo poderoso Ajax holandês da época nas Oitavas-de-final.



  Na época, o uniforme branco era titular, sendo o azul o reserva, ao contrário dos dias atuais, onde o uniforme azulado é o principal. Ambos os dois com o enorme arco-íris do lado esquerdo. E havia até um terceiro uniforme, o vermelho com arco-íris. O onipresente colorido também estava nos uniformes dos goleiros, como visto nas fotos abaixo:




   A camisa exótica duraria mais uma temporada. sendo descontinuada em 1999. Mas o patrocínio continuou até 2002, dessa vez sem o arco-íris na camisa. e o time veria o pelotão principal da Bundesliga pela última vez em 2010, ano da última queda para a 2.Liga. Aliás, foi no ano de sua última vez na elite que uma de suas camisas mais interessantes foi lançadas (sem arco-íris dessa vez). E em 2010, já rebaixado, foi um dos primeiros a começar com a moda da "camisa que parece jeans" que ganhou força nos últimos 3 anos, sobretudo com Napoli e Olympique de Marseille. Abaixo, as duas camisas: 



Por ora é só. Espero que tenham gostado da matéria de hoje, independente de apoiar a decisão dos EUA ou não! 

terça-feira, 3 de março de 2015

[GUIA DE COMPRAS MANTOTECA] Cidade do México

Olá, apreciadores de mantos! Mais uma vez regresso ao Blog para mais um post especial de utilidade pública. Dessa vez, o Guia de Compras da Mantoteca vai ajudá-lo a fazer sua coleção ficar mais completa com as impressionantes camisas dos times mexicanos! Sejam bem-vindos ao México!






A Cidade do México, assim como Buenos Aires, talvez seja um dos melhores destinos para colecionadores de camisas de futebol. O preço de uma camisa atual do América do México, do Pumas ou do Chivas, os 3 maiores times do país, não é tão diferente do que estão cobrando por nossas camisas aqui no Brasil (aproximadamente 210 reais). Mas os verdadeiros achados mexicanos são os uniformes (ou "playeras", como eles dizem) de temporadas passadas, colocadas num preço muitas vezes tentador.





O outlet da Nike acima é um desses lugares. E ao contrário da maioria dos outlets, a localização deste é bem central, estando apenas a uma quadra do Zócalo (a praça que é o ponto mais central da cidade). Está na Calle Palma, nº 43. Dentre os achados, posso destacar a camisa do América do México de 2012 (utilizada no incrível título do Apertura 2013 com gol de goleiro no último minuto), por 500 pesos (aprox. 100 reais). Outras camisas interessantes, porém não tão baratas, estavam na loja: os uniformes dos clubes da Nike homenageando a Seleção Mexicana feitos ano passado para a Copa do Mundo. Na loja estavam as versões feitas pelo América e Tijuana, mas as duas estavam custando aprox. 200 reais (e já estavam com desconto: o preço original quase batia os 300). Mas é válido para quem quer raridade.






A foto acima indica a perdição de qualquer colecionador no México: a Calle Venustiano de Carranza. Existem MUITAS lojas de esporte nessa rua. Mais até do que na Calle Florida em Buenos Aires. E o melhor: com muitas promoções. A Martí, que aparece acima, é a Centauro mexicana. Ali você pode achar a maioria das camisas de equipes mexicanas, europeias e de seleções da atualidade. Camisas novas como o polêmico novo uniforme preto da Seleção Mexicana estavam ali, assim como também as camisas novas da Colômbia e do Paraguai para a Copa América deste ano no Chile (todos eles com o mesmo preço praticado no Brasil). Dentre os clubes, além dos já populares América, Pumas, Chivas e Cruz Azul, havia também o uniforme de outros clubes como o Toluca, Atlas, Monterrey e Pachuca. Todas elas por aprox. 200 reais. Mas ao lado da Martí, há o seu outlet, onde é possível encontrar as camisas de ponta de estoque. Alguns destaques são a camisa 3 laranja do Monterrey de 2013 e a camisa reserva do Chivas do mesmo ano, ambos custando aproximadamente 60 reais. Aí o bolso coça.






A maior curiosidade é ter achado na loja Martí camisas de clubes brasileiros. E o mais incrível é que as camisas, originais, não eram de nenhum time do nosso "G12". Ambas da Penalty, as camisetas do Náutico e do Vitória da Bahia, de 2013, estavam ali na arara de promoções (+ ou - 50 reais cada uma). É o Nordeste forte fora do Brasil! Tive até que tirar uma foto.

Ainda na Venustiano de Carranza, achei lojas menores de esportes. Uma delas me chamou bastante a atenção. Localizada bem na entrada da galeria no número 3 da rua, a Soccer Fan possui camisas de todo o mundo. Além dos uniformes dos mexicanos, pude ver as camisas atuais de Boca e River, além de diversas camisas de times europeus. Haviam réplicas piratas ali, como uma do Inter de Porto Alegre de 2012, devidamente separadas do material legítimo. O que mais me chamou a atenção na pequena lojinha foram as camisas alviazuis do Necaxa, mais conhecido por ter participado do primeiro Mundial de Clubes organizado pela Fifa aqui no Brasil em 2000, e por também ser o time de coração de Ramón Valdés, o Seu Madruga. Feitas pela Umbro, estão sendo usadas pelo clube no momento em que amargam a segundona mexicana. Acabei levando o uniforme reserva, rubro-negro, por aprox. 115 reais, valor bom para um uniforme atual.





No lado oposto da rua, na galeria n° 14, há a Estamparte, outro quiosque com várias camisas de diversas partes do México e do mundo, além de diversos patches e números para estampar camisas. Ali paguei 70 reais por uma camisa original do Pumas, do ano de 2013, a última feita pela Puma antes de serem fornecidos pela Nike. Na minha opinião, a camisa do time da Universidad Autónoma Nacional de Mexico é a mais icônica do país, com a face de seu mascote tomando conta de quase toda a parte dianteira da camisa. O mais engraçado é que do lado do quiosque havia outro que só vendia itens do Pumas (de forma não-oficial), e por incrível que pareça, a mesma camiseta que comprei ao lado estava mais cara ali!




Ao lado da galeria, havia uma outra loja muito presente na rua: a Max, que também contava com outras 3 localidades naquele mesmo quarteirão. O destaque maior vai para a incrível promoção de camisas do Chivas Guadalajara. Os uniformes titular e reserva de 2013 estavam por 70 reais, o uniforme reserva de 2011 estava por 60 e a camisa titular de 2011 saía por APENAS 50! Arrependo-me por só ter pego a titular de 2011. Além dessas, havia a camisa do Tijuana de 2013 (sim, aquela que traz boas recordações ao torcedor do Atlético-MG), por apenas 75 reais. Abaixo, a camisa do Chivas que trouxe comigo.




No caminho para o Estádio Azteca, também é possível encontrar algumas lojas deveras interessantes. De frente para a estação Las Torres do "Tren Ligero" (espécie de VLT mexicano), há a Soccer Man, outra ótima loja com uma variedade grande de camisas. Ali também haviam promoções de 70 reais nas camisas antigas dos Pumas, e me chamou a atenção a promoção de uma camisa rara do Cruz Azul, time da capital que jogou o Mundial de Clubes ano passado depois de ganhar a Liga dos Campeões da Concacaf. Pelo equivalente a 70 reais, a camisa de 2014 que celebrava os 50 anos do time na Série A Mexicana foi mais uma aquisição. Hoje servida pela Under Armour (que também fará os uniformes do São Paulo a partir deste ano), o Cruz Azul era servido pela Umbro até ano passado.



Na estação "El Vergel" do Tren Ligero, uma antes do Estádio Azteca, há uma loja incrível com diversas camisas antigas do América do México. O famoso uniforme de 2007, lembrado sempre por flamenguistas, vascaínos e santistas, vítimas do time azulcrema entre 2007 e 2008 na Sulamericana e na Libertadores, estava ali, ainda na etiqueta, para venda. Como vi que o dono era colecionador, tirei uma camisa do Internacional de 2012 (original e authentic, com os furinhos nas laterais) da mochila. Fiz uma proposta de aproximadamente 100 reais + a camisa do Inter pela camisa histórica (ele queria uns 170 reais pela camisa). Proposta aceita, levei a raridade para casa. E fiquei tentado a quase levar a camisa da Croácia de 1998 que ele tinha ali também. Levem suas camisas daqui, quem sabe ele não aceita negociar com você também?



Por então é isso aí, rapaziada. Espero que tenham gostado de mais um Guia de Compras da sua Mantoteca!